Edição do dia

Quinta-feira, 30 de Junho, 2022
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
aguaceiros fracos
26.9 ° C
31 °
26.9 °
94 %
5.1kmh
40 %
Qui
28 °
Sex
29 °
Sáb
28 °
Dom
29 °
Seg
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Reportagem Ganin descrito como artista do mundo

      Ganin descrito como artista do mundo

      “Vladimir Ganin é um artista com um estilo individual pronunciado, com a sua própria paleta de temas, técnicas de composição e cores”, considera Alexander Lobychev, director artístico da Galeria Portmay, em Vladivostoque, onde as suas obras estiveram expostas há uns anos.

      “A sua arte hoje em dia é uma colagem construída de modo expressivo, tanto em termos de conteúdo semântico como de uso da cor, utilizando elementos da arte pop, mas sem recorrer a objectos, tecidos e outros materiais de alguma forma estranhos à tela, que guarda em exclusivo para pintura a óleo, acrílico ou técnicas mistas”, acrescenta. “Mas o uso frequente que faz de técnicas de graffiti confere originalidade, apelo estético e modernidade às suas obras”.

      “É claro que Ganin, como artista que domina na perfeição as competências profissionais da academia, utiliza com graciosidade as técnicas de graffiti individuais preenchendo-as, esteticamente, com um conteúdo completamente diferente: histórico, cultural e lírico por excelência. Coloca livremente sinais de monumentos na tela, desde os mais arcaicos que se encontram no Oriente (pinturas rupestres, máscaras rituais, ou baixos-relevos dos templos de Angkor, a antiga capital dos Khmers), passando pela mitologia antiga e por histórias do Renascimento, até realidades contemporâneas como aviões e carros, ou sinalização rodoviária. E toda esta acumulação de símbolos e artefactos da civilização, no espírito do graffiti, é coberta com números, pedaços de vários textos, incluindo bíblicos, nomes, abreviaturas, fragmentos de etiquetas – e tudo em diferentes línguas, desde hieróglifos e latim ao cirílico materno”

      Lobychev faz também alusão às múltiplas influências a que Ganin tem estado sujeito, pelos muitos países a que a sua arte o levou, antes de concluir: “O artista de forma natural e rápida percebeu e absorveu a onda cosmopolita da arte do virar do século, com a sua diversidade de tendências e estilos artísticos, o apelo da cultura de massas, o exotismo em geral e as influências orientais de modo particular. Talvez, neste sentido, ele se tenha realmente tornado um artista russo de uma nova geração. O seu trabalho, pelos princípios estéticos e conteúdo, está ligado à cultura universal, à vida moderna do Ocidente e aos países do Oriente, onde a antiguidade surge surpreendentemente entrelaçada com as mais recentes manifestações da civilização, dirigindo-se por isso às galerias e públicos de todo o mundo”.

       

       

      Praça Negra

       

      A exposição que Konstantin Bessmertny prepara sobre a Rússia de Putin, desde 2019, já tem nome: Praça Negra, alusão a um dos mais célebres trabalhos de Kazimir Malevich, pintor de etnia polaca nascido em Kiev em finais do século XIX, e também à Praça Vermelha, onde está sediado o poder em Moscovo.

      Bessmertny partilhou com o PONTO FINAL algumas das obras que vão integrar a exposição, bem como a sua declaração artística:

      “Há sempre um ponto de viragem forçado pelo destino quando algo corre bem ou mal.

      A aleatoriedade é a deusa, mas existem algumas condições prévias. Pode-se estar na altura certa no lugar certo, mas se não se estiver pronto, a oportunidade acaba por ser desperdiçada. É regra que se aplica a indivíduos, grupos e nações.

      Chegados ao poder, os bolcheviques aboliram todas as festas ortodoxas, destruíram e fecharam locais de culto, dispersaram os seus sacerdotes e santidades. Em substituição, introduziram algo de novo, mas tiveram de começar do zero. A mitologia revolucionária foi produto de décadas de sacralização da genealogia do novo regime e da história que o precedeu. Era necessário introduzir uma nova linha de santos, novos mártires, novos deuses, novos festivais, novos locais de culto. Burocratas e combatentes bolcheviques foram na sua maioria construídos para destruir, prender, executar e controlar. Para criar, o estado novo precisava de criativos. Não sobravam muitos, apenas uns poucos do tempo dos czares, intelectuais que por erro trágico abraçaram a revolução. Mas estes ainda tinham velhos gostos burgueses. A oportunidade (e que oportunidade!) estendeu-se aos artistas subalternos, aos supremacistas e outros istas, poetas-vanguardistas, arquitectos experimentais e entusiastas dos novos meios de comunicação, o cinema e a fotografia. E lançaram-se ao trabalho!

      A Praça Negra, de Malevich, tomou o lugar da Praça Vermelha da Rússia imperial. Mas não por muito tempo.”

       

       

      Os filmes e os prémios de Sergiy Pudich

       

      Um jovem, virgem, não consegue ter relações sexuais no seu 23º aniversário com a sua namorada de longa data. Ao fazer-lhe um ultimato quanto à continuidade da relação, reconhece a inacreditável realidade que está para além da rejeição. Foi uma curta-metragem filmada em torno deste tema que trouxe a Macau Sergiy Pudich, em 2018. Desde então, para além de ter realizado outras curtas, produziu também em 2019 o documentário Comboio: Kiev-Guerra, que dá voz a diferentes perspectivas sobre a guerra que já nessa altura fazia vítimas no leste da Ucrânia.

      Pudich tem apenas 34 anos, mas a sua carreira como cineasta vem já de 2010. Antes, licenciou-se em Psicologia e fez um mestrado em Estudos Políticos. Depois de lançar a produtora EasyLiving Films, especializada na abordagem de questões sociais, dedicou-se à realização de filmes comerciais, curtas-metragens e documentários. Em 2016 e 2017, foi eleito Realizador do Ano em Odessa, de onde é natural.

      Os seus dois últimos trabalhos, O Criador e O Barbeiro, foram premiados em festivais de cinema fantástico e de horror na Ucrânia, Estados Unidos, Brasil, Alemanha e Turquia. A Mulher Caranguejo (Crabgirl), que passou no Festival de Curtas de Macau, recebeu o prémio de melhor comédia erótica no Boobs and Blood International Film Festival, em Los Angeles.

      A viver agora na Tailândia, Pudich quer regressar a Macau se possível ainda este ano. Com a Ucrânia já em paz.

       

       

      Cartoons, aguarelas e boas memórias

       

      Yaroslav Khanko tem 52 anos, estudou artes visuais em Odessa e correu o mundo a trabalhar para grandes hotéis, na Europa, na América Latina, na Ásia. A Macau chegou em 2016, depois do hotel Parisian ter realizado em Kiev uma sessão de recrutamento de talentos para o seu departamento de entretenimento. As caricaturas que mostrou em vídeo valeram-lhe um contrato com o grupo Sands.

      Os dois anos que esteve em Macau passou-os a fazer caricaturas a pedido de hóspedes do Parisian, ou a passar à tela o seu olhar sobre a cidade. Templo de A-Má e Um Dia de Chuva em Macau, aguarelas aqui reproduzidas, são dois exemplos da sua arte.

      Khanko diz guardar boas memórias desta terra, do seu clima quente, dos parques e das colinas verdejantes da Taipa, da gastronomia chinesa, da arquitectura tradicional e da combinação entre as culturas portuguesa e chinesa nas ruas da cidade. “Para mim, estar do outro lado do mundo foi uma experiência muito interessante”, reconhece.

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau