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      InícioReportagemJiangsu: Do berço do Yangtze ao futuro da humanidade

      Jiangsu: Do berço do Yangtze ao futuro da humanidade

      Cinco dias e uma experiência intensa, por entre pagodes de porcelana centenários e estéreis fábricas super-eficientes, a cultura milenar dos antigos impérios projecta-se na redesenhada dinastia que é o poderio económico da República Popular da China. Através de uma visita guiada, a convite do Gabinete de Ligação na RAEM e do Governo Provincial de Jiangsu, o PONTO FINAL fez parte de uma delegação de jornalistas de língua portuguesa e inglesa, observando, entre Nanjing, Wuxi e Suzhou, um resumo bem evidenciado do que representa actualmente este quase-continente em forte evolução: Um futuro de bem-estar, modernidade e preservação da cultura.

       

      Entre os dias 23 e 27 de Maio, uma delegação de jornalistas de Órgãos de Comunicação Social de Macau, nas línguas portuguesa e inglesa, teve a oportunidade de visitar uma das zonas mais desenvolvidas da República Popular da China, a Província de Jiangsu, na China Oriental. Através de uma visita guiada, organizada pelo Gabinete de Ligação na RAEM e o Governo Provincial de Jiangsu, o PONTO FINAL mais uma equipa de 14 pessoas recebeu as boas-vindas, num aeroporto moderno e sofisticado de Nanjing Lukou, para dar início ao primeiro capítulo desta saga cultural e tecnológica.

      Não faltavam expressões de admiração ao óbvio desenvolvimento tecnológico e planeamento urbano encontrado por todo o lado neste país. Impulsionado por recentes mudanças nos planos ambientais globais, o Governo Central tem accionado radicais alterações ao uso de transportes a combustão, que deixam qualquer outro Estado aquém, em termos de eficiência de resultados. Principalmente no que toca ao transporte individual, onde de facto a primeira impressão dos espaços públicos das cidades mais modernas, como a capital de Nanjing, é o silencioso e livre movimento da população, de passagem nas suas motas eléctricas, que não deixa de impressionar. Em contraste com o pesado ar encontrado em cidades como Macau, a poluição sonora e atmosférica será quase inexistente em Jiangsu. Pelo menos, aparenta ser esse o objectivo futuro. Cidades agradáveis, mas extremamente activas.

      BERÇO DA CIVILIZAÇÃO

      Nascida a norte da bacia do Yangtze, berço da agricultura e civilização chinesa, a região que agora é chamada de Província de Jiangsu foi inicialmente estabelecida por diferentes reinos, como os Wu e Yue, 1200 anos antes de Cristo. Já nesse período demonstrava a engenhosa habilidade da cultura chinesa, através da forja e cerâmica de alta qualidade.

      Nos vislumbres dessa rica história, a primeira evidência de um país que alia o rápido desenvolvimento tecnológico à consistente preservação do património cultural, é o Grande Templo de Bao’en. A torre de 79 metros de altura, inteiramente feita de cerâmica, contruída na Dinastia Ming, foi destruída durante a Rebelião de Taiping no século XIX. Contudo, após 12 anos de minuciosas construções, a réplica existente serve de perfeita demonstração quanto às novas intenções de uma economia em estabilização. Com um museu de alta qualidade e enorme dimensão na sua base, a verdeiro feito arquitectónico está no revestimento completo, em aço e vidro, da réplica da torre. Uma metáfora perfeita para as recentes intenções do Presidente da RCP. Alta tecnologia unida a preservação da cultura milenar.

      Uma das únicas civilizações milenares ainda existentes, o que mais surpreende é o facto de hoje ser a segunda maior economia do mundo. Por entre pavimentos quase perfeitos, avenidas de alcatrão novo, lixo quase inexistente e uma população vestida com todo o tipo de modas imagináveis, Nanjing é a epítome da consistência e perseverança de um povo que carrega no sangue um peso antropológico e cultural, presente hoje no seu objectivo de viver bem e resolver os problemas das necessidades básicas humanas. Onde nas últimas quatro décadas, 850 milhões de pessoas emergiram da linha impiedosa da pobreza extrema. De facto, através de mudanças cruciais nas ideias económicas, resolvidas nos anos 80. Porém, independentemente do sistema, o objectivo desta liderança política tem sido claro e evidente. A população chinesa vive melhor e mais confiante que nunca, como foi possível presenciar durante uma sexta-feira à noite nos canais do rio Qinhuai, no centro histórico de Nanjing. Centenas de famílias e casais a disfrutar do fim de uma semana de trabalho, por entre as belezas da arquitectura patrimonial que rodeiam um dos estuários do Yangtze. Muito eloquentemente apelidada de “cinco quilómetros de cortinas de missangas”.

