Arranca esta madrugada o Mundial2026, que desta vez se realiza no México, Estados Unidos da América e Canadá. Ao longo de 39 dias, 48 selecções vão lutar para se sagrarem campeãs do mundo de futebol. Macau também vai estar a acompanhar o torneio e o PONTO FINAL foi tentar perceber quais as expectativas de adeptos portugueses, espanhóis, franceses, alemães, brasileiros, argentinos e ingleses.
Está a começar a maior competição do mundo de futebol ao nível de selecções. O pontapé de saída do Mundal2026 é esta madrugada, às 3h da manhã de sexta-feira (hora de Macau), com um México vs. África do Sul. Organizado em conjunto pelo México, Estados Unidos da América e Canadá, a competição vai prolongar-se ao longo de 39 dias, com 48 selecções e 104 jogos. Esta edição marca uma mudança no formato do torneio, uma vez que a FIFA decidiu abrir espaço a mais 16 países, em comparação com a edição de 2022.
Em Macau, o Mundial2026 também vai ser acompanhado, em especial pelos adeptos das principais selecções na competição. O PONTO FINAL foi medir o pulso às expectativas de adeptos portugueses, espanhóis, franceses, brasileiros, argentinos, ingleses e alemães. Entre as opiniões, há quem se mostre entusiasmado com a possibilidade de o novo formato da competição redundar em grandes surpresas em campo, mas há também muitos adeptos apreensivos com este mundial.
PORTUGUESES OPTIMISTAS Q.B.
José Cruz, mais conhecido em Macau como Dedé, acha que vai ser um Mundial “aborrecido e longo” devido à adição de mais selecções à competição. “Na realidade, a competição só começará a partir dos 16-avos, altura em que as equipas já deverão estar no seu melhor e mais compostas para os jogos”, comenta. Dedé, português que está em Macau desde o fim da década de 1980 e que já representou várias equipas do futebol local, diz que este formato alargado “só interessa à FIFA por questões económicas” e fará com que as pessoas não acompanhem a competição com a mesma atenção e interesse.
Ainda assim, Dedé destaca Portugal, Argentina, Espanha e Brasil como as favoritas a levantar a taça. “Para mim, Portugal acaba por estar em pé de igualdade com o Brasil para arrecadar o título. Portugal leva motivação, balneário, qualidade e estrutura. Ao Brasil acho que falta um bocado de humildade porque no resto está lá tudo”, vaticina, considerando também que França e Alemanha poderão ser as decepções.
Na selecção portuguesa, Dedé destaca Diogo Costa, “um guarda-redes sereno”, um “bom leque de defesas”, um “meio campo muito forte” com jogadores “que a selecção nunca teve a este nível” e destaque para Vitinha e João Neves, que “serão as revelações” deste Mundial, e um ataque “onde tudo pode acontecer e onde o Cristiano vai ter de fazer muito para, mais uma vez, mostrar o que é que ele é no futebol”.
O advogado Frederico Rato deixa os prognósticos para o fim do jogo, mas arrisca dizer que as favoritas são a Argentina, a defender o título de 2022, Espanha e França, “a quererem regressar às glórias”, Brasil, Colômbia e também a Inglaterra, “em jejum desde que o Eusébio chorou o 2-1 em Wembley”.
Sobre Portugal, Frederico Rato, em Macau há mais de quatro décadas, considera que os primeiros dois jogos, contra a República Democrática do Congo e o Uzbequistão, “parecem não apresentar grandes dificuldades”. “Mais interessante pode ser o Colômbia-Portugal”.
“Portugal, também candidato ao pódio, tem de ser sério na postura e voluntarioso nos embates”, comenta, acrescentando que a seleção das quinas “não pode andar p’ráli a empatar”. Rato define como pontos fortes a “experiência de Cristiano”, a “juventude madura do plantel” e “a exclusão de António Silva – chega de sustos”. Além disso, destaca “a genica dos três ‘ãos’: Trincão, Leão e Conceição”, que poderão dar “asas ao sortilégio do futebol”.
ESPANHA PODERÁ IR LONGE
Espanha, campeã do mundo em 2010 e que caiu nos oitavos-de-final na edição de 2022 contra Marrocos, poderá ir longe em 2026. A opinião foi partilhada por Óscar Guijarro, espanhol a viver em Macau há 13 anos: “Acredito que a Espanha seja uma equipa muito sólida nesta edição do Mundial. Devemos conseguir ir longe no torneio, desde que evitemos um daqueles dias maus inesperados que podem mudar tudo”.
Na opinião do jornalista do portal Inside Asian Gaming, Espanha tem como principal virtude o controlo da posse de bola. “Construímos o nosso jogo a partir desse controlo e depois aproveitamos a explosão de jogadores como Lamine Yamal e Nico Williams nas alas”, diz, acrescentando que “a qualidade de Rodri, Pedri e do restante meio-campo é também crucial para que a Espanha chegue às fases finais da prova”.
