Johnson Ian, presidente da Associação de Sinergia de Macau, criticou a falta de comunicação ao público por parte do novo Governo, que “raramente fala com os meios de comunicação social” desde a sua tomada de posse. O ex-candidato às eleições legislativas apontou que a abordagem do novo Executivo não consegue responder às preocupações da sociedade, prejudicando assim a imagem do Governo.
O Governo de Sam Hou Fai deve reforçar a comunicação bilateral com a sociedade e deixar de restringir o acesso aos eventos oficiais de certos meios de comunicação social, defende Johnson Ian, presidente da Associação de Sinergia de Macau. O antigo candidato às eleições criticou o modo de “comunicação unidirecional” por parte do novo Governo, que está a dificultar a transparência da governação e a resposta a questões que preocupam a sociedade.
Johnson Ian, em declarações ao portal informativo All About Macau, indicou que o actual Executivo depende muito da emissão de comunicados de imprensa para divulgar informações ao público, cujo conteúdo “é insuficiente” e “carece de interacção bidirecional”, não satisfazendo o direito a saber dos cidadãos.
O Chefe do Executivo e os secretários, para além de discursar e enviar comunicados, segundo Johnson Ian, quase não foram entrevistados em ocasiões públicas desde a sua tomada de posse. “Nos comunicados, o Governo transmite apenas o que deseja que o público saiba, no entanto, esta abordagem é ineficaz em responder às preocupações da comunidade, carece de explicações e esclarecimentos aprofundados”, lamentou. “Se este modelo de comunicação unidirecional se mantiver a longo prazo, irá minar o prestígio e a imagem do Governo na governação”, alertou.
Neste caso, o antigo jornalista está preocupado que a interacção do Governo com os meios de comunicação social e com a sociedade irá deteriorar-se, prejudicando a administração, e “repetirá o erro do anterior Governo” de perder o contacto com a sociedade. “Se o Governo se separar da sociedade, a eficácia da governação seria seriamente afectada e seria difícil implementar qualquer política, agravando o descontentamento da sociedade”, advertiu.
A Associação de Sinergia de Macau, que também é liderada pelo deputado Ron Lam, lembrou que entre os titulares de cargos principais do Governo, apenas o secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, falou uma vez com os jornalistas em perguntas e respostas, depois da tomada de posse.
RESTRIÇÕES À IMPRENSA
Além disso, Johnson Ian voltou a apelar para o Governo levantar as restrições para certos meios de comunicação social no acesso a eventos oficiais. Recorde-se que, desde Outubro do ano passado, vários serviços deixaram de convidar alguns meios de comunicação social para conferências de imprensa por “limitação de espaço”.
“Basta uma fotografia a mostrar um grande número de lugares vazios no evento para provar que a alegação de espaço limitados era uma mentira”, criticou o responsável, apontando que, depois das eleições para o Chefe do Executivo e da cerimónia do aniversário da RAEM, a atenção dos meios de comunicação social estrangeiros em relação a Macau diminuiu significativamente. “É um erro recusar entrevistas aos meios de comunicação social locais com a desculpa de que haja um aumento de procura dos meios de comunicação social estrangeiros”, disse.
Johnson Ian defende que as autoridades devem seguir a tendência da sociedade e recolher opiniões e lidar com diferentes tipos de meios de comunicação social, de forma a contribuir para a formulação de políticas.
O dirigente da associação sugeriu ainda que o Executivo aprenda a utilizar as redes sociais e que se adapte aos novos modos de funcionamento dos meios de comunicação social, como na Europa, Estados Unidos e Hong Kong, a fim de melhor comunicar com a sociedade, bem como ajudar na promoção de políticas e melhorar a imagem.











