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      InícioReportagemComerciantes e moradores entusiasmados com o regresso do Mercado Vermelho

      Comerciantes e moradores entusiasmados com o regresso do Mercado Vermelho

      A porta vermelha de aço do Mercado Municipal Almirante Lacerda, também conhecido por Mercado Vermelho, reabriu ontem precisamente às 7h ao público. Após uma despedida temporária de dois anos, com uma remodelação de interiores, os comerciantes e os moradores podem voltar a acrescentar o Mercado Vermelho na sua rotina diária. O PONTO FINAL ouviu alguns vendilhões e residentes sobre a reabertura do mercado, e todos mostraram saudades deste espaço histórico, recordando conversas com amigos e a dinâmica do local. Elogiaram ainda o novo ambiente por estar “mais confortável e limpo”. Os comerciantes mostraram-se confiantes relativamente ao crescimento do fluxo de pessoas e do negócio, e os moradores, por sua vez, afirmaram ter mais vontade de consumir produtos adquiridos no mercado.

      O Mercado Municipal Almirante Lacerda, famoso pelos seus tijolos vermelhos nas paredes exteriores, voltou a estar disponível ao público e centenas de pessoas deram ontem as boas-vindas ao seu regresso. Após dois anos de reordenamento, os vendilhões reinstalaram-se no Mercado Vermelho, com bancas enchidas de marisco, peixe, carne fresca, hortaliças e mercearias.

      No primeiro dia de reentrada em funcionamento do Mercado Vermelho, os vendilhões começaram cedo e estavam já ocupados na preparação das bancas antes das 7h, hora marcada para a inauguração. As autoridades e os comerciantes realizaram depois uma cerimónia de bênção à porta do mercado, onde o PONTO FINAL também se juntou ao evento, que contou com danças de leão, danças do dragão embriagado e queima de papéis votivos, tudo para abençoar o sucesso e perspectivas de um bom negócio no mercado. A ocasião atraiu moradores da zona e transeuntes que pararam para assistir à cerimónia, bem como tirar fotografias com amigos para comemorar.

      Ao PONTO FINAL, comerciantes e cidadãos fizeram elogios ao projecto de renovação do Mercado Vermelho, considerando que o ambiente está mais “confortável”, “limpo”, “bonito” e “muito melhor do que antes”.

      “O mercado tem tudo novo e acabou de ser remodelado, as instalações são boas e o mais importante é que o negócio está bom”, afirmou o senhor Chan, responsável de uma peixaria no Mercado Vermelho, onde passou o seu dia a dia pelo menos durante 40 anos, recordando que acompanhava o pai ao trabalho no local desde a sua infância.

      Chan, ao contar a história da sua carreira, disse fazer parte das testemunhas da história do Mercado Vermelho e ficou emocionado por voltar a encontrar-se com amigos no trabalho depois de dois anos. “Muitos clientes antigos voltaram hoje a fazer compras, gostam de coisas familiares e estão mais confiantes em fazer compras aqui nas bancas onde costumavam vir. Espero que o negócio seja cada vez melhor, não só na minha, mas em todas as bancas, com mais clientes”.

      Por volta das 11h, compradores passaram pelos corredores e andares para encontrar o que lhes apetecia para as refeições do dia. Segundo Chan, o fluxo de pessoas no Mercado Vermelho “é muito diferente” relativamente ao mercado provisório do Patane que operou durante as obras de renovação. “É uma diferença de cerca de 90%. Quase ninguém passou ali e nem conseguia fazer negócio normal”, lamentou.

      O vendedor acrescentou ainda que a sua banca, embora agora com menos espaço de armazenamento, está equipada com uma área maior de exposição de produtos em comparação com o passado.

       

      ESPAÇO DE AMIZADE E MEMÓRIA

       

      Do andar da venda de peixe, descendo as escadas para a zona de hortaliças e mercearias, estavam moradores a fazer compras e a conversar com os vendilhões. A senhora Lou, que passou pelo local para ir ter com os amigos do mercado, disse ao PONTO FINAL que o Mercado Vermelho é o seu local favorito em Macau para fazer compras de alimentos uma vez que o ambiente “é bom” e “as pessoas são simpáticas”.

      “Não costumo ir a outros mercados, só gosto de vir cá. Quando estava em obras fui a outros sítios só algumas vezes, agora vou voltar sempre, é mais fácil de chegar, mais confortável e está bonito”, destacou a senhora, sorrindo.

      Lou revelou que também vendia carne de porco no Mercado Vermelho há 22 anos, e como trabalhou no espaço durante muito anos, vai frequentemente ao Mercado Vermelho para fazer compras aos antigos colegas. Realçou que a instalação ficou mais atraente para os compradores depois das obras, e que o sistema de ar-condicionamento foi uma das melhores optimizações do projecto de reordenamento.

