Palestina II – Terra de Alguém

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No dia 7 de Outubro de 2023, há já quase dois anos, o Hamas, considerado no Ocidente como uma organização terrorista, em coordenação com outros grupos palestinianos insurgentes realizou uma incursão em “território israelita” nas imediações da Faixa de Gaza da qual resultaram mais de mil israelitas mortos e cerca de 240 pessoas foram feitas reféns e levadas para Gaza. Este ataque, classificado imediatamente como terrorista por mais de quarenta países, perpetrado por cerca de 6.000 palestinianos e acompanhado de uma descarga de mais de 4.000 foguetes sobre Israel, foi o ataque mais mortífero que Israel sofreu desde a sua fundação em 1948.

No dia seguinte, Israel declarou o estado de guerra, algo que já não acontecia desde 1973, quando também então Israel foi atacado de surpresa, o que desencadeou a guerra do Yom Kippur.

Esta incursão palestiniana em território dito israelita causou espanto e surpresa, pois não passaria pela cabeça de ninguém que o Hamas tivesse capacidade de levar a cabo uma tal empresa, uma vez que a faixa de Gaza se encontrava completamente isolada do mundo desde Junho de 2007, altura em que o mesmo Hamas tomou conta do governo do enclave palestiniano de Gaza e Israel, como retaliação, isolou completamente o território. Desde então Gaza é descrita por muitas organizações humanitárias internacionais como uma open-air-prison, ou seja, uma prisão a céu aberto, em que ninguém pode entrar ou sair sem autorização de Israel, que construiu um muro a toda a volta do território e bloqueia o seu espaço marítimo e aéreo. Aliás, já em 2001, como forma de punição pela segunda intifada, o Aeroporto Internacional de Gaza –rebaptizado Aeroporto Internacional Yasser Arafat–, inaugurado em 1998 e construído com dinheiros europeus, nove milhões e meio de Euros doados pela Alemanha, Espanha e Suécia, foi completamente destruído deixando os habitantes de Gaza isolados e incapacitados de sair do território ou receber auxílio directo por via aérea.

A resposta de Israel aos ataques de 7 de Outubro de 2023 foi imediata e brutal. O alvo do exército israelita foi, como de costume, a população civil. Sob o pretexto de que os insurgentes se camuflam entre os civis, os israelitas fizeram a população civil de Gaza sentir todo o seu poder militar. As Forças de Defesa Israelitas (IDF) lançaram ataques aéreos massivos sobre Gaza seguidos de uma invasão sem precedentes por terra. A faixa de Gaza ficou completamente destruída por via de ataques aéreos que transformaram os edifícios onde a população civil habitava em colinas de betão destroçado e ferros retorcidos. As forças militares que entraram em Gaza com tanques e carros armados foram destruindo o pouco que restava em pé.

Ao longo dos anos, Israel desenvolveu uma política de intolerância total à reclamação. De acordo com esta atitude dos israelitas, os palestinianos têm de comer e calar. Sob uma ocupação sufocante, para usar as palavras de António Guterres, que lhes nega os direitos humanos mais básicos, os palestinianos não têm sequer o direito de se queixar, qualquer queixa é respondida de imediato com retaliações à população civil. Por exemplo, na Cisjordânia, os colonos judeus podem atirar a matar a palestinianos sem que nada lhes aconteça, e se a família do palestiniano morto por colonos judeus se queixar aos tribunais, os seus membros acabam presos por insurgência. Não admira que num tal cenário este ataque sem precedentes por parte do Hamas tenha merecido uma resposta tão excessiva como a que ainda hoje assistimos por parte do Estado israelita.

O ataque sobre civis inocentes, na sua maior parte mulheres, crianças, mulheres grávidas, idosos e pessoas diminuídas, foi acompanhado por algo absolutamente inacreditável. Os soldados israelitas que invadiram a Faixa de Gaza começaram a publicar nas suas redes sociais imagens, vídeos e memes onde gozavam com a situação dos palestinianos, fazendo-se filmar ao lado de casas destruídas e, às vezes, mesmo ao lado de cadáveres de palestinianos que estes haviam acabado de matar.

Uma das coisas que mais chamou à atenção foi a linguagem usada nestes vídeos em que soldados israelitas se referiam aos palestinianos como sub-humanos, a mesma coisa que os Nazis diziam acerca dos judeus, argumento, aliás, que foi usado para justificar as leis raciais de Nuremberga pelas quais cidadãos da Alemanha que tivessem uma determinada percentagem de sangue judeu não poderiam ser considerados alemães, e podendo, desta forma, acabar em campos de concentração.

