O grupo Mega Fortris Berhad decidiu cancelar os planos para a construção de uma fábrica de produção de cartas de jogo em Macau. No entanto, o dinheiro arrecadado na oferta pública inicial vai continuar a ser parcialmente investido na região, prevendo-se a construção de um armazém do grupo em Macau no segundo trimestre de 2027.
A empresa malaia Mega Fortris Berhad, especialista em selos de segurança, anunciou esta terça-feira que decidiu abandonar os planos para o estabelecimento de uma fábrica de cartas de jogo em Macau, citando instalações inadequadas e elevados custos de aluguer como os principais motivos para a decisão.
Fica assim sem efeito o memorando de entendimento assinado em Janeiro de 2024 com a V.S. International Group Limited, empresa de Hong Kong que assumia o papel de subcontratada em Macau. Em Outubro, a Mega Fortris tinha detalhado que planeava enviar máquinas e equipamentos especializados para as instalações da subcontratada em Macau, que seria então responsável pelo processo de produção e obtenção das licenças e aprovações locais relevantes.
De acordo com uma declaração publicada na terça-feira, e citada pelo portal GGRAsia, a empresa vai descartar os planos iniciais e canalizar 45 milhões dos 99,07 milhões de ringgits malaios arrecadados na oferta pública inicial para três projectos: uma nova linha de produção na cidade de Shah Alam, um armazém de abastecimento e manuseamento em Macau e, ainda, o financiamento das operações quotidianas da empresa. A alteração no uso do dinheiro inicialmente destinado à fábrica de Macau exigirá a aprovação dos accionistas, explica a Mega Fortris.
“Em vez de criar uma segunda linha de produção em Macau, o grupo vai concentrar todas as suas operações de produção de cartas na Malásia”, lê-se no documento, onde se estima que as operações tenham início no quarto trimestre deste ano. “O grupo intensificará a produção de cartas na Malásia, passando de uma capacidade de produção anual de aproximadamente 19 milhões para 44 milhões de baralhos”.
Por outro lado, a construção do novo armazém em Macau deverá arrancar no segundo trimestre de 2027. Segundo adianta a empresa, alguns dos serviços prestados por este espaço incluirão “o pré-baralhamento das cartas que serão fornecidas pela linha de produção na Malásia, a inserção das cartas em caixas de segurança, a selagem das caixas de segurança e a entrega das caixas” aos clientes locais, assim como a manutenção de um “sistema de software de monitorização das caixas de segurança” e a “destruição de cartas usadas numa fase posterior”.
O jornal The Edge Malaysia acrescenta que, para além do fabrico de cartas de jogo para casinos, distribuidores e fornecedores da indústria, o grupo planeia também produzir “cartas coleccionáveis”, centradas no mundo do desporto e do entretenimento, numa fase futura.
As novas estratégias de negócio afirmam-se com uma “alternativa viável” aos planos originais, sublinha a empresa. Desde a oferta pública inicial, em Outubro, o grupo diz ter enfrentado “desafios na procura de instalações industriais adequadas em Macau”, que conseguissem satisfazer os requisitos de tamanho e peso que a linha de produção exigia. Em simultâneo, os custos de aluguer em Macau têm vindo a aumentar nos últimos tempos, “o que poderia resultar em taxas mais elevadas cobradas pelo subcontratado”, nota a Mega Fortris, citada pelo GGRAsia.