      A senhora Wong, que opera durante mais de 40 anos uma banca de hortaliças com o marido, é uma das amigas que Lou aproveitou para cumprimentar e conversar neste regresso. “Para já está bom o negócio, muitas pessoas a comprar, todos ficaram contentes e até dei descontos neste dia alegre”, disse Wong, frisando que “hoje parece um dia de convívio em que nos encontramos com muitos clientes frequentes”.

      A responsável indicou que também se tinha mudado para o mercado provisório devido às obras do Mercado Vermelho, mas que muitos clientes não iam lá devido à distância. No entanto, o negócio melhorou no primeiro dia de reabertura do Mercado Vermelho e Wong acredita que será uma melhoria contínua nas vendas com o regresso de clientes.

      Uma outra residente, de apelido Kwong, estava prestes a sair do Mercado Vermelho com sacos na mão com tofu e peixe. Deixou também elogios ao novo ambiente que encontrou, nomeadamente o chão limpo e menos molhado. “Já dei uma volta no mercado e acho que está muito bem. Assim até ficamos com melhor disposição quando fazemos compras. Vou voltar para comprar comida aqui”, assegurou.

      Por sua vez, a senhora Lam, responsável de uma banca de frutas que se situa na zona de vendilhões fora do Mercado Vermelho, estava também satisfeita com a conclusão do reordenamento já que as obras também colocaram dificuldades no seu negócio nos últimos dois anos. “Hoje está muito melhor, esta zona em que estamos é um beco ao lado do mercado e quase ninguém passou aqui por causa das obras”, disse.

       

      “INTEGRALMENTE OPTIMIZADO”

       

      O Mercado Vermelho reabriu com 118 bancas em função e 31 bancas desocupadas e o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) garantiu que o mercado recomeçou a funcionar “com normalidade”.

      Na cerimónia de abertura de ontem, José Tavares, presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais, sublinhou que as obras de reordenamento do Mercado Vermelho foram concluídas dentro do prazo previsto graças à colaboração de um grupo de comerciantes.

      “Após o reordenamento, o Mercado Vermelho será integralmente optimizado em termos de ambiente e instalações, encorajando os vendedores a continuarem a explorar as suas actividades com empenho e, em conjunto com o IAM, a criar uma nova imagem para o mercado, proporcionando aos cidadãos uma experiência de compras confortável e limpa”, frisou José Tavares no seu discurso.

      O IAM também disse que irá estar atento ao funcionamento do Mercado Vermelho e manter “uma comunicação estreita” com os comerciantes.

      A obra de ordenamento do Mercado Vermelho teve início em Maio de 2022, e foi adjudicada por um preço superior a 70 milhões de patacas. No projecto procedeu-se ao aumento da quantidade de fontes de alimentação eléctrica e substituição das anteriores tomadas eléctricas e luzes por opções impermeáveis. Além disso, nas bancas onde se vende peixe, foi reforçado o sistema de drenagem de água e instalada uma placa de vidro temperado de retenção de água em frente da mesa, de forma a evitar fugas de água propícias a molhar os espaços públicos.

      Segundo o IAM, a obra centrou-se na reconstrução dos pilares estruturais e pavimentos para aumentar a durabilidade e capacidade de carga do edifício. Foram também substituídas as paredes e azulejos do pavimento, renovados os tectos e reconstruídos os sistemas de drenagem da água e de esgotos. Aumentou-se igualmente o espaço dos sanitários públicos.

       

      HISTÓRIA E ARTE

       

      O Mercado Vermelho é o edifício de interesse arquitectónico, sendo um exemplo típico do estilo art deco. Com dois andares, o complexo tem um desenho simétrico, uma torre de relógio ao centro e uma torre de vigia em cada uma das esquinas. Entrou em funcionamento há mais de 80 anos.

      Recorde-se que, em 1933, a Comissão de Terras concordou com o pedido de concessão de terras apresentado pelo Leal Senado da Câmara relativo ao uso gratuito de um terreno de 1,450 metros quadrados na Avenida Almirante Lacerda para construir um mercado.

      A arquitectura foi concebida por Júlio Alberto Basto, o cálculo da estrutura da obra esteve a cargo de B. de Sena Fernandes, e o desenho foi feito por Wong Lam e Tse Shing, segundo o Arquivo de Macau. A obra da construção do mercado iniciou-se no princípio de 1935 e concluída em Junho de 1936. Foi inaugurado assim no mesmo ano como mercado público para venda de vegetais e outros produtos frescos.