Embora em contextos completamente diferentes desde qualquer perspectiva, excepto do ponto de vista Humano, a atitude dos soldados israelitas que pousavam para fotografias e vídeos ao lado dos corpos das suas vítimas difere bastante da dos soldados Nazis –esses monstros– muitos do quais se suicidaram após terem sido obrigados a participar na matança colectiva de judeus. Na verdade, enquanto os soldados israelitas publicavam com orgulho nas suas redes sociais o que faziam aos palestinianos, os Nazis tentaram esconder do mundo a todo o custo as muitas atrocidades que cometiam contra os judeus. Por isso mesmo os campos de extermínio estavam todos localizados nas franjas mais remotas do Reich.

A criação destes campos de extermínio, tais como Treblinka, Sorbibor ou o infame Auschwitz-Zwei, mais conhecido como Auschwitz-Birkenau, foi, em parte, uma resposta que Himmler teve de dar a um problema que os generais alemães lhe trouxeram. Na primeira parte da guerra, os judeus eram mortos a tiro por soldados do exército alemão em valas cavadas nos bosques e florestas. Isso trazia graves problemas de saúde mental a muitos dos soldados que participavam nestas matanças, muitos dos quais acabavam por se suicidar, outros fugiam e ao serem apanhados tinham de ser fuzilados por deserção, enquanto que outros tentavam encontrar paz de espírito no fundo da garrafa. Os generais fizeram saber a Himmler que isso estava a destruir a moral dos soldados e que nenhuma guerra poderia ser ganha com soldados desmoralizados. Um outro problema era que estes soldados depois contavam cá fora as barbaridades praticadas às escondidas. Daí a necessidade de criar uma forma de extermínio mais eficaz e com menos participação dos alemães. Assim foram criados os campos de extermínio (Vernichtungslager), que são muitas vezes confundidos com os campos de concentração (Konzentrationslager). Nos campos de extermínio, embora estes forem dirigidos por alemães das SS, a limpeza das câmaras de gás e a cremação dos corpos estava a cargo dos Sonderkommandos, que eram operários judeus dos campos de extermínio.

A desproporcional resposta militar israelita lançada, não directamente sobre o Hamas, mas sim sobre a população civil de Gaza, a par dos vídeos e memes que os soldados israelitas publicavam nas redes sociais, causou nojo e estupor às pessoas que assistiam em directo pela televisão como os palestinianos eram chacinados indiscriminadamente numa operação militar que não se parecia a nada mais do que a uma tentativa de vingança de um Estado armado sobre uma população indefesa. A reacção do mundo, como de costume, foi classificada de antissemitismo pelas autoridades israelitas que continuaram impávidas a sua matança de civis inocentes em Gaza. Os israelitas chegaram mesmo a acusar os Estados que mostravam preocupação pelo que estava a acontecer em Gaza como estando ao lado dos terroristas do Hamas.

Perante a brutalidade dos ataques e a completa ineficácia de qualquer tentativa por parte da comunidade internacional de pôr termo a esta situação, o secretário geral da ONU, António Guterres, antigo primeiro-ministro de Portugal, ousou dizer que os ataques do Hamas ‘did not happen in a vacuum’, lembrando que ‘o povo palestiniano tem sido sujeito a 56 anos de uma ocupação sufocante’. Guterres foi mais longe ao afirmar que embora ‘as queixas do povo palestiniano não possam servir de justificação para os terríveis ataques do Hamas, esses terríveis ataques do Hamas não podem servir de justificação para o terrível castigo colectivo do povo palestiniano’. É claro, como de hábito, os israelitas se ofenderam e exigiram a demissão do secretário geral das Nações Unidas.

Embora António Guterres tenha descrito a ocupação sufocante dos palestinianos como tendo durado 56 anos, a verdade é que o calvário desta gente começou quando os judeus decidiram ocupar a terra que não lhes pertencia, ajudados pelos ingleses que nunca perderam o seu hábito colonialista de dispor da terra que não lhes pertence.

Quando os judeus começaram a chegar à Palestina, nos finais do século XIX, a Palestina não era terra de ninguém, os seus habitantes tinham vivido ali por mais de dois milénios. Como veremos, os palestinianos de hoje são os descendentes directos dos povos que habitavam a Palestina desde o terceiro milénio antes de Cristo.

 

O Xadrez Político do Colonialismo Britânico

Tudo isto começa nos finais do século XIX quando, animados pela ideologia sionista, começaram a chegar à Palestina vagas sucessivas de judeus oriundos de diferentes partes do mundo ocidental com o objectivo de se fixarem no território, então parte do império otomano.

Estas vagas de emigração são conhecidas como ʿaliyâ. Consideram-se três grandes movimentos migratórios de judeus para a Palestina; o primeiro, entre 1882 e 1903, estabeleceu os primeiros colonatos judeus. A segunda ʿaliyâ decorre entre 1904 e 1914, ano do início da Primeira Guerra Mundial e a terceira e mais importante decorre entre 1920 e 1948, ano da declaração unilateral de independência do Estado moderno de Israel.