      CULTURA INFLUENTE

      Não foi apenas na antiga capital de Nanjing que se materializaram os indícios de uma cultura influente no continente asiático. Na terceira etapa da delegação surge a cidade de Wuxi, que alberga a península de Yuantouzhu, no famoso lago de Taihu. Na forma de uma tartaruga colossal coberta de flores de cerejeira e jardins tradicionais da região de Jiangnan, a simetria e qualidade artística encontrada nesta floresta artificial faria relembrar a qualquer um as paisagens do Japão ou Coreia, apenas para de seguida aperceber-se que se trata da original fonte desta influência visual e paisagística.

      O pitoresco lago de Taihu, que banha as cidades de Wuxi e Suzhou, não é só rodeado por tradição, sendo que a poucos quilómetros de distância encontra-se a YADEA, simplesmente a maior fabrica de motas eléctricas do planeta. A ideia de um espaço oleoso, obscuro, com centenas de pessoas amontoadas, a compor produtos em massa, foi completamente obliterada pela iluminação, limpeza e condições gerais desta fábrica, ponta de lança desta indústria automobilística limpa. O que mais aparentava ser uma linha de montagem da BMW, dezenas de esteiras eléctricas assépticas carregavam esqueletos do que parecia ser uma bicicleta, que em 15 minutos era transformada numa mota de alta qualidade, com todos os tipos de sensores e funções, pronta para conduzir. 12.000 motas por dia, 4,5 milhões por ano. A comissão de frente desta revolução eléctrica no país, já anteriormente mencionada, que se expande pelo mundo, com lojas em Portugal e Macau.

      O rápido desenvolvimento da economia chinesa não se reserva apenas ao território nacional. A intenção de partilhar os avanços tecnológicos e as conquistas que vão sendo adquiridas, nas várias áreas da ciência, são frutos de uma política que visa a diplomacia e a expansão económica, através da infraestrutura e tecnologia. A China é actualmente uma das maiores investidoras em países do terceiro mundo, sendo a maior no Camboja, Tajiquistão e Níger, por entre outros. A vida diária dos europeus e americanos também não deixa de ser influenciada de maneira positiva através da tecnologia, proveniente de empresas como Xiaomi ou Huawei.

      Foi nesta nota que a Nanshan Cidade da Internet dos Veículos, em Wuxi, apresentou a sua sofisticada rede de trânsito “consciente”. Por entre carros inteligentes, munidos de inteligência artificial e um sistema municipal de câmaras de trânsito, será possível num futuro próximo tornar a cidade de Wuxi quase totalmente mapeada por computadores, que evitarão acidentes e tornarão possível a condução livre de carros em piloto automático. Um sonho de ficção científica, que o governo pretende apostar, através de centros como os de Nanshan, e mostrará ser possível atingir na prática.

      O quarto e quinto capítulo foram marcados por Suzhou, com visitas aos jardins da Floresta do Leão e do Humilde Administrador, inspiração para o nosso Lou Lim Ioc. Mas foram nos antigos bairros da zona cultural de Pingjiang que foi possível presenciar novamente a população no seu tempo de ócio, a disfrutar da tradição com deleito e sobriedade. Centenas de stands, prontos a vestir todos os interessados, nas tradicionais roupas de Xunpu, popularizadas recentemente. O turismo via-se vivo e bastante próspero, entre casais jovens, famílias e idosos, e até estrageiros.

      A conclusão é de aprendizagem. Ao fazer lembrar Macau, nada mais falava mais alto que o objectivo de desenvolvimento e melhoria da vida diária. Desde soluções eficientes para o trânsito, que incluem o embelezamento das vias públicas e redução de poluentes, à expansão das opções culturais e turísticas, seja através da preservação do património, seja da impressionante engenharia e arquitectura. Vários aspectos que poderiam ser aplicados também ao território da RAEM, algo que, de mão dadas com o Governo Central, possa ser uma realidade tangível. Cultura e tradição há em abundância em Macau, aliado ao desenvolvimento de Hengqin e o interior da China, prevendo-se um futuro de tecnologia e modernidade, que poderá tornar esta pequena península no expoente de uma real Cidade Inteligente.