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      InícioCulturaTaipa Village Art Space recebe instalação artística inovadora de Elizabeth Briel

      Taipa Village Art Space recebe instalação artística inovadora de Elizabeth Briel

       Ganga reciclada transformada em azulejos azuis e brancos, simbolizando as transmissões culturais entre o Ocidente e o Oriente. É esta a proposta da nova exposição da Taipa Villa Cultural Association, que estará patente desde 3 de Dezembro até 4 de Fevereiro no Taipa Village Art Space. A artista Elizabeth Briel explica que, mais do que uma celebração da arte em papel, o projecto representa também uma viagem entre diferentes culturas e civilizações – e a história milenar que as une.

      A cerimónia de abertura da nova exposição da Taipa Village Cultural Association, “Waves of Influence: Foreign Materialities by Elizabeth Briel”, vai decorrer entre as 17h30 e as 19h do dia 3 de Dezembro na nova sede da Taipa Village Art Space, na Rua dos Mercadores. A mostra estará acessível ao público até 4 de Fevereiro do próximo ano, com entrada gratuita.

      A última exposição artística acolhida pelo colectivo este ano é, também, uma das mais irreverentes, interligando aspectos de diferentes artes como a arquitectura, o design e a arte contemporânea. Da mesma forma – e tal como é habitual nas obras de Elizabeth Briel – também as “ondas de influência” vêm de diferentes oceanos, traçando uma linha de conexão entre vários pontos do globo. É disto exemplo uma exposição anterior da artista, “Impressions: What Lies Beneath Paris & Hong Kong”, desenvolvida na cidade de Cantão e já apresentada ao público de Macau.

      Neste projecto mais recente, a instalação artística consiste na transformação de peças de ganga e de camisas recicladas para uma parede de azulejos azuis e brancos, naquilo que a organização descreve como “uma celebração da excelência da arte em papel” e uma meditação sobre os contactos culturais e artísticos entre diferentes civilizações ao longo do último milénio.

      “‘Waves of Influence’ teve origem nas horas que passei a trabalhar na minha mesa de estúdio em Macau, embutida em porcelana chinesa azul e branca pintada à mão, criada para o mercado de exportação e trazida pelos americanos pela Hong Kong”, revela Elizabeth Briel, num ‘statement’ divulgado na página oficial da Taipa Village. “Tracei os desenhos intricados da porcelana, lembrando-me dos azulejos portugueses de cobalto nos espaços públicos de Macau e das formas como esta forma de arte ligou culturas díspares da China ao Ocidente”.

      Os azulejos, tal como o papel e a ganga, circularam pelo mundo ao longo de séculos “através da migração e do comércio, do poder e do conflito, transformados por pessoas de todos os níveis da sociedade à medida que incorporavam estes objectos nas suas vidas”. Segundo as declarações da artista, o que mais a fascinou nesta exploração foram “as transmissões culturais entre os impérios chineses, os califados mediterrânicos e as potências da união ibérica, que catalisaram as artes do papel e da porcelana azul e branca durante o último milénio”.

      O estudo da artista levou-a, muito literalmente, a percorrer o mundo. Em Macau, começou por examinar os temas e origens dos azulejos colocados em estruturas municipais, procurando reproduzi-los através de “papel denim” feito a partir de calças de ganga azuis – o “uniforme americano” por excelência. O exercício aguçou a sua curiosidade em “compreender as decisões” por trás de cada pincelada, o que a impulsionou a viajar por Portugal e pela China “para experimentar as sensações do pintor e imprimir esmaltes directamente do pincel”.

      “No final, um projecto que surgiu pelo fascínio da materialidade dos impérios tornou-se uma forma de traçar uma viagem pessoal do Ocidente à Ásia e de volta – gravando papéis com baús de madeira esculpidos de Guangdong usados para transportar uma vida através dos mares, plantas como dispositivos retóricos usados para descrever os imigrantes como espécies invasoras, detalhes arquitectónicos da vida num continente transpostos para outro”, reflecte.

      Elizabeth Briel é uma artista nascida na Califórnia que, actualmente, cria a sua arte entre Paris e o continente asiático. As instalações que apresenta ao público relacionam-se primariamente com o papel e a forma como este se enquadra no ambiente geográfico, histórico e cultural que o circunda. A sua mais recente mostra, “Waves of Influence: Foreign Materialities by Elizabeth Briel”, conta com a curadoria do espaço cultural Impromptu Projects.