Filipinas pede investigação ao desaparecimento de 34 apostadores de lutas de galos

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As autoridades filipinas querem uma “investigação exaustiva” ao desaparecimento, em 2021, de 34 homens ligados a apostas em lutas de galos, depois de uma testemunha ter alegado que foram assassinados. O caso dos “sabungeros”, como são conhecidos os entusiastas das lutas de galos nas Filipinas, remonta a 2021.

 

As autoridades filipinas pediram ontem uma “investigação exaustiva” ao desaparecimento, em 2021, de 34 homens ligados a apostas em lutas de galos, depois de uma testemunha ter alegado que foram assassinados com a cumplicidade da polícia. “Deve ser feita uma investigação completa para descobrir quem está realmente envolvido nisto e responsabilizá-los”, defendeu a porta-voz presidencial, Claire Castro, numa conferência de imprensa ontem realizada.

O apelo feito através do gabinete do Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., junta-se a outras declarações recentes de responsáveis do país asiático sobre o polémico caso.

O porta-voz da polícia, Jean Fajardo, declarou há uma semana que os investigadores “não pouparão ninguém” que se descubra ter estado envolvido nos desaparecimentos, “sejam civis, autoridades de alto nível ou até os nossos colegas”.

O caso dos “sabungeros”, como são conhecidos os entusiastas das lutas de galos nas Filipinas, remonta a 2021.

Em apenas um ano, desapareceram pelo menos 34 pessoas ligadas às lutas de galos e às lucrativas apostas ‘online’ nos combates, muito populares nas Filipinas.

Estas apostas, conhecidas como ‘e-sabong’, cresceram substancialmente na época da Covid-19, mas o então Presidente Rodrigo Duterte proibiu-as em 2022, na sequência de várias acusações de manipulação de galos e preocupações com o vício e as dívidas.

Familiares e ativistas alegam, há anos, que os ‘sabungeros’ foram raptados e mortos por causa de rivalidades, num mundo que movimenta milhões de pesos filipinos, e têm manifestado repetidamente frustração com a falta de progresso das autoridades na investigação.

Estes desaparecimentos voltaram a estar no centro das atenções no mês passado, depois de um homem identificado apenas como Totoy ter contado à rádio filipina GMA que os 34 homens foram assassinados e posteriormente atirados para o lago que rodeia o Vulcão Taal com a cumplicidade da polícia. “Como podem estar vivos se foram atirados para o Lago Taal?”, questionou Totoy, identificado pela GMA como um dos investigados pelos desaparecimentos.

Estas acusações mostram a magnitude do problema em torno deste lucrativo e agora ilegal negócio ‘online’: só em 2021, o Estado arrecadou cerca de 8 mil milhões de pesos filipinos (144,42 milhões de euros) graças às apostas em lutas de galos. Lusa