O parlamento da Coreia do Sul aprovou ontem uma proposta de lei para reforçar os direitos dos accionistas minoritários nas grandes empresas e aumentar a supervisão da gestão.
A quarta maior economia da Ásia é dominada por conglomerados familiares, conhecidos como ‘chaebols’, que mantêm o controlo através de redes complexas de participações acionistas cruzadas que lhes permitem exercer um enorme poder sem uma participação maioritária.
Os críticos deste sistema há muito que argumentam ser necessária uma maior transparência na governação corporativa dentro dos ‘chaebols’, incluindo a gigante tecnológica Samsung Electronics.
O Presidente coreano, Lee Jae-myung, eleito em junho, fez campanha com uma plataforma de reforma empresarial para melhor proteger os acionistas minoritários. A proposta foi aprovada com 180 votos a favor, com um boicote da oposição.
A lei estipula que as empresas cotadas com activos superiores a 1,4 mil milhões de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros) devem introduzir um sistema de votação cumulativa, permitindo aos acionistas concentrar todos os votos num único candidato ao eleger os membros do conselho, uma medida destinada a reforçar os direitos dos acionistas minoritários.
A lei aumenta também de um para, pelo menos, dois o número de membros da comissão de auditoria não eleitos pelos acionistas, que pertençam ao bloco maioritário.
Esta lei melhora a transparência na governação corporativa, “abrindo caminho para o fortalecimento do mercado de capitais e alcançar a justiça económica”, afirmou o deputado Park Soo-hyun, do Partido Democrático (no poder), em comunicado.
Os grupos de lóbi empresarial manifestaram preocupação, alertando que a nova lei pode aumentar os litígios e os riscos legais. “Instamos o parlamento a adotar uma legislação equilibrada que minimize estes efeitos colaterais negativos”, afirmou a Federação das Indústrias Coreanas, em comunicado.
O mercado bolsista da Coreia do Sul é conhecido pelas ações subavaliadas em relação às de empresas comparáveis noutras partes do mundo, em parte devido à governação dos conglomerados familiares, vista como opaca.
Impulsionado pelas expectativas de reforma da governação corporativa, o índice Kospi, de referência da bolsa de valores sul-coreana, valorizou 15,8% desde que Lee Jae-myung foi empossado em Junho.
Seul anuncia compra de mais gás natural dos EUA após cimeira com Trump
A Coreia do Sul acordou ontem comprar anualmente 3,3 milhões de toneladas adicionais de gás natural liquefeito aos Estados Unidos a partir de 2028, após a cimeira em Washington entre os presidentes dos dois países.
O acordo foi assinado pela Korea Gas (KOGAS) com fornecedores globais, incluindo a singapuriana Trafigura, durante uma reunião de líderes empresariais na capital norte-americana, que se seguiu ao encontro entre o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, e o homólogo norte-americano, Donald Trump.
O volume, acordado para o período 2028-2038, vai ser fornecido a partir de projectos de gás operados pela norte-americana Cheniere no Texas, no centro-sul dos Estados Unidos, e outras áreas, de acordo com pormenores do acordo, divulgados pela agência de notícias sul-coreana Yonhap.
O acordo segue-se ao compromisso assumido pela Coreia do Sul, no mês passado, de comprar 100 mil milhões de dólares (86 milhões de euros) em produtos energéticos aos EUA nos próximos quatro anos, como parte de um pacto comercial alcançado por Seul e Washington para reduzir as tarifas sobre as importações norte-americanas de produtos sul-coreanos de 25% para 15%.
A KOGAS afirmou que o novo contrato de longo prazo foi assinado no âmbito de um processo de concurso, que teve início em 2024, para as importações de energia da Coreia do Sul depois de 2028.
O contrato vai ajudar a KOGAS a diversificar as fontes das importações, que estão atualmente concentradas no Médio Oriente. O director executivo da KOGAS, Choi Yeon-hye, disse à Yonhap que o novo contrato vai ajudar a estabilizar o abastecimento e a melhorar a competitividade dos preços.
A Coreia do Sul é uma das potências que, juntamente com Japão, Indonésia e Paquistão, se comprometeram a aumentar as compras ou investimentos em empresas e projectos energéticos norte-americanos, um dos elementos-chave que os Estados Unidos têm vindo a promover nas negociações com os parceiros comerciais. Lusa











