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      Início Cultura “Winter Series”: concertos de música experimental amanhã na Livraria Portuguesa  

      “Winter Series”: concertos de música experimental amanhã na Livraria Portuguesa  

      Nove músicos da Áustria, Estados Unidos, Hong Kong, interior da China e Portugal vão amanhã actuar na Livraria Portuguesa, trazendo à cidade actuações que funcionam como experiências sonoras que exploram as fronteiras entre o ‘ambient’ e o ‘noise’, o silêncio e o ruído.

       

       

      Numa iniciativa da organização Guia Experimental, o evento “Winter Series”, agendado para amanhã às 19h, vai acolher actuações de músicos de cinco territórios, trazendo à cidade uma mostra de música experimental com elementos ‘ambient’, ‘noise’ e ‘techno’. Estes nove artistas recorrem à manipulação de instrumentos clássicos e sintetizadores para criar “instalações sonoras” e paisagens auditivas invulgares.

      O andar inferior da Livraria Portuguesa foi o local escolhido para as actuações dos austríacos Conny Zenk, Gischt, e Peter Kutin, de Nerve e Kung Chi-shing, ambos de Hong Kong, e do norte americano Ken Ueno. No mesmo dia actuará também Mei Zhiyong, do interior da China. A rematar o programa está o duo português sediado em Macau, os Too Loose Low Tech vs Discobombulator, dupla composta por Rui Farinha e Rui Rasquinho, caras conhecidas no meio da música experimental do território. Também membros do The Guelta Zemmur Project, um trio de música electroacústica, estão actualmente a trabalhar no álbum de estreia, que deverá ser lançado no Verão de 2024, adiantou ainda o comunicado do evento.

      Anthony Sou, representante do colectivo Guia Experimental, explicou ao PONTO FINAL que aproveitou o facto de ter conhecido artistas de Hong Kong como Kung Chi-sing, que é director de Performance Contemporânea no Distrito Cultural de West Kowloon, e também Ken Ueno, professor da Universidade de Música de Berkeley na Califórnia, para organizar o evento, depois de estes terem demonstrado interesse em vir a Macau. “Eles vêm com o Nerve, um DJ de longa data de Hong Kong que também é músico experimental”, que está agora em digressão pela Ásia com artistas austríacos, adiantou. “Acabados de vir da Coreia do Sul, vão actuar em Macau e depois vão continuar a digressão por Hong Kong e Taipé”, esclareceu. “É na verdade uma grande oportunidade, por isso é que decidimos fazer esta Winter Series, para os juntar todos para actuar em Macau.”

      O concerto de quinta-feira será, clarificou, composto por três duos: um composto por Kung Chi-sing e Ken Ueno, os dois professores de Hong Kong e da Califórnia, outro por Nerve e Peter Kutin, o DJ de Hong Kong e o seu parceiro austríaco, e uma terceira dupla de duas artistas austríacas – Conny Zenk e Gischt. Conny Zenk traz a Macau a sua fusão entre vídeo, som e media digitais. Nas suas performances transdisciplinares, que são a sua especialidade, a artista gosta de explorar contextos híbridos entre projecção, meios digitais, corpo e espaço urbano. Como exemplo, pode ser referido “RAD Performances”, performances no espaço público em que colunas são adicionadas a bicicletas e estas percorrem o espaço público em forma circular, criando experiências sonoras invulgares.

      Também de Áustria vem Gischt, nome artístico de Ursula Winterauer. Para criar as suas paisagens sonoras eclécticas que exploram os estilos musicais industrial, techno e ‘ambient’, Gischt utiliza um baixo, um sintetizador e “nuvens de electro-smog”. Quanto ao austríaco Peter Kutin, que trabalha com som e instalações, este muitas vezes cria projectos especificamente para o local, combinando instalações de arte, esculturas cinéticas, música ao vivo e arte performativa.

      A Livraria Portuguesa vai também receber Ken Ueno, artista que para além de professor de música na UC Berkely, conceituada universidade de música nos Estados Unidos, é ainda compositor, vocalista, improvisador e artista sonoro. Ken Ueno diz que a sua música é “específica de uma pessoa”, em que “os meandros da prática performativa são postos em evidência nas realizações técnicas de um indivíduo específico, fundidas, inextricavelmente, com a aura desse intérprete”. Atraído por sons que têm sido negligenciados ou negados, estabeleceu como missão artística ultrapassar os limites da percepção e desafiar os paradigmas tradicionais da beleza.

      Da RAE vizinha, estarão também presentes Steve Hui, conhecido como Nerve, um artista multidisciplinar com formação em composição clássica contemporânea e raízes na cena rave. Professor da Academia de Artes Performativas de Hong Kong, actuou no Sónar em Hong Kong e outros festivais no mundo. Por seu turno, Kung Chi-shing, músico, compositor e artista sonoro é, desde há muito, um dos mais ousados experimentadores sónicos de Hong Kong, destacou a organização. “Combinando elementos de música pop e clássica, com ênfase na improvisação, utiliza a música como uma ferramenta artística para o comentário social, com trabalhos que examinam a forma como os espaços públicos são afectados pela música”.

      Natural de Shangdong, Mei Zhiyong é um dos mais importantes experimentadores internacionais de ‘noise’ vindos da China. Cria instrumentos de hardware que possibilitam a produção de música ‘noise’. A sua modificação de peças electrónicas e industriais tornam única cada uma das suas actuações ao vivo. Colaborou e actuou com músicos de todo o mundo, como Torturing Nurse, Dave Phillips, Zbigniew Karkowski, Incapacitants, Makoto Kawabata, Ryosuke Kiyasu e Kazuma Kubota.

       

      SAIR DA ZONA DE CONFORTO

      Apaixonado pela música experimental, Anthony Sou confessou que, para si, no início também foi um processo, compreender esta expressão musical. “É preciso vê-la como uma experiência: é como um espectáculo de teatro, é algo que tem de ser visto presencialmente para se viver a experiência. Para além dos sons, também há movimento, elementos visuais, e interacção entre os músicos”. Quanto à dificuldade que as pessoas podem sentir ao tentar apreciar actuações deste género, o responsável considera que embora não seja algo fácil de digerir e de apreciar, a música experimental possui a capacidade de fazer as pessoas saírem da zona de conforto. “Ao voltarem para as suas vidas, depois desta experiência, as pessoas talvez consigam começar a ouvir coisas diferentes, para além das coisas que já conhecem. É preciso ver que isto é mais do que música, é uma experiência para ampliar o nosso entendimento do que é a arte, diria”.

      O colectivo Guia Experimental foi fundado por Anthony Sou e outros dois amigos, o Matthew e o Steven. “Somos músicos electrónicos e começámos a fazer estes eventos há três anos, para poder dar uma opção alternativa aos apreciadores de música em Macau, e para também trazer música mais diferente e aventurosa à cidade”. Entre Agosto e Outubro deste ano, colaborando a Organização de Música Contemporânea de Macau, o Guia Experimental promoveu um festival de Verão, com concertos a decorrerem ao longo de vários fins de semana. Para além de se focar na música electrónica experimental, ‘noise’, e ‘ambient’, o programa também incluiu música clássica contemporânea, acrescentou Anthony Sou, com músicos dos Estados Unidos e da Holanda a virem actuar em Macau. Entretanto, agora que ficou confirmado o apoio financeiro do Instituto Cultural (IC), já estão a ser planeados quatro concertos para o próximo ano, para além do Festival de Verão. Mais informações sobre estes eventos vão ser anunciados nas redes sociais do colectivo.