Segurança rodoviária: deputado diz que “Governo não consegue satisfazer necessidades da sociedade”

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

Chan Hao Weng foi o único deputado que aproveitou a sua intervenção antes da ordem do dia na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa para falar sobre o atropelamento mortal de uma criança de dez anos que atravessava a passadeira. O parlamentar afirmou que “o Governo não consegue satisfazer as necessidades da sociedade quanto ao melhoramento das vias, à fiscalização da execução da lei e à educação sobre a segurança” e pediu medidas rápidas.

 

Há duas semanas, um atropelamento numa das passadeiras da Avenida do Conselheiro Borja resultou na morte de uma criança de dez anos. O caso deixou a cidade de luto. Ontem, na reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL), só Chan Hao Weng quis falar sobre o caso. Na sua intervenção antes da ordem do dia, o deputado pediu medidas para que não se repitam situações idênticas.

“Um aluno com uniforme escolar estava a atravessar legalmente uma passadeira, mas acabou por falecer devido à falta de cedência de passagem por parte de um condutor e à insuficiente fiscalização da segurança rodoviária”, assinalou o deputado, acrescentando que “este triste acontecimento causou uma dor irreparável a uma família, expondo, ao mesmo tempo, falhas significativas no mecanismo de segurança das passadeiras, na fiscalização do dever de cedência de passagem aos peões e na protecção das zonas adjacentes a escolas em Macau”.

Chan disse que “as passadeiras deviam ser a linha de protecção mais segura para os peões”, porém, “agora transformaram-se num troço fatal”, o que, segundo o deputado, significa que “o Governo não consegue satisfazer as necessidades da sociedade quanto ao melhoramento das vias, à fiscalização da execução da lei e à educação sobre a segurança”.

Assim, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) instou o Executivo a instalar “de imediato” equipamentos de redução da velocidade, de sinalização luminosa e de alerta visual, nas escolas, nas zonas habitacionais e nos principais cruzamentos de passadeiras “para reforçar a protecção dos peões”. Pediu também a aplicação rigorosa das regras de cedência de passagem aos peões que atravessam a passadeira e o agravamento das penas, reforçando a execução da lei, rectificando os “maus hábitos de condução” e evitando que acidentes fatais como o da criança voltem a acontecer.

O deputado eleito pela via directa sugeriu a revisão global do plano de segurança rodoviária, “dando prioridade aos peões e à segurança, colmatando as lacunas de fiscalização e assegurando aos cidadãos uma via segura e desobstruída”.

No âmbito dos engarrafamentos de trânsito, o deputado sugeriu o reordenamento das obras de escavação nas vias de Macau, a uniformização do seu planeamento, encurtando o prazo das obras, para evitar a repetição das escavações nas vias e acabar com o “bloqueio arbitrário das estradas”.

“Espero que o Governo dê a devida atenção aos conflitos graves na área da saúde e à crise da segurança rodoviária, para responder às aspirações da população e melhorar a vida desta”, concluiu.

A deputada Loi I Weng também falou dos problemas de segurança rodoviária de Macau, não se referindo directamente ao acidente que vitimou a criança de dez anos. Loi assinalou que “o incumprimento de semáforos aumentou drasticamente, a alta frequência de acidentes graves em certas zonas continua notória e o aumento de veículos com volante à esquerda representa um risco para a segurança rodoviária”. Além disso, “ocorrem com frequência irregularidades, como atravessar fora da passadeira e não dar prioridade na passadeira, ameaçando a segurança dos residentes e visitantes”.

A deputada ligada à Associação Geral das Mulheres de Macau sugeriu que, face ao aumento dos casos de não cedência de passagem nas passadeiras, deviam ser instalados nas zonas turísticas e nos grandes cruzamentos equipamentos que projectem faixas luminosas no solo, mudando de cor segundo o sinal dos semáforos para alertar os peões que estão a olhar para o telemóvel.

Ao mesmo tempo, “sugere-se a introdução de passadeiras inteligentes, com a colocação de avisos luminosos intermitentes e pinos luminosos nas estradas, que funcionem com energia solar”, devendo estes ser instalados junto às escolas e nos locais com elevada sinistralidade, propôs a deputada.

Loi I Weng sugeriu também que as autoridades melhorem os avisos sobre a falta de visibilidade nas vias e reforcem a formação dos condutores. Por fim, propôs uma melhor aplicação do trânsito inteligente, usando dados para “tratar proactivamente os acidentes antes de ocorrerem”.