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      Início Opinião Moimenta no Japão: educação sem fronteiras

      Moimenta no Japão: educação sem fronteiras

      Há três semanas, recebi a visita de um grupo de portugueses, representantes do Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira. Desembarcaram no Japão como participantes do Projeto Infinity, uma iniciativa pedagógica coordenada pela OCDE. A presença desses representantes, cinco professores e sete alunos, foi mais do que uma formalidade; foi um momento singular de cruzamento de culturas e saberes que enriqueceu a todos.

      Os estudantes, representantes de uma nova geração de perspetivas, vieram conhecer essa realidade muitas vezes distante e absorver as nuances culturais japonesas. Os professores, por sua vez, compartilharam as suas experiências pedagógicas e estratégias de ensino.

      Ao ouvir os docentes de Moimenta, especialmente a fantástica Conceição Mendes Pinheiro, impossível não me recordar dos professores da minha vida, no Infanta D. Maria, como Júlia Morais Lopes, António Leite da Costa ou Manuela Formigal. Eles foram, durante gerações, o gérmen de mentes curiosas e do amor pela aprendizagem.

      Apesar das dificuldades que diariamente enfrentam, estes representantes de Moimenta foram (muito mais) além do seu dever estrito. Poderiam ter sido meros porta-vozes de uma vila do interior de Portugal, mas optaram por ir mais longe, aproveitando as instituições comunitárias e os fundos da OCDE. Com orgulho, estiveram no Canadá, Estados Unidos e agora no Japão.

      Os professores, frequentemente injustiçados, são os arquitetos invisíveis da sociedade, moldando o amanhã através do investimento no presente. Os sete alunos que representaram o Agrupamento de Escolas tornaram-se embaixadores do conhecimento e da compreensão mútua, transcendendo o currículo tradicional e abrindo espaço para uma educação global que valoriza a diversidade cultural e a colaboração internacional.

      Acredito no poder da educação para transformar o mundo, e este encontro com os jovens portugueses renovou a minha fé no futuro do nosso país. Foi mais do que um encontro; foi a prova de que continuamos a “escrever” uma história com o Japão, construindo pontes para um futuro melhor.

       

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras