Criminalidade: mais ofensas à integridade física e ameaças, mas menos burlas

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RODRIGO DE MATOS

A criminalidade no primeiro trimestre registou um aumento de 1,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo os dados divulgados pelo gabinete do secretário para a Segurança, este aumento foi impulsionado sobretudo pela subida de casos de ofensas simples à integridade física e ameaça, por exemplo. Em sentido contrário, verificou-se uma descida dos casos de burla.

 

No primeiro trimestre deste ano, as autoridades registaram 3.332 inquéritos criminais, ou seja, mais 1,3% face ao mesmo período do ano passado. Este ligeiro aumento está relacionado sobretudo com o crescimento dos denominados crimes contra a pessoa, como ofensas à integridade física e ameaças, por exemplo.

Os dados da criminalidade, divulgados na quinta-feira pelo gabinete do secretário para a Segurança, mostram um aumento anual de 10,9% nos casos de ofensa simples à integridade física e de 26,5% nos casos de ameaça. Neste capítulo, destaque também para a diminuição do número de casos de violação, de dez para sete. Houve também cinco casos de abuso sexual de crianças, idêntico ao mesmo período do ano passado.

As estatísticas mostram também que, no primeiro trimestre deste ano, houve um aumento dos casos de apropriação ilegítima (mais 15,1%), dos casos de dano (mais 12,5%) e dos roubos (mais 10%). Em sentido contrário, verificou-se uma descida de 10,6% nos casos de burla. Observa-se a mesma tendência nos casos de furto (menos 9,1%) e extorsão (menos 33,3%).

É também possível verificar que houve um aumento anual de 28,2% relativo aos casos de aliciamento, auxílio ao acolhimento e emprego de imigrantes ilegais ou indivíduos em excesso de permanência; um incremento de 57,1% nos casos de simulação de casamento, adopção ou contrato de trabalho; e houve também uma subida de 58,3% nos casos de tráfico e venda de drogas, de 12 para 19 casos. Por outro lado, os casos de consumo de droga caíram 25%, a criminalidade informática registou uma diminuição de 38,8% e o crime de jogo ilícito encolheu 13,7%.

No primeiro trimestre, houve 24 casos de violência doméstica preliminarmente instruídos pelas autoridades policiais, menos dois do que no mesmo período do ano passado. Desses 24 casos, apenas dois foram confirmados como crime de violência doméstica, enquanto outros 13 foram considerados como ofensas à integridade física e os restantes nove estão ainda em fase de investigação.

Os crimes relacionados com o jogo tiveram um aumento de 3,2% face ao período homólogo do ano passado. Neste âmbito, os casos de ofensa à integridade física duplicaram dos dez para os 20. Também houve mais furtos, ameaças e burlas relacionadas com os casinos. Já os crimes de exploração de câmbio ilícito para jogo, usura e dano diminuíram.

No primeiro trimestre, foram registados um total de 29 casos de delinquência juvenil, menos três casos face ao período homólogo de 2025, sendo que o número de jovens envolvidos foi de 49, menos cinco em termos anuais.

No que toca ao comércio paralelo, foram detectadas 956 infracções (menos 91 do que no período homólogo) nos canais de inspecção para passageiros e nos corredores para veículos dos postos fronteiriços das Portas do Cerco, de Qingmao, da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e de Hengqin.

Num balanço feito pelo gabinete de Chan Tsz King, a tutela da Segurança assinala que “a situação geral de segurança de Macau continua a manter-se estável e controlável”. “A área de Segurança continuará a manter o sentido de alerta e o pensamento baseado em pressupostos de situações mais desfavoráveis e a prevenir de forma abrangente os riscos de segurança, envidando todos os esforços para manter a paz e a estabilidade social de Macau”, lê-se no site do gabinete do secretário para a Segurança.

Recorde-se que o gabinete de Chan Tsz King passou a divulgar os dados da criminalidade através de uma série de tabelas publicadas no seu site, abolindo as habituais conferências de imprensa.