Coutinho baixa a fasquia e admite só eleger um deputado

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

José Pereira Coutinho formalizou ontem a candidatura da lista “Nova Esperança” às eleições legislativas da RAEM, que se realizam no dia 14 de Setembro. Sem revelar se será Rita Santos ou ele próprio a encabeçar a lista, Coutinho afirmou que não será fácil eleger dois deputados.

 

Pereira Coutinho apresentou ontem à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) a comissão de candidatura ao acto eleitoral de 14 de Setembro por parte da lista “Nova Esperança”, que contou com 500 assinaturas – o limite mínimo era 300.

Na formalização da candidatura às próximas eleições, Coutinho disse aos jornalistas que não seria fácil a lista conseguir eleger dois mandatos, como aconteceu em 2021 com a eleição do próprio presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) e de Che Sai Wang.

“É difícil [eleger um segundo candidato] porque vai haver mais listas e as listas são fortes; as listas tradicionais têm um peso muito importante porque eles têm uma grande capacidade financeira”, afirmou, acrescentando que “o objectivo é ter uma voz na Assembleia Legislativa, esse seria um resultado muito satisfatório”.

Rita Santos fará parte da lista, mas Coutinho ainda não quis anunciar qual dos dois será o cabeça-de-lista. “Estamos ainda a ultimar o encadeamento da lista”, disse.  Recorde-se que a ATFPM anunciou, em Agosto do ano passado, que Rita Santos faria parte das listas, não indicando em que posição. Em Outubro, Rita Santos suspendeu o seu mandato enquanto conselheira das comunidades portuguesas, sob a justificação de que estava já a preparar as eleições legislativas.

Coutinho queixou-se ainda de “concorrência desleal” por parte das outras listas no processo de angariação de assinaturas para a constituição da comissão de candidatura. Segundo o presidente da ATFPM, alguns idosos terão sido induzidos em erro por outras associações quando pretendiam renovar o Macau Pass para poderem beneficiar do plano de estímulo ao consumo, assinando inadvertidamente a comissão de candidatura de outras listas. “Muitos dos nossos amigos e associados, por desconhecimento e pensando que estavam a assinar um documento para formalidades para troca dos cartões, assinaram outras listas. Aqueles que há quatro anos assinaram a nossa lista já tinham assinado por outra lista”, lamentou.

“Estas eleições devem ser mais limpas, mais íntegras, e que não haja tanta comezaina, presentes e carruagens para levar as pessoas para irem votar”, salientou, instando as autoridades a estarem atentas a estas situações.

Estas vão ser as primeiras eleições legislativas após a revisão da lei eleitoral para a Assembleia Legislativa, que prevê o afastamento de candidatos considerados pelas autoridades como sendo insuficientemente “patriotas”, sem direito a recurso. Questionado sobre se teme que algum elemento da sua lista venha a ser desqualificado pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado, Coutinho afirmou que “o facto de ser crítico não significa que não seja patriota”.