A escalada do conflito no Médio Oriente e as próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos da América estão a aumentar as incertezas do mercado e fazem disparar o preço do ouro. Em Macau, as ourivesarias enfrentam uma quebra de negócio por falta de vontade de compra de ouro por parte de turistas e residentes. A Associação das Ourivesarias de Macau prevê que o preço do ouro continue a subir.
O preço do ouro alcançou esta semana um novo recorde histórico acima de 2.700 dólares americanos, atingindo ontem 2.753 dólares por onça, de acordo com os dados da Bloomberg. Um relatório recente dos analistas do Citibank aumenta as previsões do preço do ouro e prevê que o preço ultrapasse os 2.800 dólares por onça nos próximos três meses, podendo ainda chegar aos 3.000 dólares nos próximos seis ou 12 meses. O banco acrescentou que a escalada a curto prazo da guerra no Médio Oriente deverá impulsionar os preços do petróleo, enquanto o preço do ouro também deverá subir.
O aumento do preço do ouro foi de 33% em comparação com o início do ano. Em Macau, o preço dos artigos de ouro é superior a 820 patacas por grama. “O preço do ouro tem vindo a crescer desde o ano passado e o aumento foi ainda mais evidente nos últimos seis meses”, referiu Lee Koi Ian, presidente da direcção da Associação das Ourivesarias de Macau, admitindo que “o negócio [das ourivesarias] não está a ser bom apesar de a actual época ser a dos casamentos”.
Citado pelo Jornal Ou Mun, Lee Koi Ian estima que os preços do ouro se mantenham elevados e em tendência ascendente, pelo menos a curto prazo, devido às incertezas geopolíticas, incluindo os conflitos no Médio Oriente e os próximos resultados das eleições nos Estados Unidos da América.
Além disso, as aquisições de ouro a grande escala pelos bancos centrais do mundo nos últimos anos para diversificar as reservas cambiais, bem como os ajustamentos da política monetária e a procura de protecção contra o risco por parte dos investidores, são também alguns dos principais factores do aumento do preço do ouro.
Lee Koi Ian, ao analisar a situação do sector local, disse que, por um lado, a recuperação económica desigual reduziu os gastos dos clientes, que preferem dar presentes em dinheiro nas ocasiões de celebração, como nos casamentos e nascimentos de bebés, alturas em que a comunidade chinesa costumava oferecer ouro como presente.
Por outro lado, segundo o mesmo responsável, apesar do aumento do valor máximo da isenção de direitos aduaneiros para os turistas que entram no interior da China vindos de Macau, “a indústria foi beneficiada de forma limitada porque o preço do ouro disparou e os turistas estão a comprar cada vez menos ouro em Macau”, explicou.
O sector das ourivesarias gostaria de ver os preços do ouro descer em vez de se manter elevados, indicou a associação, uma vez que o mercado precisa da circulação dos produtos e dinheiro. Lee Koi Ian adiantou que é difícil as lojas venderem ouro quando o preço é alto, ao contrário, os residentes vendem artigos de ouro devido ao preço elevado. As ourivesarias têm assim uma acumulação de stocks dos produtos, o que reduz o fluxo de caixa e dificulta o desenvolvimento do negócio, sendo que a pressão é ainda maior para as Pequenas e Médias Empresas.
No entanto, a associação disse que o mercado está “geralmente optimista” quanto ao desempenho posterior dos preços do ouro. A actual diferença de preço do ouro entre Macau e o interior da China continuará a atrair turistas do Continente, afirmou Lee Koi Ian, acrescentando que Macau dispõe de um mecanismo de garantia de qualidade mais rigoroso e credível, o que reforça a confiança dos consumidores turistas e residentes.
A quebra de negócio das ourivesarias devido ao preço elevado do ouro provocou recentemente uma onda de encerramentos de ourivesarias no interior da China. O grupo Chow Tai Fook, num relatório publicado na Bolsa de Valores de Hong Kong, revelou uma recessão de negócio em 31% no mercado de Hong Kong e Macau e em 19,4% no mercado do Continente, tendo encerrado 145 lojas de retalho no interior da China, enquanto o grupo Lukfook também fechou 76 lojas de retalho de joias no segundo trimestre deste ano.