Até 1948, a Palestina foi habitada quase exclusivamente por muçulmanos desde que, em 634, após a derrota dos bizantinos na batalha de Ajenadaim, esta região foi conquistada pelos árabes. Três anos mais tarde, em 637, a cidade de Jerusalém viria a cair sob o domínio islâmico.

Antes da conquista pelos muçulmanos, a Palestina era parte do império romano do Oriente, também conhecido como império bizantino. Desde a conquista em 634 até 1920, a Palestina esteve sempre sob domínio muçulmano, excepto de 1099 a 1187, período em que os cruzados conseguiram conquistar Jerusalém aos mouros e estabelecer o Reino Cristão de Jerusalém.

De volta ao domínio muçulmano em 1187 pela mão de Saladino, que inaugura o período e a dinastia aiúbida, a Palestina foi conquistada pelos turcos em 1516 e passou a ser mais um território do vasto império otomano.

Na Primeira Guerra Mundial, os turcos otomanos lutaram do lado errado e saíram derrotados. Assim, desde 1916, mas sobretudo desde a capitulação da Turquia, as populações árabes, que durante séculos estiveram sob o jugo tirânico dos turcos, começaram a rebelar-se. Esta rebelião árabe era auxiliada material e intelectualmente pelos ingleses e pelos franceses que tinham interesses territoriais na zona.

No fim da guerra, a Síria, que na altura englobava os territórios hoje conhecidos como Síria, Líbano, Jordânia e Palestina foi dividida em dois protectorados, um a norte, composto pela Síria e pelo Líbano entregue aos franceses, e a Palestina e a então Transjordânia, hoje Jordânia, faziam parte do protectorado britânico, que durou de 1920 até 1946. Oficialmente a Inglaterra somente obteve o protectorado da Liga da Nações em 1922, mas já desde muito antes os ingleses apoiavam a revolta árabe contra os turcos, na esperança de obter territórios na região para anexar ao seu império.

Em 1917, o Reino Unido decidiu apoiar a criação de um Estado judeu na Palestina o que ficou formalizado na agora conhecida como Declaração de Balfour, uma carta de Arthur Balfour, ministro dos negócios estrangeiros da Grã-Bretanha, dirigida ao líder sionista Lord Rothschild, em 2 de Novembro de 1917.

A decisão de apoiar a criação de um ‘lar nacional para o povo judeu’, como diz Arthur Balfour na sua missiva, não se tratava de nada mais do que uma operação de cinismo político com vista a destabilizar a região de forma a criar as condições necessárias para que os ingleses pudessem satisfazer os seus interesses coloniais, já que a Palestina era uma região estratégica entre o Egipto, com o seu Canal de Suez, e a Mesopotâmia, ambos sob influência britânica. Aliás, a criação do Estado do Iraque e o estabelecimento deste como uma monarquia, até à sua queda em 1958, não era mais do que a tentativa de controle dos recursos petrolíferos que abundavam na região. Na verdade, os dois reis que o Iraque teve não eram mais do que marionetes nas mãos dos ingleses.

Tudo isto é hoje do conhecimento geral porque, entretanto, o acordo secreto de Sykes-Picot, de 1916, entre a Inglaterra e a França, para dividir o Oriente Médio entre si após a Primeira Guerra Mundial deixou de ser segredo.

Para além disso, a correspondência trocada nos anos cruciais de 1915 e 1916 entre Sharif Hussein ibn Ali, líder árabe e guardião dos lugares santos de Meca, e Sir Henry McMahon, o alto comissário britânico no Egipto durante a Primeira Guerra, demonstram como os ingleses estavam a fazer jogo duplo. Ao mesmo tempo que prometiam ajudar os árabes para que estes se pudessem independentizar dos turcos, aquilo que os ingleses esperavam é que a revolta contra os otomanos levasse o Médio Oriente ao caos completo, caos esse para o qual a Inglaterra, e possivelmente também a França, seriam a melhor solução.

O apoio aos judeus, também secreto a princípio, ia contra as promessas feitas aos árabes, mas também este tinha o objectivo de destabilizar a região durante e depois da guerra. Para além do mais, o poder económico dos judeus e a influência que questes tinham na classe política estado-unidense era também um dos motivos que levava os ingleses a prometer-lhes uma pátria na Palestina.

A Palestina tem sido desde a Primeira Guerra Mundial nada mais do que um tabuleiro de xadrez político-económico. Neste jogo de gatos e ratos, em nenhum momento se teve em conta os interesses das populações locais. A situação dos palestinianos hoje é ainda uma consequência do colonialismo britânico desenfreado que, por exemplo, no Norte de África desenhou fronteiras com régua e esquadro sem ter em conta o que isso representaria para as populações autóctones que passariam a ficar divididas pelas linhas que os ingleses desenhavam nas bibliotecas das suas casas de campo.

