Kim Jong-un destaca como “essencial” prossecução do programa nuclear norte-coreano

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O líder norte-coreano, Kim Jong-un, insistiu sexta-feira na necessidade de desenvolver forças nucleares, destacando como “essencial” e “de máxima prioridade” o constante aprontamento de todos os preparativos para levar a cabo um eventual contra-ataque nuclear.

“A poderosa força dissuasora, ou seja, a lógica da manutenção da paz e da segurança através da força, com as forças nucleares como espinha dorsal, é a postura inalterável da Républica Popular Democrática da Coreia (RPDC, Coreia do Norte)”, afirmou o líder, citado pela agência de notícias oficial norte-coreana, KCNA.

Na mesma linha, Kim não só apresentou a postura de Pyongyang como “inabalável”, como a defendeu como “a opção mais acertada para o presente e o futuro” do país.

O líder norte-coreano também destacou a importância de “fortalecer e modernizar constantemente” a capacidade nuclear para contar com um “escudo” que permita uma defesa “confiável” da “soberania nacional, dos interesses e do direito ao desenvolvimento” do Estado.

Para esse fim, afirmou que tanto o partido no poder quanto o Governo “darão máxima prioridade a fornecer e apoiar todas as possibilidades e condições ao campo da tecnologia nuclear para um desenvolvimento sustentável”.

O discurso de Kim perante a comunidade de cientistas e técnicos nucleares norte-coreano surge depois do Presidente da vizinha Coreia do Sul, Lee Jae Myung, ter dito esta sexta-feira que o programa militar nuclear da Coreia do Norte está “muito avançado”, que o país dispõe “de armas suficientes para defender o regime” e que poderá agora concentrar-se no aumento das exportações de armas.

Nesse sentido, Lee apontou que Pyongyang já possui mísseis balísticos intercontinentais de grande capacidade, que poderão atingir o território dos Estados Unidos, e alertou que, se não for submetida a controlo, pode fabricar quase uma vintena de bombas nucleares por ano, prevendo-se que disponha de 2 toneladas de urânio altamente enriquecido, suficiente para construir uma centena de ogivas nucleares.

Seul dispara tiros de aviso a navio norte-coreano na fronteira marítima

O Exército sul-coreano disparou tiros de aviso na sexta-feira quando um navio mercante norte-coreano atravessou a fronteira marítima entre os países, mas posteriormente a embarcação recuou para norte, declararam as autoridades da Coreia do Sul.

 “Hoje, por volta das 05:00, hora local de sexta-feira, nas águas a noroeste da ilha de Baengnyeong, um navio mercante norte-coreano atravessou a Linha de Limite Norte (LNL) e as nossas forças emitiram mensagens de alerta e dispararam tiros de aviso. O navio deixou posteriormente a nossa jurisdição”, afirmou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS) em um comunicado.

Este é o primeiro incidente do género em quase três anos das frágeis relações entre Seul e Pyongyang, depois da recusa da Coreia do Norte em dialogar com os sul-coreanos e das suas constantes críticas a Seul. O Exército sul-coreano afirmou que agiu de acordo com os seus protocolos e continua totalmente preparado para responder “firmemente a qualquer situação”.

Segundo fontes do JCS, citadas pela agência de notícias local Yonhap, tratava-se de um cargueiro Toksong, com 140 metros de comprimento, que permaneceu em águas sul-coreanas durante quase uma hora.

As autoridades sul-coreanas acrescentaram que a intrusão provavelmente não foi intencional e acreditam que o navio mudou de rumo para evitar as embarcações de pesca chinesas.

A última vez que um navio mercante invadiu a Coreia do Sul foi em outubro de 2022, quando o navio também regressou ao norte depois de os sul-coreanos terem disparado tiros de aviso. Pyongyang acredita que a NLL deve ser direccionada mais para sul. Lusa