A presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) afirmou ontem em Macau que as instituições de ensino superior lusófonas enfrentam “uma época de transformação profunda”, marcada pela inteligência artificial e pela digitalização.
“A inteligência artificial está a alterar a forma como produzimos, partilhamos e utilizamos o conhecimento, e a transformação digital redefine os processos de ensino, aprendizagem e investigação”, disse Astrigilda Silveira, na abertura do 35.º Encontro da AULP organizado no território.
Este encontro junta 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP) até quarta-feira, e coincide com o IV Fórum de Reitores da China, Macau e Países de Língua Portuguesa.
Sobre outro assunto, Silveira alertou também que as “alterações climáticas desafiam particularmente os pequenos Estados insulares, as regiões costeiras e as comunidades mais vulneráveis”, sublinhando que as universidades devem assumir-se como “líderes e promotoras da mudança”, formando profissionais “altamente qualificados e cidadãos comprometidos” com o desenvolvimento sustentável. “Nenhuma universidade, por mais forte que seja, conseguirá responder sozinha aos grandes desafios globais. Precisamos da ciência colaborativa, da rede de investigação, de partilhar infraestruturas, conhecimentos e talentos”, frisou a também reitora da Universidade de Cabo Verde.
A responsável destacou que os programas de mobilidade, as parcerias internacionais e os projetos de investigação colaborativa já demonstraram o valor acrescentado da associação, mas advertiu que os próximos anos exigem “mais ambição”.
Entre as prioridades, apontou o reforço da colaboração científica entre os membros, a internacionalização da produção científica em língua portuguesa, a aceleração da transformação digital e da transição energética, bem como a criação de mais oportunidades para estudantes e investigadores. “A nossa língua é um património comum, mas é também um activo estratégico, um instrumento de aproximação e uma plataforma para a construção de soluções globais a partir de realidades diversas”, afirmou, defendendo que o português deve continuar a afirmar-se como “língua da ciência, inovação e conhecimento”.
Apelou a que o “espírito de cooperação que caracteriza Macau” inspire os trabalhos e decisões da comunidade académica lusófona. “Que daqui surjam novas ideias, novos projetos, novas parcerias e uma renovada ambição para os 40 anos da nossa Associação”, concluiu.
Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português”.
Modelo de linguagem IA em português Amália apresentado “este mês”
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, anunciou ontem que o modelo de linguagem de Inteligência Artificial (IA) em português Amália será apresentado “este mês”. “É um projecto com dois anos [e representa] um investimento de mais de 5 milhões de euros por parte do Estado português, com apoio do PRR. O projeto vai ser apresentado até ao final do mês e tem tido resultados muito positivos”, indicou ontem o governante em declarações à Lusa em Macau.
O representante português esteve presente ontem em Macau na inauguração do 35º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que junta 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP).
O Amália – Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial faz parte da Agenda Nacional de IA, e foi desenvolvido por uma equipa composta pela Universidade Nova de Lisboa, Instituto Superior Técnico, Universidade de Coimbra, Universidade do Porto, Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.
Segundo o ministro, o objectivo do projecto era oferecer “maior rigor em toda a dimensão da língua e cultura portuguesa”, com a ambição de ser “usado e melhorado por todos os países da lusofonia”. “É o objectivo mais ambicioso, ter um modelo de linguagem em grande escala em língua portuguesa, que preserva especificidades linguísticas, aspetos culturais e contextuais do português de Portugal e das suas variantes, algo que os modelos de IA em língua inglesa ou chinesa muitas vezes não têm, por não terem acesso aos mesmos dados”, apontou Alexandre.
Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português”.
O processo de criação do Amália começou com a recolha e processamento de dados em português europeu em larga escala, os quais foram filtrados com base na sua relevância e qualidade linguística, e com conhecimento recolhido até 2023.
Uma versão de teste do primeiro modelo de linguagem português foi concluída na primeira metade de 2025, e a versão final será agora apresentada este mês. “O Amália será um modelo aberto e gostaríamos de o promover em todo o espaço lusófono, bem como envolver outras instituições no seu aperfeiçoamento”, destacou o ministro.
Para levar a cabo o treino dos modelos, foi utilizada infraestrutura computacional em grande escala, através de supercomputadores ibéricos, como o espanhol Mare Nostrum 5, o português Deucalion, e europeus, através da rede EuroHPC.
Segundo um relatório técnico da equipa de investigação e desenvolvimento a que Lusa teve acesso, o modelo teve o melhor desempenho em português europeu face a outros modelos de linguagem IA.
A Agenda Nacional de Inteligência Artificial aprovada pelo Governo português este ano terá um investimento acima dos 400 milhões de euros até 2030, maioritariamente com fundos euros. Lusa











