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      Académicos da UM estão pouco optimistas numa recuperação económica este ano

      A economia global de RAEM deste ano prevê-se que seja semelhante à do ano passado, indicam as previsões da macroeconomia local realizadas pela Universidade de Macau. Segundo os investigadores responsáveis pelo estudo, a evolução económica depende muito do número de visitantes, e relacionada com a calendarização da retoma de passagem fronteiriça com Hong Kong. No entanto, os académicos salientaram que é difícil para a economia local voltar ao nível pré-pandémico num futuro próximo.

       

      A Universidade de Macau (UM) divulgou ontem as previsões macroeconómicas de Macau deste ano. Segundo os responsáveis do Centro de Estudos de Macau e Departamento de Economia da Faculdade de Ciências Sociais, que conduziram o estudo, a situação económica global da RAEM em 2022 será semelhante à do ano passado, ou seja, o ano de 2021 representou “o fundo” da economia local.

      Tendo em consideração a articulação entre o desenvolvimento económico local e o volume de negócio turístico, a investigação foi realizada com quatro pressupostos baseados em número anuais de turistas, de 9,9 milhões, 13,8 milhões, 17,7 milhões e 21,7 milhões de visitantes, representando, respectivamente, 25%, 35%, 45% e 55% do volume de turistas em 2019, antes do surgimento da pandemia.

      De acordo com o investigador responsável do Centro de Estudos, Chan Chi Shing, a situação mais optimista está relacionada com a possível normalização da passagem fronteiriça com Hong Kong e o interior da China, com uma recuperação de turismo de 55% em número de visitantes pré-pandemia, o que levaria a taxa de desemprego de residentes a descer 0,4%, para 3,5%.

      O responsável salientou que, mesmo que a situação pandémica esteja controlada, o impulso para a promoção económica não deve ser forte no futuro próximo, pelo que a previsão geral para este ano convém ser mais conservadora.

      Nas quatro situações pressupostas, a receita total do Governo prevê-se estar entre 51,2 e 65,9 mil milhões de patacas, e a taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) será entre 3,6% e 37,9%. Já o território poderá registar uma taxa de inflação entre 1,8% e 2,7%, e a taxa de crescimento de salário médio mensal varia entre 1,8% e 3,8%.

      À margem de conferência de imprensa, outro responsável do estudo, Ho Wai Hong, professor associado do Departamento de Economia da UM, explicou aos jornalistas que a economia de Macau é sempre uma economia aberta de uma dimensão pequena, sendo bastante afectada pelo ambiente externo, sobretudo pela situação epidémica, factores económicos do interior da China e o ambiente político externo.

      “Tem muito a ver com as políticas da RAEHK, a situação pandémica desta cidade adjacente está mais grave do que antes, e o facto de ser possível retomar a passagem fronteiriça com Macau num prazo curto influencia muito a economia local”, destacou.

      No seu ponto da vista, a situação da economia local já atingiu o seu ponto mais baixo, “uma vez que a vacinação já arrancou há algum tempo”. “Por exemplo em alguns lugares no estrangeiro, como no Reino Unido, já foi cancelada a medida de obrigatoriedade de utilização de máscaras. Acredito que, se não houver mais variantes da Covid-19 a surgir, a situação pandémica vai ser aliviada, ou até melhorar muito duma forma acelerada”, frisou o académico.

      Questionado se a indústria do jogo vai produzir um impacto ainda maior a economia local, tendo em conta que o sector vai sofrer grandes alterações este ano, o professor observou que a promulgação da nova lei do jogo irá tornar mais claro o desenvolvimento futuro da indústria em Macau, uma vez que vai esclarecer as dúvidas e especulações anteriores. Nesse sentido, tanto as operadoras de jogo como outras empresas terão mais confiança no investimento em Macau, incluindo em outras indústrias diversificadas.

      Em termos de medidas possíveis para melhorar a economia da RAEM que podem ser implementadas pelo Governo, Ho Wai Hong apontou que as autoridades já tinham aumentado a injecção financeira no mercado, tendo iniciado mais obras públicas nos últimos dois anos como forma de evitar que a taxa de desemprego piore. “Pode proporcionar mais subsídios às Pequenas e Médias Empresas, e lançar mais uma ronda de apoios financeiros, acho que isto é o que a sociedade está à espera”, sugeriu.

      O especialista adiantou ainda que, nos próximos anos, será difícil para a economia global de Macau voltar ao nível de prosperidade de há oito ou dez anos. No entanto, salientou que já seria um bom resultado se o número de turistas voltasse para 60% a 70% do nível pré-pandemia dentro de dois ou três anos.

       

       

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