O secretário para a Economia e Finanças admite que o desenvolvimento da diversificação industrial “não satisfaz” as expectativas da sociedade. Tai Kin Ip reitera a atitude cautelosa face à evolução da economia local, mas garante que o Governo tem acompanhado o eventual impacto das políticas de tarifas dos Estados Unidos em Macau.
O Governo voltou a alertar para os desafios e riscos no desempenho económico de Macau e reconheceu a necessidade de “examinar cuidadosamente a situação económica e responder com prudência”. Manifestando uma abordagem conservadora, as autoridades entendem que o desenvolvimento da diversificação industrial, que o Governo tem vindo a promover, ainda não satisfaz as expectativas da sociedade.
“A recuperação da indústria turística integrada de Macau sofreu um abrandamento devido à complexidade e volatilidade da situação internacional, juntamente com uma grande mudança nos padrões e conceitos de consumo dos visitantes e residentes”, começou por dizer Tai Kin Ip, secretário para a Economia e Finanças, na sua apresentação ontem das Linhas de Acção Governativa na Assembleia Legislativa.
O secretário indicou ainda que a concorrência internacional relativa ao principal sector de Macau está a aumentar e, como tinha adiantado o Chefe do Executivo, as receitas brutas do jogo mantiveram-se praticamente iguais em termos anuais no primeiro trimestre deste ano, podendo, assim, as receitas financeiras “não ser tão optimistas como o previsto”.
Tai Kin Ip destacou que o agravamento do unilateralismo e do proteccionismo está a trazer impactos ao desenvolvimento económico e à estabilidade da cadeia de abastecimento mundial. Neste caso, enquanto microeconomia orientada para o exterior e altamente aberta, Macau dificilmente consegue isolar-se dos impactos externos.
No que diz respeito à questão da política tarifária dos Estados Unidos, tema que preocupa alguns deputados sobretudo no aspecto de importações e exportações e actividades turísticas de Macau, Tai Kin Ip assegurou que o Governo “tem estado atento” às recentes mudanças no ambiente comercial internacional e “tem vindo a avaliar” o impacto em Macau, estando ao mesmo tempo a realizar trabalhos preparativos em todos os aspectos.
“O impacto directo no comércio de importação e exportação de Macau é relativamente baixo. Pelo contrário, está em causa o impacto indirecto ao território, incluindo a flutuação da bolsa de valores e do mercado financeiro”, analisou. O secretário notou que as mudanças das políticas e medidas “abalaram a confiança do mercado” e levaram ao ajustamento do consumo.
Tai Kin Ip, contudo, disse que as recentes chegadas de visitantes e as estatísticas do consumo ainda não reflectiram o impacto, e o Governo continua a manter uma atitude prudente em termos da guerra tarifária entre a China e os Estados Unidos.
Entretanto, o governante deixou a garantia que o sistema financeiro de Macau encontra-se num estado estável, sendo que o rácio do crédito malparado “permanece estável”. “Antes era 5,6% e agora é 5,5%. E o rácio de adequação de capital fixou-se em 15,5%, o que é muito superior ao rácio de 8% exigido para o sistema financeiro”, realçou.
Segundo Tai Kin Ip, o total dos depósitos de residentes e não residentes, bem como o valor absoluto dos créditos malparados e o montante dos empréstimos, reflectem que o sistema financeiro de Macau está relativamente estável.
Consultando as estatísticas divulgadas pela Autoridade Monetária de Macau, o rácio de crédito malparado atingiu os 5,7% em Janeiro deste ano, nível recorde das duas últimas décadas, e desceu para os 5,6% em Fevereiro. Apesar de tudo, à vista do nível elevado do rácio de crédito malparado, as autoridades asseguraram nessa altura que o risco “está controlado” e os bancos “têm capacidade suficiente” para liderar os riscos de crédito.











