Edição do dia

Quarta-feira, 28 de Fevereiro, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
15.9 ° C
18.9 °
15.9 °
77 %
2.1kmh
40 %
Qua
20 °
Qui
21 °
Sex
17 °
Sáb
15 °
Dom
20 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Cultura Adaptação de “A Cabaia”, de Deolinda da Conceição, no programa teatral da...

      Adaptação de “A Cabaia”, de Deolinda da Conceição, no programa teatral da Rota das Letras

      O livro da escritora macaense é, uma vez mais, alvo de uma adaptação para a representação teatral. Pela mão de Luciano Ho, “Deolinda da Conceição e as mulheres desfavorecidas” sobe ao palco improvisado da Livraria Portuguesa, amanhã e domingo, e dos jardins da Vitória e de Vasco da Gama, na segunda e terceira semanas deste mês. A condição feminina que a autora descreveu há mais de 50 anos, ainda permanece igual, em certos aspectos da sociedade actual. Essa é a percepção, não só de Luciano Ho, mas também das duas actrizes que emprestam corpo à representação.

      É a quarta vez que Luciano Ho trabalha a obra literária de Deolinda da Conceição. O autor adaptou “Cheong-Sam: A Cabaia” e criou “Deolinda da Conceição e as mulheres desfavorecidas”, um espectáculo que terá lugar no âmbito do Festival Literário – Rota das Letras e decorrerá nos dias 4 e 5 de Dezembro, pelas 19h, na Livraria Portuguesa. Além disso, serão apresentadas outras sessões, de 10 a 12 de Dezembro, no Jardim da Vitória, e de 17 a 19 de Dezembro, no Jardim de Vasco da Gama, com hora marcada para as 20h. “É a quarta vez que trabalho a obra literária de Deolinda da Conceição e é um grande prazer. Adoro a forma como ela escreve cada conto. Espero que, como mais esta adaptação, que, através da recriação deste trabalho, diálogos possam ser estabelecidos entre diferentes comunidades e diferentes culturas”, afirmou Luciano Ho ao PONTO FINAL.

      Luciano Ho tem vindo a trabalhar o livro de Deolinda da Conceição desde 2013, altura em que realizou a primeira adaptação numa apresentação realizada em Taipé, em Taiwan. Em 2017, realizou duas apresentações do conto “Cheong-sam” em Macau. Em 2019, numa apresentação realizada numa livraria, a obra também voltou a ser adaptada, desta vez já com produção de Mandy Ip.

      A peça de teatro, que terá a duração sensivelmente de uma hora, será realizada com duas atrizes a deambularem pelos dois jardins. Kate Leong, em cantonês, e Nada Chan, num dialecto de Fujian, são as actrizes que darão corpo às “mulheres desfavorecidas”. “É uma honra para mim poder participar neste projecto”, começou por dizer Kate Leong. “Apesar de não falar português e ter muita dificuldade no inglês, já consigo entender alguma da coisa que Deolinda da Conceição escreveu, mesmo em português”, assumiu.

      Kate Leong e Nada Chan são os rostos femininos que darão vida a três contos a serem apresentados no Festival Literário de Macau – Rota das Letras: “O calvário de Lin Fong”, “Cheong-sam” e “Sai Long Cuai”. “O livro, apesar de ter sido escrito nos anos de 1950 continua a ser muito actual. Ainda hoje, infelizmente, a mulher tem uma posição vulnerável na família, no casamento e no conflito de papéis de género. Estou de alma e coração neste projecto”, referiu Nada Chan ao PONTO FINAL, ela que representará apenas em Min do Sul, um dialecto oriundo da província chinesa de Fujian e falado por 49 milhões de pessoas em todo o mundo.

      O espectáculo viaja no tempo para ilustrar casos de violência doméstica que acontecem na vida real em Macau. As três histórias de “Cheong-Sam: A Cabaia”, agora adaptadas, são apresentadas através da narração, revelando assim as obras de geração cruzada de Deolinda da Conceição e as circunstâncias da vida real que as mulheres enfrentam.

      Com a produção de Mandy Ip da Artistry of Wind Box Community Development Association, o espectáculo procurará ajudar a difundir a literatura e os autores locais, como é o caso da malograda Deolinda da Conceição, ao mesmo tempo que tem uma preocupação muito acentuada sobre a condição feminina. O teatro acontecerá de uma forma pouco usual, ou seja, fora de um palco formal. Devido a essa peculiaridade, e por causa da pandemia da Covid-19, cada apresentação terá cerca de 16 espectadores. “Estou ansiosa e nervosa com o espectáculo, naturalmente. Sou responsável por toda a produção e, por isso, nada pode faltar ou falhar”. Tenho confiança. Somos uma equipa muito unida e bastante profissional”, notou Mandy Ip ao nosso jornal.

      Fundada em 2013, a Artistry of Wind Box Community Development Association é um grupo artístico sem fins lucrativos que procura, acima de tudo, conforme referiu Mandy Chan, promover a cultura local.

      “Cheong-Sam – a Cabaia”, o único livro da jornalista e escritora Deolinda da Conceição, foi publicado pela primeira vez em Lisboa em 1956 pela Livraria Francisco Franco. Trata-se de um livro em língua portuguesa composto por 27 contos que relatam a condição feminina das mulheres em Macau e na China em meados do século passado.

      Em 1979, o Governo de Macau reeditou a obra. Em 1987, já numa nova edição da obra, pela mão de Yao Jing Ming, o livro foi traduzido pela primeira vez para chinês. Em 2007, o Instituto Internacional de Macau (IIM) reeditou a obra, numa edição comemorativa do cinquentenário da morte de Deolinda da Conceição, apresentada no III Encontro das Comunidades Macaenses.