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      Nova gestão da Cinemateca quer “introduzir uma programação mais diversificada”

      A Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada vai voltar a gerir a Cinemateca Paixão, após ter sido responsável pelo espaço entre 2020 e 2023. Fonte da empresa garantiu ao PONTO FINAL que o público pode esperar uma “programação mais diversificada” a partir de Agosto, assumindo a intenção de construir uma ponte “entre a indústria cinematográfica local e o panorama global”.

       

      A Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada vai voltar a gerir a Cinemateca Paixão a partir de Agosto. O novo contrato de gestão tem a duração de vinte e quatro meses, até Julho de 2028, e vem suceder ao contrato celebrado com a CUT.

      “Estamos verdadeiramente felizes e entusiasmados por nos ter sido confiada a gestão da Cinemateca Paixão”, afirmou um porta-voz da empresa, em declarações enviadas ontem ao PONTO FINAL. Reconhecendo a “base sólida” que o espaço “construiu ao longo dos anos”, o grupo diz que pretende dar continuidade a este sucesso ao “introduzir uma programação mais diversificada” e estabelecer uma ponte “entre a indústria cinematográfica local e o panorama global”. “Estamos ansiosos por criar uma plataforma inspiradora, tanto para cineastas como para o público”, conclui a mensagem escrita enviada à redacção.

      De acordo com o resumo do acto público, publicado na página do Instituto Cultural (IC), a empresa vencedora foi a concurso com a proposta mais baixa, no valor de 12.280.000 patacas. As outras três concorrentes admitidas, a Associação Audiovisual CUT e a Broadware Sistema de Informação Limitada, apresentaram propostas avaliadas em 13.063.880 e 19.188.000 patacas, respectivamente.

      A Companhia de Diversões S Grupo Limitada, inicialmente admitida, acabou por ser excluída por não respeitar os termos do concurso. Na justificação apresentada pelo IC, lê-se que o documento com a cotação de preços para a prestação de serviços deveria estar fechado num segundo envelope, opaco e lacrado, e não no primeiro envelope.

      O actual contrato celebrado com a CUT – empresa que assumiu a direcção dos três primeiros anos da Cinemateca – vigora desde 2023 e continua válido até final de Julho.

       

      GESTÃO ANTERIOR MARCADA POR CRÍTICAS

       

      Recorde-se que a Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada já tinha sido responsável pela gestão da Cinemateca entre Agosto de 2020 e Julho de 2023, após apresentar a concurso a proposta com o orçamento mais baixo, de 15,2 milhões de patacas.

      Na altura, a vitória ficou marcada por críticas de aficcionados e profissionais da área do cinema, que demonstraram preocupação face à falta de informação sobre os elementos constituintes, a experiência prévia e os planos da empresa para os três anos seguintes. O movimento “Macau Cinematheque Matters” levantou também dúvidas quanto aos critérios de avaliação usados na apreciação das candidaturas, realçando que o orçamento não poderia ser o único factor em conta na adjudicação do novo contrato.

      Numa petição dirigida à então secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, o colectivo assumiu-se “preocupado” com o futuro do espaço e instou o Governo a “valorizar as opiniões” dos cineastas e seguidores da cultura cinematográfica local. “Quando o IC criou a Cinemateca Paixão, o seu objectivo não deveria limitar-se apenas a ser um espaço para exibições, mas também um local para promover a cultura e a educação, colocando ênfase nos filmes locais e elevando o nível de apreciação cinematográfica”, vincou a petição. Junto à mesma, seguiram também centenas de cartas de apoio de artes e cineastas oriundos do interior da China, Hong Kong, Taiwan, Malásia e Portugal.

      As informações posteriormente divulgadas pela empresa identificaram Tung Mei Yi – residente de Hong Kong com experiência na área cinematográfica – como directora de operações e Jane Wu – mestre em Estudos do Cinema e ex-membro do Gabinete da Indústria do Festival Internacional de Cinema de Macau – como consultora.

       

      NOVO CONCURSO CONSIDEROU A PERCENTAGEM DE TRABALHADORES RESIDENTES

       

      Para o actual concurso, o IC definiu cinco critérios de apreciação – mais um do que no concurso anterior.

      O preço voltou a ter o maior peso na ponderação total (40%), seguido do grau de perfeição da proposta operacional bienal e do plano operacional para os primeiros doze meses (35%). Foram ainda factores de ponderação a experiência da pessoa proposta para director de operações e para consultor (12% e 8%, respectivamente). A novidade consistiu num novo critério relativo à percentagem de trabalhadores residentes em Macau, com peso de 5%.

      Nas condições de admissão apresentadas no anúncio publicado em Janeiro, o IC indicou ainda que os concorrentes deveriam estar inscritos na Direcção dos Serviços de Finanças e na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis da RAEM, para além de disporem de “capacidade técnica e financeira para cumprimento dos requisitos a que se refere o caderno de encargos”. Estipulou-se também o pagamento de uma caução provisória de 205.000 patacas, valor bastante inferior às 440.000 patacas requeridas no concurso de 2023.