Ainda assim, o espanhol dá a Portugal o favoritismo à conquista do campeonato do mundo. A selecção portuguesa, tem “a melhor geração de jogadores da sua história”. A final de sonho de Guijarro será um Portugal vs. Espanha, “não há melhor equipa para perder do que Portugal”.
Sobre esta edição do Mundial da FIFA, Óscar Guijarro prevê “grandes surpresas”: “as equipas terão de se adaptar ao novo formato, e estas partidas extra poderão custar caro a algumas potências tradicionais”.
FRANCESES PEDEM ESPÍRITO DE EQUIPA
França, que em 2022 perdeu a final contra a Argentina, quer voltar a sagrar-se campeã do mundo, depois de ter vencido a competição em 1998 e em 2018. Bernard Peres, francês em Macau há 30 anos, diz que França, a par de Espanha, Argentina e Alemanha, “são sempre favoritos”. Além disso, Brasil, Holanda, Portugal e Bélgica, bem como Marrocos ou Senegal, são os “premium outsiders”.
O presidente da Alliance Française de Macau comenta que, “no papel”, a França tem uma “equipa muito boa, com muita qualidade individual”, no entanto, “a chave do sucesso é ter um bom espírito de equipa”. “Os jogos não se ganham apenas no campo, mas também no balneário e no hotel”, avisa o francês, vincando que o espírito de equipa “é o segredo”.
Do ponto de vista desportivo, Peres considera que este “será um torneio muito interessante (e longo)”. Por outro lado, “a situação actual nos EUA torna toda a competição um pouco estranha, com muitos adeptos impossibilitados de desfrutar da festa por causa do elevado custo, problemas com vistos, etc. É uma pena…”, termina.
Sébastien Mariojouls também acredita que este novo formato poderá trazer surpresas, uma vez que “será um Mundial muito aberto”. “Vejo uma forte probabilidade de uma selecção europeia levantar o troféu — como Inglaterra ou os Países Baixos, por exemplo. Nos últimos anos, tem-se visto que as grandes competições são muitas vezes decididas por detalhes, e isso favorece equipas menos pressionadas”, diz o português nascido em Macau de origem francesa. Na opinião do empreendedor e jogador de futebol actualmente no Gala FC, o lote de favoritos fica completo com Espanha, Portugal, Marrocos e a própria França.
No entender de Mariojouls, apesar de os franceses terem “o melhor plantel, no papel”, “isso nem sempre garante sucesso”. “Acredito que o factor decisivo será o mental e o espírito de equipa. Por isso, vejo a França a chegar longe, mas talvez a ficar pelos quartos-de-final ou meias-finais”, antecipa Sébastien Mariojouls.
BRASIL COM HIPÓTESES
O Brasil vai à procura do seu sexto título de campeão do mundo de futebol. Contudo, a canarinha não vence a competição desde 2002, na Coreia do Sul e Japão. Para William Gomes, a selecção brasileira é uma das favoritas, a par de França e de Portugal. “Vejo a selecção portuguesa chegando muito forte para disputar o título”, refere o jogador de futebol, assinalando: “O Brasil tem uma equipe forte que larga um pouco atrás comparado as selecções que mencionei, porém que tem tudo para crescer na competição”.
William Gomes, que chegou a Macau em 2010, considera que o ponto forte do Brasil é o seu novo seleccionador, o italiano Carlo Ancelotti, “um dos três técnicos mais preparados do mundo”. “Acredito muito que ele conseguirá fazer com que jogadores como Vini, Raphinha e até mesmo Neymar brilhem muito no Mundial”, antevê, destacando também a “defesa muito sólida” do “escrete”.
Júlio Jatobá, ex-guarda-redes com passagem pela Casa de Portugal em Macau, considera que o Brasil “é sempre um favorito”, mas “não tem, nem de longe, o melhor plantel”. “Para dificultar ainda mais, seus jogadores entrarão em campo carregando o imenso peso de representar o manto consagrado por deuses do Olimpo do futebol: Pelé, Garrincha, Rivellino, Tostão, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Cafu, Roberto Carlos… Com cinco estrelas no peito, essa comparação é inevitável”, diz, completando que “só daqui a alguns dias é que saberemos se o manto vai pesar ou inspirar”. Jatobá avisa também que “sempre que o Brasil entra desacreditado e sem o status de favorito, coisas boas costumam acontecer”.
Dentro do lote de favoritos, o brasileiro põe também a Argentina, França, Espanha e também Portugal, que “pode ser a grande surpresa, com boas chances de chegar à semifinal ou, quem sabe, a uma inédita final”.
No entanto, Júlio Jatobá confessa-se “desgostoso” com a organização deste Mundial, em particular com a parte norte-americana. “Não sou ingénuo a ponto de achar que outros países não tenham feito uso político da Copa para propaganda ou ‘soft power’. No entanto, é impossível ficar indiferente ao facto de que, pela primeira vez na chamada Copa Moderna, um país anfitrião está a dificultar, negar a entrada ou até deportar jogadores, delegações e árbitros que literalmente ganharam no campo o direito de estar nessa Copa. Sem contar as horas de detenção de jogadores nos controles de imigração para ‘further investigation’”, lamenta, criticando também a FIFA por ter atribuído a Donald Trump o “Prémio da paz” e também por ter banido a selecção da Rússia por ter iniciado a guerra na Ucrânia e não fazer o mesmo com a selecção dos EUA, “que também iniciaram conflitos armados”, nomeadamente no Irão.
