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      Macau registou quebras na compra de vinhos do Alentejo  

      A culpa, sugerem importadores de vinho locais, deve-se à pandemia de Covid-19 e às restrições associadas. Mas o problema não é só com os vinhos alentejanos, o problema é geral, garantem. Ainda assim, consideram, a região do Alentejo – tal como a do Douro – continua a ser cartão de visita do sector vitivinícola português, seja onde for, e Macau não é excepção.

       

      Os mercados asiáticos da China continental, Hong Kong e Macau registaram quebras na compra de vinhos do Alentejo. O mesmo sucedeu em mercados da União Europeia, como França e Suécia. Os dados foram divulgados no final da semana passada pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).

      Em contraciclo, Brasil, Estados Unidos da América, Canadá, Polónia e Suíça foram os destinos que mais contribuíram para os resultados positivos registados. Porque apesar das quebras na Grande China, as exportações de vinhos do Alentejo mantêm tendência de crescimento, sublinha a CVRA.

      Apesar das quebras neste lado do mundo, no primeiro semestre deste ano, as exportações de vinhos do Alentejo registaram uma subida de 12,4% em valor e de 9,7%, em volume, o que corresponde a 37,1 milhões euros e 10,4 milhões de litros de vinho vendidos para o estrangeiro, face a igual período do ano passado, tanto no vinho de Denominação de Origem Controlada (DOC) como no Regional.

      Procurámos saber o que se passa com os vinhos do Alentejo no território, em particular, e na China, em geral. Em declarações ao PONTO FINAL, Luís Herédia, proprietário da Vinomac, refere que o problema “é geral” e não afecta apenas o néctar alentejano. “Só posso falar de uma forma empírica. Penso que essa quebra tem a ver com a pandemia. Mas essa quebra não se nota apenas nos vinhos alentejanos. Todas as outras regiões sofreram na China e, em particular em Macau, com as restrições pandémicas. Tenho essa percepção”, começa por dizer o empresário, que admitiu “de tempos em tempos” ir às estatísticas para perceber como está o mercado.

      O também presidente da Associação de Hotéis de Macau acrescentou ainda que “se notaram logo quebras acentuadas no início da pandemia e isso, com maior ou menor impacto, foi acontecendo ao longo destes quase três anos”. “E repare que o Alentejo tem excelentes vinhos de entrada. Vinhos frutados, fáceis e a bom preço. Tem havido algum consumo interno, mas é, de facto, muito pouco”, assume.

      Para contrariar essa quebra, só mesmo abrindo as fronteiras ao estrangeiro “e a Hong Kong”. “O vinho do Alentejo tem um perfil consensual. Vende-se facilmente, mas não tivemos a procura nem o consumo de outros tempos. Sem turistas é complicado”, desabafa ao nosso jornal.

      Ainda assim, Luís Herédia admite que com “as gamas mais altas, com alguns vinhos ícones, encontra-se sempre um nicho que as consome” e constata ainda que, por exemplo, “o Dão cresceu e tem algumas marcas que são significativas. A Beira tem grande qualidade, mas são vinhos que, não sei porquê, andam muito escondidos. No entanto, o Alentejo e o Douro continuam a dominar os gostos por aqui”.

       

      QUEBRA DE 30% NA COMPRA DE VINHOS PORTUGUESES

      Humberto Rodrigues, presidente da F. Rodrigues, atira com números para cima da mesa para percebermos de que nível de quebra estamos a falar. “Acho, de facto, que há uma quebra geral no consumo de vinhos portugueses, independentemente da região. Uma queda grande, arrisco-me a dizer na ordem dos 30%, pelo menos para a realidade da F. Rodrigues. Sendo Macau um território tão pequeno, essa percentagem diz muito”.

      O macaense, tal como Herédia, também coloca as culpas na pandemia de Covid-19 e nas restrições por ela causadas. “Penso que as quebras se devem à pandemia de Covid-19 e às restrições causadas. Em relação ao vinho, dependemos muito dos turistas, principalmente dos turistas de Hong Kong e de países estrangeiros, porque o turista da China continental, no geral, não aprecia o vinho dessa forma”, revela ao nosso jornal.

      Restaurantes e supermercados são os grandes compradores de vinhos e outros produtos portugueses, conforme afirma Humberto Rodrigues, mas o negócio “não está nada famoso”. “Nós vendemos para restaurantes e supermercados. Os restaurantes, ou deixaram de encomendar como encomendavam, ou, simplesmente, fecharam portas. E os supermercados já não têm nas suas prateleiras a variedade de vinhos que tinham em 2018 ou 2019. Há marcas que nunca mais voltaram a Macau, nos últimos anos”, nota o empresário.

       

      ***

      Visitantes aquém do que Macau precisa

      A constatação, “óbvia”, é do presidente da Associação de Hotéis de Macau, Luís Herédia. O português considera que é “premente” atingir a meta de 30 mil visitantes por dia de forma a recuperar tempo perdido. “Já tivemos uma pequena melhoria depois deste confinamento que houve em Julho, com 80 mil visitantes em sete dias, o que daria qualquer coisa como 500 mil e tal por mês. São número ainda muito redutores. Chegamos ao final do ano com seis milhões de visitantes, o que é algo aquém do que precisamos”, referiu ao nosso jornal. O responsável lembra que há hotéis que “conseguem atrair mais do que outros”, considerando que existe “uma distribuição atípica” no sector de hotelaria do território. “Quem tem nome e marca consegue mais atracção e, claro, a localização também conta muito”, afirmou, deixando no ar a ideia que “é preciso continuar a confiar nas autoridades”, no entanto, sublinha, “é preciso também que as autoridades aprendam a ver como se comportam as diversas variantes, como é que o mundo reage lá fora”. “O sector tem feito um esforço enorme, desde o início de 2020, para se manter operacional, mantendo a qualidade sem ter muitos prejuízos. As autoridades têm que ver isso”, refere Herédia.

       

      PONTO FINAL