 

As Guerras que Criaram Israel

A primeira guerra em quà medie Israel se viu envolvido foi a chamada guerra da independência. Após o fim do protectorado britânico da Palestina, as Nações Unidas propuseram a partilha do território palestiniano entre judeus e árabes com base na distribuição populacional das duas comunidades. Os judeus aceitaram, mas os países árabes rejeitaram a proposta alegando que aquela terra pertencia aos árabes que durante séculos viveram ali.

Como não se chegava a acordo, Israel decretou a sua independência unilateralmente em 14 de Maio de 1948. No dia seguinte, uma coligação de países árabes formada pelo Egipto, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque declarou guerra ao recém-nascido Estado de Israel. A guerra da independência, também chamada de guerra israelo-árabe termina oficialmente em 20 de Julho de 1949, quando a Síria, aliás o último país da coligação árabe a fazê-lo, assina o armistício com Israel.

Como resultado desta primeira guerra, Israel aumentou o seu território e os primeiros 750 mil palestinianos foram deslocados das suas terras e transferidos para campos de refugiados na Jordânia e no Líbano onde ainda hoje os seus descendentes (sobre)vivem.

Em 1956, Israel atacou juntamente com o Reino Unido e a França o Egipto de Nasser após este ter nacionalizado o Canal do Suez, até então controlado pelos britânicos e pelos franceses. Israel invadiu então a península do Sinai onde se enfrentou a militantes palestinianos. A crise do Suez, como ficou conhecida, foi uma ideia mal concebida pelo primeiro-ministro britânico, Anthony Eden, e que no final o levaria a pedir demissão do cargo em 1957.

Os egípcios foram capazes de resistir aos ataques dos ingleses e, no final, sob pressão dos Estados Unidos e da União Soviética, os ingleses e franceses tiveram de se retirar do Egipto e Israel teve de abandonar a península do Sinai. Foi aqui que se começou a vislumbrar quão dependente do beneplácito dos Estados Unidos Israel é, pois os israelitas não queriam abandonar o Sinai.

A tensão na região continuou a aumentar e em 1967, o Egipto e a Síria mobilizaram as suas tropas nas fronteiras com Israel. Esta manobra poderia ser apenas mais uma forma de assédio, mas Israel decidiu atacar preventivamente ambos os países e a Jordânia em Junho de 1967. A guerra que durou apenas seis dias teve como consequência a invasão da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que na altura estavam sob administração jordana, a Faixa de Gaza, ocupando assim todo o território da Palestina que de 1920 até 1946 esteve sob o protectorado britânico e que deveria ser dividido entre judeus e árabes. É aqui que começa a situação em que nos encontramos hoje. Israel ocupou todos os territórios palestinianos que estavam sob administração jordana e egípcia.

Após a guerra da independência em 1948, quando Israel ocupou uma parte significativa do território que as Nações Unidas atribuíram aos árabes, o Egipto tomou conta da faixa de Gaza e a Cisjordânia foi ocupada pela Jordânia que acabou por anexar estes territórios em 1950. Para além de Gaza e da Cisjordânia, em 1967, Israel ocupou toda a península do Sinai e os montes Golã da Síria, fonte hídrica estratégica para os interesses territoriais dos judeus.

A guerra dos seis dias que Israel lançou contra os seus vizinhos alterou completamente o equilíbrio de forças na região e as consequências fazem-se sentir até hoje, como recentemente tivemos a oportunidade de constatar nos ataques unilaterais e sem motivo aparente contra o Irão. Os demais países da região não puderam fazer absolutamente nada.

Em 1973 Israel foi atacado pela última vez. O Egipto e a Síria, na tentativa de recuperar os territórios que Israel ocupara na guerra de 67, atacaram o Estado judeu de surpresa durante o feriado religioso do Yom Kippur, esperando apanhar os israelitas desprevenidos. Ainda assim, Israel conseguiu se defender e esta guerra acabou num impasse militar pois os ganhos territoriais que a Síria e o Egipto conseguiram a princípio foram depois perdidos à medida que Israel foi-se defendendo.

Esta derrota levou ao Acordo de Camp David, em 1978, pelo qual Israel devolveria a península do Sinai em troca do reconhecimento por parte do Egipto do Estado de Israel.

Em 1982, Israel atacou o Líbano e ocupou parte do seu território até ao ano 2000, voltando a atacar ferozmente o sul deste país, onde as antiquíssimas cidades de Tiro e Sídon, entre outras, foram completamente destruídas com a consequente perda de milhares de vidas entre a população civil.

Aquilo a que nós hoje assistimos com horror, não é afinal de contas nada de novo, trata-se apenas de mais um capítulo da história sanguinária de Israel, um Estado que nem um século de existência tem.