CONFIANÇA ARGENTINA
Lionel Messi e companhia apresentam-se neste Mundial para revalidarem o título mundial para a Argentina. Os argentinos venceram em 2022 e também em 1978 e 1986.
Nahuel Blanco, argentino que está em Macau desde 2015, espera que o seu país tenha uma boa prestação nesta competição. “Temos uma geração jovem, muitos dos quais já venceram o último Campeonato do Mundo. O futebol é um desporto colectivo e penso que a Argentina joga muito bem, o que explica o resultado de 2022”, comenta.
Sobre a competição no cômputo geral, Nahuel Blanco diz que “é esperado que as grandes equipas cheguem longe”, porém, como a essência do desporto mudou e se tornou muito mais físico, com muitos jogadores de diferentes países a actuar em várias ligas importantes em todo o mundo, a competição tornou-se muito mais feroz”, ressalva o argentino.
INGLATERRA PODERÁ NÃO CORRESPONDER ÀS EXPECTATIVAS
Inglaterra tem um Campeonato do Mundo no seu currículo. Em 1966, em Wembley, os ingleses derrotaram a Alemanha Ocidental e conquistaram o seu único título até agora. Apesar de grande parte dos melhores jogadores actuarem no país e de a própria selecção inglesa ter sempre jogadores de renome, Inglaterra não corresponde às expectativas dos adeptos e é isso que Keith Lawson lembra: “A Inglaterra tem um historial de não corresponder às expectativas. Não me surpreenderia vê-los chegar aos quartos-de-final ou às meias-finais”, uma vez que, “para chegarem à final precisarão de se entrosar como equipa, o que, apesar de terem jogadores de classe mundial, depende muito do treinador e da mentalidade dos jogadores”. O seleccionador é, recorde-se, o alemão Thomas Tuchel, que substituiu Gareth Southgate.
Sobre a competição no geral, o inglês a viver há vários anos em Macau considera que “este será o Mundial mais politizado da história”. “Não me surpreenderia se houvesse muitos estádios meio vazios devido aos preços dos bilhetes, à logística dos recintos e ao boicote aos EUA em geral”, antecipa.
O inglês acredita que será uma selecção europeia a ganhar o Mundial2026, porque “os campeonatos nacionais são os mais competitivos e é aí que está o dinheiro”. “Espanha, Portugal e Inglaterra têm bons jogadores”, mas “a questão é se conseguirão funcionar como equipa”, diz, assinalando que gostava que o Brasil tivesse uma boa prestação “simplesmente porque é o Brasil e costumam jogar um futebol muito atractivo”.
ALEMÃES ESPERAM “MANNSCHAFTSGEIST”
A Alemanha viaja para o continente americano para tentar conquistar o seu quinto título mundial, depois de 1954, 1974, 1990 e 2014. Harald Brüning espera então que a sua selecção alcance o Brasil no número de campeonatos do mundo. O director do Macau Post Daily assinala, porém, que o futebol “é uma combinação de habilidade e, sejamos sinceros, uma boa dose de sorte”. E “é por isso que gosto de ver os jogos do Campeonato do Mundo”. O alemão, em Macau há cerca de 40 anos, não está preocupado e diz que, “se a Alemanha não voltar a ganhar desta vez (haverá uma próxima vez), então espero que Portugal seja finalmente campeão”.
Por sua vez, Gerhardt Heinz-Peter considera que o desempenho da selecção alemã “dependerá em grande parte do espírito de grupo, do treinador, dos jogadores e da capacidade da equipa médica para evoluir durante o torneio”.
“Neste sentido, falamos muito do ‘Mannschaftsgeist’, que é mais do que espírito de grupo. Só poderá desenvolver-se se os grandes egos destes jogadores bem pagos recuarem em prol do objectivo comum de conquistar o Campeonato do Mundo”, aponta o alemão.
Para o investigador, a França é a equipa com mais probabilidades de ganhar a competição, logo seguida da Espanha. “A campeã europeia, Espanha, e a vice-campeã do mundo, França, têm grandes probabilidades de vencer. A Espanha venceu todos os seus jogos de qualificação e a França tem o plantel mais alargado, o que significa que qualquer jogador poderia ser titular”, o que “pode fazer a diferença neste torneio de seis semanas”. Por outro lado, “o Brasil surpreende sempre por causa do desempenho individual de alguns dos seus jogadores, como Neymar, o mesmo se passa com o argentino Messi”. Ainda assim, Gerhardt Heinz-Peter espera ver a sua Alemanha a intrometer-se na luta pela taça.











