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      Início Reportagem O último fogacho do velhinho Mercado Vermelho

      O último fogacho do velhinho Mercado Vermelho

      Depois de mais de 85 anos a funcionar ininterruptamente, o Mercado Municipal Almirante Lacerda vai ser alvo de profundas remodelações. Os vendilhões do mais icónico mercado da cidade serão agora deslocados para instalações provisórias na zona da Doca de Lam Mau. Ontem, o Instituto para os Assuntos Municipais permitiu que se captassem as últimas imagens antes do início das obras que devem durar quase dois anos.

      Em 1936, abria ao público o Mercado Municipal Almirante Lacerda, mais conhecido como Mercado Vermelho, devido aos tijolos vermelhos usados na sua construção. Por mais de 85 anos, serviu várias gerações do território com uma rica variedade de produtos frescos, alguns deles só mesmo ali se encontravam.

      Agora, o edifício considerado património de valor arquitectónico e artístico pelo Governo de Macau fecha portas por algum tempo para ser alvo de profundas remodelações que, como pudemos ver in loco, bem precisa. Foi no passado dia 27 o último dia de funcionamento. Ontem, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) permitiu que os jornalistas pudessem entrar nas instalações para entrevistarem ainda alguns dos vendilhões que estão a retirar os seus pertences, bem como captar as últimas imagens antes da obra. Imagens históricas, imagens com muitas estórias para contar.

      Das 7h30 às 19h30, todos os dias, o Mercado Vermelho abria portas à população. Não só os que ali naquele bairro residem eram os seus clientes habituais. Como era possível ali encontrar produtos onde em mais nenhum lugar de Macau se encontrava, o Mercado Vermelho também era famoso por isso. No piso térreo, as aves e os legumes. No primeiro andar o peixe e mariscos. No segundo piso, as carnes. Alimentos secos, frutas e flores também se encontravam por ali.

      Simetricamente contruído, o Mercado Vermelho tem uma torre de relógio no meio e uma espécie de torre de vigia em cada uma das pontes. A arquitectura dá-lhe este cunho quase de forteza, a fortaleza dos alimentos. Aquando da sua construção, o mercado era quase que banhado pelas águas do Rio das Pérolas. Depois, com a construção de aterros, distanciou-se do mar. Isso aconteceu com muitos locais de Macau. Tornaram-se mais periféricos, mas, ainda assim, não perderam a sua importância e, acima de tudo, a sua iconicidade.

      O Mercado Vermelho é icónico. Ponto. Agora, já sem as 154 bancas, as obras de remodelação começaram com a colocação de tapumes. A obra propriamente dita, integrada nos projectos de obra em destaque do IAM, arranca em Maio. “Devido à necessidade de conservar uma grande área e à limitação de natureza do local, não é permitido efectuar uma inspecção completa no mercado durante a fase de desenho da obra, só sendo possível elaborar o desenho através da comparação entre a inspecção parcial e os planos de desenho antigos, pelo que a dificuldade de execução da obra é elevada, e a sua imprevisibilidade também é alta”, admitiu em Fevereiro a entidade, que prevê que a intervenção tenha a duração de 657 dias.

      O reordenamento, explicou também o IAM, “tem por objectivo preservar o edifício do Mercado Vermelho, incluindo paredes exteriores, cobertura e áreas superiores e a torre central em forma de cruz com escadaria, entre outros elementos arquitectónicos com características da época”.

      O antigo edifício terá algumas novidades. Sem alterar a traça do imóvel, mas respondendo às solicitações dos vendilhões do mercado, o IAM instalará um sistema de ar condicionado, um posto de transformação e dois elevadores sem barreiras destinados tanto a carga como a passageiros. Será renovado totalmente o revestimento de paredes, chão e tecto, havendo ainda lugar à reconstrução de uma rede de drenagem e mudança do isolante térmico e impermeabilizante do telhado. O IAM alargará ainda o espaço dos sanitários, actualmente diminuto, ajustando a proporção dos compartimentos masculinos e femininos.

       

      Provisoriamente na Doca de Lam Mau

      A partir de hoje, a grande maioria dos vendilhões do Mercado Vermelho vai deslocar-se para o Mercado Provisório Municipal Almirante Lacerda, perto da Doca Lam Mau. O espaço foi ontem aberto à comunicação social, com direito a cerimónia religiosa de Pai San.

      As mais de 120 bancas que se mudam para o Mercado Provisório Municipal Almirante Lacerda tiveram tempo para transferirem equipamentos e ferramentas de exploração para o local

      O mercado provisório, de dois pisos, fica em instalações existentes que foram recentemente remodeladas e optimizadas de acordo com as práticas de exploração diária dos vendedores. No rés-do-chão, vende-se peixe, mariscos, mercearias, enquanto que no primeiro andar vamos poder encontrar frutas e legumes, bem como carnes frescas, carnes refrigeradas e produtos diversos.

      Contrariamente ao que sucedia com o velhinho edifício na Almirante Lacerda, o novo mercado provisório está apetrechado com dois elevadores, por forma a facilitar o transporte de mercadorias e a deslocação de pessoas com necessidades. “Há também um sistema de arrefecimento e ventilação, uma balança pública e um painel electrónico de preços, sanitários públicos e sanitários para deficientes, entre outros”, referiu o responsável do IAM no local, durante a apresentação aos jornalistas.