Inquérito revela preocupação geral entre residentes sobre cuidados na terceira idade

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

Apenas 20% dos residentes com 50 anos ou mais têm um plano financeiro estável para a reforma, e mais de 80% estão preocupados com os cuidados na terceira idade e despesas médicas futuras. É esta a conclusão de um inquérito da Associação de Segurança Social de Macau, que revela ainda que os residentes esperam mais serviços inteligentes na monitorização da saúde e no apoio de emergência.

 

Um inquérito feito pela Associação de Segurança Social de Macau descobriu que a maioria absoluta dos residentes, com idade igual ou superior a 50 anos, está preocupada perante as incertezas da velhice.

O inquérito foi conduzido entre Janeiro e Junho deste ano e contou com a participação de 792 residentes. Dos entrevistados, 84% manifestaram preocupação com os cuidados na terceira idade e despesas médicas no futuro.

Apenas um quinto dos inquiridos possui uma poupança estável, com plano financeiro a longo prazo e diversificado para a reforma. Quase 30% disseram que não conseguiram fazer quaisquer preparativos para a reforma devido a “rendimentos insuficientes”, apesar de considerarem que ainda conseguem fazer face às necessidades básicas de subsistência de vida neste momento.

A equipa responsável pela pesquisa, segundo o Jornal Va Kio, indica que os resultados reflectem a falta de preparação por parte dos cidadãos para questões relacionadas com a terceira idade, embora o público de Macau esteja consciente da necessidade de fazer tal preparação. “A maioria dos inquiridos apresenta preocupações bastante elevadas sobre o custo dos cuidados de longa duração e despesas médicas imprevistas, o que criou uma ansiedade generalizada na sociedade”, afirmou.

No inquérito, a associação investigou ainda a situação e a necessidade de cuidados inteligentes para idosos e adiantou que mais de 60% dos entrevistados já ouviram falar de produtos ou serviços relacionados. No entanto, na prática, apenas 30% já os utilizaram e a utilização concentra-se principalmente em equipamentos com funções mais simples e orientados para a gestão de riscos.

Os residentes esperam, de acordo com a análise, que existam mais cuidados de saúde inteligentes para idosos que ajudem na monitorização da saúde, no apoio de emergência e nos cuidados da vida quotidiana, sendo todas estas funções relacionadas com a segurança. Já o controlo inteligente do ambiente doméstico e a facilidade de deslocação são necessidades secundárias para os inquiridos.

Há 70% dos inquiridos a considerar que aprender a utilizar dispositivos inteligentes para cuidados de idosos é “um pouco difícil” ou “muito difícil”. Neste caso, na opinião da associação, a exclusão digital não é uma questão meramente relacionada com a idade, mas “está intimamente ligada ao design dos produtos e aos sistemas de apoio”, argumentando que o Governo deve formular políticas para intervir e ajudar à aprendizagem do uso de tecnologia entre o grupo sénior.

Além de conhecimento tecnológico, as despesas são um dos factores que dificultam a introdução de dispositivos inteligentes para cuidados da terceira idade. O inquérito aponta que mais de 80% dos residentes estão dispostos a pagar uma mensalidade inferior a 300 patacas por serviços de cuidados de saúde inteligentes, enquanto 20% mostram-se claramente relutantes em pagar. Ao mesmo tempo, 75% dos inquiridos apoiam a concessão de subsídios ou até utilização paga por parte do Governo.

A Associação de Segurança Social de Macau defende que é necessário o Governo atender às dificuldades dos idosos de uma forma mais precisa, providenciando diferentes níveis de apoio, consoante as necessidades reais e a capacidade económica individuais. Sugeriu ainda a integração dos cuidados inteligentes para idosos nos cuidados comunitários, através de criar um mecanismo de aluguer e experimentação de produtos de cuidados inteligentes.