Investigação acusa ex-Presidente sul-coreano de plano para impor lei marcial

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O ex-Presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol planeou declarar a lei marcial para eliminar rivais políticos, concluíram ontem investigadores, que acusam antigos chefes militares por tentar escalar tensões com a Coreia do Norte. O procurador-especial sul-coreano Cho Eun-suk apresentou as conclusões de uma investigação de seis meses, afirmando que Yoon e os seus aliados tentavam impôr a lei marcial desde antes de outubro de 2023, substituindo militares de topo por figuras leais e afastando um ministro da Defesa que se opunha a esta operação. Segundo Cho, Yoon, o então ministro da Defesa Kim Yong Hyun e o ex-chefe da contra-espionagem militar Yeo In-hyung ordenaram várias operações contra a Coreia do Norte a partir de outubro de 2024, numa tentativa de provocar incidentes que justificassem a implementação do regime militar. Face à ausência de ameaças credíveis, Yoon rotulou o Parlamento “força anti-estatal” e decretou a lei marcial a 03 de dezembro de 2024. O decreto durou apenas algumas horas, durante as quais centenas de soldados cercaram o Parlamento, mas também quando milhares de manifestantes se reuniram no exterior e os deputados votaram rapidamente contra a medida, desencadeando o processo que levaria à destituição de Yoon, em abril do ano.

Yoon – actualmente detido e a aguardar julgamento por acusações de rebelião de alto risco – alega que actuou para desbloquear a sua agenda política perante a oposição liberal. Contudo, a acusação considera que o objetivo central era “monopolizar e manter o poder”, controlando os ramos legislativo e judicial e eliminando adversários. O procurador citou ainda declarações de Yoon em reuniões com generais, nas quais terá insultado e ameaçado de morte o então líder do seu partido, Han Dong-hun. O sucessor de Yoon, o liberal Lee Jae Myung, que foi eleito em junho numa eleição antecipada, nomeou três procuradores independentes para investigar o decreto de lei marcial e outras suspeitas envolvendo o ex-presidente, a sua esposa e antigos colaboradores. Cho indicia de crimes Yoon e outras 23 pessoas, entre as quais o ex-primeiro-ministro Han Duck-soo, o vice-primeiro-ministro Choi Sang-mok e altos oficiais militares. Alguns generais enfrentam ainda processos em tribunais militares. Segundo o procurador, há indícios de que o grupo receava uma eventual interferência de Washington e terá considerado avançar apenas após as eleições presidenciais norte-americanas de novembro, tirando partido do período de transição nos EUA.