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      Wondera Festival atraiu mais de quatro mil pessoas aos espaços das Oficinas Navais

      Playground para curar o corpo e o espírito. O primeiro grande festival que combina bem-estar e cultura em Macau, o Wondera Festival, encerrou a sua edição inaugural com um balanço “muito positivo”. Realizado nos dias 13 e 14 de Junho, nos antigos estaleiros navais da Barra, conhecidos como Oficinas Navais, o evento atraiu mais de 4 mil visitantes e contou com mais de 30 actividades entre oficinas, palestras e actuações. A iniciativa, coorganizada pela Oneness Space, CYCA Macao e Long Fung Drama Club, com o apoio da lululemon, superou as expectativas dos organizadores e cimentou o caminho para uma continuidade anual.

      As Oficinas Navais, um espaço outrora dedicado à construção e reparação de embarcações, transformaram-se durante dois dias num porto seguro para a alma. O Wondera Festival, que se realizou a 13 e 14 de Junho, trouxe ao bairro uma atmosfera de pausa e redescoberta, num formato inédito para a cidade. A adesão do público foi notória, segundo os organizadores, com mais de 4 mil pessoas a circularem pelo recinto, um número que surpreendeu a equipa responsável por dinamizar os vários espaços, especialmente num evento de estreia.

      O segundo dia do festival registou um aumento significativo de visitantes. Com o tempo mais estável, a presença subiu para 2.500 pessoas, comparativamente às 1.500 pessoas que visitaram o festival durante o dia de abertura. A programação multifacetada, que incluía desde sessões de som e banhos de tigelas tibetanas até escrita criativa, astrologia e dança havaiana, além da clássica prática de yoga e meditação, contribuiu para a alta adesão durante a tarde de domingo.

      Um dos momentos mais interessantes do festival foi a experiência da Sonic Tribe, que apresentou três experiências imersivas, denominadas respectivamente como Sonic Brew, A Zen of Tea & Sound e Sound & Sip. Estas sessões combinaram café, chá e saquê com sons de taças tibetanas, conduzindo os participantes numa exploração multissensorial do no que se pode explorar no bem-estar. As actividades decorreram num espaço de bambu desenhado pelo arquitecto João Ó, que já tinha sido utilizado no Barra Slow Festival. A estrutura, que incorpora técnicas em bambu classificadas como património cultural imaterial, tornou-se um espaço exterior exclusivo do bairro, proporcionando um cenário orgânico para as práticas de cura.

      Os organizadores manifestaram a intenção de continuar a programar eventos no bairro da Barra, aproveitando o seu carácter único. “Esperamos organizar eventos mais longos e mais diversificados no futuro — trazendo profissionais de bem-estar de diferentes lugares para se encontrarem e trocarem experiências no Wondera”, afirmou Kathine Cheung, representante da organização. O festival foi também uma montra do talento local e contou com a presença de 42 expositores, entre marcas independentes, artesãos, terapeutas e criativos, que ocuparam o chamado Healiverse Market.

      O Wondera Festival propôs-se a desmistificar a cultura do bem-estar, apresentando-a de forma acessível e aberta, como descrevem na sua nota oficial. A música experimental também marcou presença, com uma actuação do artista suíço Daniel Maszkowicz, convidado pela plataforma Guia Experimental. A equipa a cargo do evento acredita que a indústria criativa de Macau atingiu um patamar de maturidade que lhe permite atrair criadores internacionais, e que a cultura do bem-estar é uma das direcções mais promissoras.

      O festival surgiu da visão de quatro curadores com formações complementares, sendo eles Kathine Cheong, embaixadora da lululemon e fundadora da Oneness Space, que trouxe a sua experiência em bem-estar e curadoria artística. Day, instrutora de yoga, astróloga e tocadora de lira, contribuiu com a sua sensibilidade espiritual e artística. Omi Cheang, presidente do Long Fung Drama Club, assegurou a ligação às artes performativas. O último membro, Ebenezer Ho, realizador de cinema, supervisionou a vertente visual e narrativa do evento. Com o apoio da lululemon, que forneceu tapetes de yoga em todo o recinto, o festival procurou eliminar barreiras à participação.

      Kathine Cheong descreveu a visão por trás do evento em entrevista ao PONTO FINAL: “Desejo que o Wondera Festival seja um parque de diversões da cura, um espaço corajoso e de mente aberta onde as pessoas não se sintam pressionadas a ‘curar da maneira certa’. Pode ser o cruzamento onde o yoga, os banhos de som, o tarot, a arte floral, a corrida, o pão de fermentação lenta e a libertação emocional coexistem em igualdade. Quer seja um meditador experiente ou alguém que só quer deitar-se e ouvir música, o Wondera Festival permite que todos percebam que a cura pode ser lúdica, estética, crua, silenciosa, barulhenta ou até mesmo confusa, tudo ao mesmo tempo. Tal como o nosso slogan: ‘Everything is Healing’.”

      A escolha de datas, a coincidir com o Dia Global do Bem-Estar e o Dia Internacional do Yoga, não foi coincidência. Para a organização, estes marcos sublinham a necessidade de criar espaços de cuidado pessoal e colectivo num mundo cada vez mais exigente. O sucesso da primeira edição e a vontade dos organizadores em transformar o Wondera num evento anual sugerem que a Barra poderá ter encontrado uma nova vocação, um espaço de encontro para além da presença física.