O deputado Ron Lam acusa o Governo de não prestar assistência atempada e eficaz aos residentes quando acontecem imprevistos em viagem. Recentemente aconteceu um acidente rodoviário na Califórnia que provocou a morte de duas residentes e, numa interpelação escrita, Ron Lam diz que a família só recebeu a confirmação da morte da vítima por parte dos Serviços de Turismo 11 dias após o acidente.
O caso da morte de duas residentes num acidente de viação na Califórnia, nos Estados Unidos, fez Ron Lam questionar a eficiência e a eficácia dos trabalhos do Governo na gestão de crises de turismo. O deputado aponta que houve atrasos nas respostas e falta de coordenação interdepartamental por parte dos serviços governamentais neste caso. Segundo o deputado, houve uma demora de 11 dias para que a família de uma das vítimas fosse informada da morte.
Ron Lam submeteu na passada sexta-feira uma interpelação escrita à Assembleia Legislativa de forma a solicitar explicações sobre o caso bem como os procedimentos de gestão de crises de turismo em Macau.
“Actualmente, quando os residentes de Macau se encontram casos de perigo ou de crise no estrangeiro, para além do mecanismo de comunicação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da RPC, Macau dispõe de um mecanismo eficaz de comunicação e troca de informações com as organizações oficiais regionais e internacionais, de modo a proteger ao máximo os residentes de Macau?”, questionou.
De acordo com Ron Lam, o caso em questão ocorreu na madrugada do dia 6 deste mês, hora de Macau, (meio-dia do dia 5 do mês, hora local), quando duas residentes de Macau, juntamente com dois amigos, tiveram um grave acidente de viação em Bakersfield, na estrada interestadual 5, na Califórnia, tendo uma das residentes de Macau morrido no local e os restantes falecido no hospital.
A interpelação indica que um familiar de uma das falecidas residentes telefonou para a linha de apoio à crise do turismo da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) no dia 7 para pedir apoio, “mas o pessoal da linha de apoio não obteve informações sobre os falecidos através da sua família, limitando-se a fornecer o número de telefone da Embaixada da China nos Estados Unidos para que a família contactasse a Embaixada por si própria”.
A família conseguiu posteriormente, no dia 10, confirmar a morte do familiar e lidar com os assuntos funerários com a ajuda de amigos e organizações locais nos EUA, salientou o deputado, só na manhã do dia 17 é que a família foi notificada pela DST da confirmação da identidade da vítima e da sua morte. “Nessa altura, a família já estava a tratar dos assuntos funerários, pelo que é óbvio que o mecanismo existente não foi capaz de prestar assistência e apoio útil aos residentes em tempo útil após o incidente”, criticou.
Ron Lam referiu, portanto, que o Gabinete de Gestão de Crises do Turismo foi extinto em 2021 e várias competências desse gabinete foram integradas em diversas divisões da DST. Analisando a distribuição das competências dentro do organismo, o legislador lamenta que a DST não tenha “um papel adequado de ligação externa proactiva nem a função interna de coordenação e comunicação interdepartamental” para responder eficazmente e lidar com incidentes de crise turística dos residentes que viajam no exterior.
Instando as autoridades a reverem a situação do acompanhamento do caso, Ron Lam considera que o Governo deve trabalhar para melhorar e esclarecer o mecanismo e as directrizes para lidar com crises turísticas, garantindo que os residentes que viajam para o estrangeiro e as suas famílias recebam assistência e apoio adequados quando necessário.
Por outro lado, o deputado fez a referência plano decenal de prevenção e redução de desastres em Macau (2019-2028), que prevê melhoria da capacidade de resposta às crises do turismo, através da definição clara das responsabilidades do quadro da protecção civil. Ron Lam pretende assim obter esclarecimento do Governo sobre o progresso do trabalho de incluir a coordenação das crises do turismo na área da proteção civil.











