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      Arte em pedras da calçada

       

      Foi inaugurada ontem, na galeria da Livraria Portuguesa, a exposição “Pequenos Mundos em Estado Sólido”, com obras de Cláudia Falcão, combinando pedras da calçada e fotografia. A mostra prolonga-se até ao dia 28 de Junho e está integrada no programa do “Junho, mês de Portugal na RAEM”.

       

      A Livraria Portuguesa inaugurou ontem uma colecção de trabalhos intitulada “Pequenos Mundos em Estado Sólido”, da autoria de Cláudia Falcão, uma exposição que está integrada no programa do “Junho, mês de Portugal na RAEM”.

      A especialista em conservação e restauro radicada em Macau há uma década aceitou o desafio da Casa de Portugal e recorreu à técnica de ‘decoupage’ para transferir fotografias para pedras da calçada portuguesa, originando pequenas obras de arte que se encontram agora espalhadas em exposição na Livraria Portuguesa.

      “O meu propósito era criar um objecto que tivesse um significado especial e um cariz cultural, e que pudesse representar Macau, mas que também tivesse algo de mim, da minha portugalidade. Já tinha uma espécie de diário visual, que acho que hoje em dia todos nós temos com as redes sociais, e já tinha muitas imagens de Macau. Mas não queria só fazer fotografia, queria criar um objecto, por isso aliei a fotografia à pedra”, começou por explicar ao PONTO FINAL.

      Desta forma, as pequenas pedras de calcário branco acabaram por se transformar numa espécie de tela, fazendo com que as fotografias ganhassem uma nova vida. Um “desafio”, como a própria descreveu, que permitiu à artista potenciar o seu olhar “atento ao detalhe” para criar as mais de 60 peças em exibição.

      Esta mostra nasce do Projecto Sølid, cuja primeira colecção é inteiramente dedicada a Macau. As obras contam não só com imagens de alguns monumentos de Macau, como as Ruínas de São Paulo ou o Templo de Kun Iam, como também pequenas coisas do dia a dia que chamaram a atenção da artista, como caixas de correio, portões ou azulejos. “Estou cá há 10 anos, mas todos os dias eu encontro coisas novas”, confessa. No entanto, Portugal também não foi esquecido, até pelo facto de a exposição estar inserida no “Junho, mês de Portugal na RAEM”, havendo imagens do Porto, Lisboa, Alentejo ou Tomar.

      O facto de Cláudia Falcão fazer parte da equipa da Livraria Portuguesa foi também um aliciante extra para a realização da exposição, como a própria explicou, algo que vai para além da “localização privilegiada” do espaço. “A livraria tem calçada [portuguesa] e as pessoas perguntam sobre a calçada e Portugal, e queria que esse objecto fosse um pretexto para uma conversa”, contou.

       

      PERFECCIONISTA A ABRAÇAR A IMPERFEIÇÃO

       

      Devido à sua formação como conservadora-restauradora, Cláudia Falcão descreve-se como uma perfeccionista, com um olhar atento ao detalhe. No entanto, os desafios deste projecto acabaram por fazer a artista alargar os seus horizontes nas artes plásticas. “Parte das imagens que estão enquadradas de uma maneira perfeita para uma imagem, quando transportadas para a pedra, acabam por abraçar essas imperfeiçoes que a pedra traz, no formato, nas texturas, às vezes até em pequenos danos que acontecem no processo técnico, que é um processo muito delicado”, frisou.

      Com o tempo, foi percebendo que deveria haver “compassos de espera” durante todo o processo, experimentando diversos materiais até aperfeiçoar a técnica. “Mais uma lição para a vida, não querer fazer tudo de seguida”, atirou a artista.

      Sobre o objectivo da exposição, Cláudia Falcão espera que os seus trabalhos “despertem algum tipo de emoção e de recordação nas pessoas que vêm visitar”.

      Cláudia Falcão é conservadora-restauradora de formação, com pós-graduações em Museologia e Museografia (FBAUL – Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa) e Conservação de Bens Culturais (Universidade do País Basco), com experiência de 15 anos na área, 11 dos quais como professora de Conservação e Restauro no ensino superior.

      A artista, que vive em Macau desde 2015, integrou a comissão de redacção da revista científica ‘Conservar Património’ e colaborou com o Centro de Tecnologia, Restauro e Valorização das Artes do Instituto Politécnico de Tomar – TECHN&ART entre 2015 e 2019.

      A exposição estará patente na Livraria Portuguesa até ao dia 28 de Junho.