O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem em Pequim estar “disposto a continuar a reforçar a coordenação” com o líder de Myanmar, Min Aung Hlaing, que cumpre o segundo dia de uma visita oficial à China.
Xi descreveu Min Aung Hlaing como um “velho amigo da China”, numa altura em que o líder birmanês procura melhorar a imagem internacional do regime militar, que lidera, e promover uma transição política, contestada interna e externamente.
O chefe de Estado chinês acrescentou que os dois países, que partilham mais de 2.000 quilómetros de fronteira terrestre, devem “dar continuidade à amizade” e aprofundar a cooperação estratégica, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.
A China é um parceiro fundamental de Myanmar, que enfrenta o isolamento diplomático desde o golpe militar de 2021, quando Min Aung Hlaing, então chefe das Forças Armadas, depôs o Governo eleito liderado por Aung San Suu Kyi.
Segundo analistas, Pequim assumiu um papel central na guerra civil desencadeada pelo golpe, apoiando alternadamente as forças armadas, grupos rebeldes ou acordos de cessar-fogo, em função dos seus interesses económicos e de segurança.
A China apoiou particularmente as últimas eleições no final de janeiro de 2025, contestadas, que garantiram uma vitória ao campo pró-militar e levaram Min Aung Hlaing à presidência, tendo excluído do processo eleitoral vários partidos da oposição, incluindo o partido de Aung San Suu Kyi, ao mesmo tempo que reprimiram a oposição.
Min Aung Hlaing foi recebido por Xi Jinping numa cerimónia realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo a televisão estatal chinesa CCTV.
O dirigente birmanês chegou à China na segunda-feira para uma visita de cinco dias e visitou nesse dia a Cidade Aeroespacial de Pequim, um centro ligado ao programa espacial chinês. Durante a deslocação, deverá também reunir-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang.
A visita ocorre num momento em que as relações bilaterais sofreram tensões devido à proliferação de centros de fraude informática ao longo da fronteira comum, que recrutam e visam cidadãos chineses, segundo analistas.
Na sexta-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que Pequim espera aproveitar a visita para “dar continuidade à amizade tradicional” entre os dois países e “aprofundar a cooperação estratégica abrangente”.
Apesar de a guerra civil ter agravado a crise económica em Myanmar, o país tornou-se um dos principais fornecedores mundiais de terras raras, matérias-primas essenciais para a produção chinesa de tecnologias ligadas às energias renováveis.
Em Abril, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, prometeu apoio firme a Myanmar na defesa da sua soberania e segurança nacional durante um encontro com Min Aung Hlaing. Lusa













