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      Coutinho diz que é vergonhoso operadoras subirem salários dos trabalhadores em apenas 2,5%

      Para Pereira Coutinho, o aumento vertiginoso dos suicídios em Macau está intimamente ligado ao menor poder de compra dos residentes. Ontem, no almoço de Primavera da Assembleia Legislativa, o deputado afirmou mesmo que o aumento de apenas 2,5% para os trabalhadores das operadoras de jogo “é vergonhoso”. Coutinho também deixou críticas à lei sindical que está a ser discutida em sede de comissão: “Prefiro não ter uma lei sindical do que ter uma lei sindical que comprime mais os direitos fundamentais dos trabalhadores“.

       

      José Pereira Coutinho considera que o aumento do número de suicídios em Macau ao longo dos últimos anos se deve em grande parte à falta de poder de compra dos residentes. À margem do almoço de Primavera da Assembleia Legislativa (AL), o deputado disse que a recuperação económica não está a chegar ao bolso dos residentes, provocando problemas de saúde mental.

      “Há um fosso entre ricos e pobres”, frisou o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), acrescentando que o grande número de visitantes que se reúne nas zonas turísticas da cidade não traz benefícios à grande maioria dos residentes.

      Afirmando que “há muitos turistas de ‘pé descalço'” que “chegam, comem de borla e vão-se embora”, causando “sujidade e dificuldades no trânsito”, Coutinho pediu medidas para desviar os visitantes para todas as zonas da região para beneficiar a economia comunitária. “Temos uma economia bastante desequilibrada, em que há zonas de alta riqueza e outras de pobreza”, lamentou.

      Já este ano, as concessionárias de jogo anunciaram aumentos na ordem dos 2,5% para os seus trabalhadores. Coutinho defendeu que esses aumentos são escassos. “Isto é vergonhoso”, criticou. “As receitas de jogo são excelentes, mas só aumentaram 2,5% os trabalhadores do sector de jogo. Quanto é que eles não sofreram nos últimos três anos da pandemia?”.

      Questionado sobre se há falta de profissionais de saúde mental em Macau, Coutinho voltou a associar os problemas de saúde mental dos residentes à pouca qualidade de vida. “Hoje em dia não é fácil as pessoas terem filhos e família porque é muito caro. Os salários não acompanharam a elevação do custo dos produtos essenciais”, sublinhou.

       

      COUTINHO REPROVA PROPOSTA DE LEI SINDICAL

       

      A lei sindical que está ainda a ser discutida na 2.ª Comissão Permanente da AL, mais de um ano depois de ter sido aprovada na generalidade, voltou a ser duramente criticada pelo deputado. Coutinho disse que a proposta do Governo “tem vários problemas” e afirmou: “Eu prefiro não ter uma lei sindical do que ter uma lei sindical que comprime mais os direitos fundamentais dos trabalhadores”.

      Segundo o presidente da ATFPM, esta proposta de lei sindical iria permitirá que inspectores da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) possam “vasculhar” os ficheiros dos membros dos sindicatos. “Assim, prefiro não ter essa lei e continuar com a liberdade de associação e de expressão que ainda temos cá em Macau, e que é bastante boa a meu ver; nunca tive nenhuma pressão de nenhum lado”, comentou, frisando: “Se esse diploma for avante, a ATFPM de certeza absoluta que não vai aderir ao sistema de sindicato”.

       

      PETIÇÃO DE PROFESSORES DA UPM TERÁ SIDO IGNORADA

       

      Na última reunião plenária da AL, Coutinho tinha alertado que as petições recebidas pelas comissões deviam ser devidamente analisadas e o seu conteúdo devia ser acompanhado. Na ocasião, o deputado não especificou a que petição se referia em concreto.

      Ontem, o deputado eleito pela via directa detalhou que se referia a uma petição de cerca de uma dezena de antigos docentes da Universidade Politécnica de Macau (UPM) que terão sido despedidos. “A petição caiu nas mãos da 1.ª comissão. Os membros da comissão entenderam não examinar o conteúdo nos termos legais. O meu colega de bancada que está na 1.ª comissão [Che Sai Wang] ficou muito chateado e foi impedido de falar na própria comissão”, denunciou, sublinhando: “É inadmissível que uma petição seja atirada para o lado e não seja examinada”.

       

      CRITICADO ‘DOWNGRADE’ DO FÓRUM

       

      Outro assunto comentado por Pereira Coutinho foi o recente anúncio do Governo de que o Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum Macau vai passar a estar sob alçada do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM). Coutinho diz que a medida é um “downgrade” do organismo. O deputado confidenciou que conversou recentemente com vários delegados de países africanos no Fórum e que eles se mostraram descontentes com a situação.

      “O que é que aconteceu para fazerem isso? Há gabinetes que são transformados em serviços públicos e este, que é considerado um dos mais importantes [organismos], tem um ‘downgrade'”, lamentou, ressalvando que “não é fácil” os países de língua portuguesa fazerem negócios usando Macau como plataforma.