Edição do dia

Terça-feira, 21 de Maio, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nevoeiro
25.6 ° C
25.9 °
24.8 °
89 %
4.1kmh
40 %
Ter
26 °
Qua
25 °
Qui
25 °
Sex
26 °
Sáb
28 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioCulturaRui Calçada Bastos expõe na Bélgica  

      Rui Calçada Bastos expõe na Bélgica  

      O artista português, que viveu em Macau, participa na nona exposição nas paredes da Irène Laub Gallery, em Bruxelas. Para a colectiva, juntamente com mais cinco artistas, Calçada Bastos propõe uma instalação em pavimento de cimento com fotografias antigas. “I have not yet forgot myself to stone”, de 2021, “questiona a fronteira como linha do horizonte e momento suspenso no tempo”, escreve a curadora belga Christine Bluard.

       

      O artista português Rui Calçada Bastos participa na colectiva “Le Pas Suspendu”, que inaugura no próximo dia 9 de Setembro e estará patente na Irène Laub Gallery, em Bruxelas, na Bélgica, até 29 de Outubro.

      Numa breve declaração ao PONTO FINAL, Rui Calçada Bastos desejou que, uma vez mais, o seu trabalho seja entendido pelo público. “As expectativas são sempre as mesmas em cada exposição. Trata-se de desejar que o nosso trabalho seja recebido e entendido na sua totalidade”, referiu, o autor que confidenciou ainda que sente saudades “de uma Macau que já não existe”, local onde viveu por diversos anos.

      O autor apresenta a instalação “I have not yet forgot myself to stone”, de 2021, uma obra feita com pavimento em cimento e postais antigos. Calçada Bastos partilha as paredes da galeria belga com Younes Baba-Ali, Lucile Bertrand, Eirene Efstathiou, Michèle Magema e também com outro português, nascido em Angola, Pedro A.H. Paixão.

      “Se as fronteiras naturais desafiam o horizonte, outras fronteiras cujas linhas foram traçadas por mãos humanas, no entanto, apenas separam os semelhantes. E quando se cruza esses limites, quando se passa do outro lado, as pessoas e as paisagens parecem realmente diferentes”, questiona Christine Bluard, curadora e directora de desenvolvimento de Exposições e Artes do Museu de África em Tervuren, também na Bélgica, citada no comunicado de imprensa da galeria.

      Para Bluard, “a poesia também se aninha nos menores vãos e frestas, linhas e bordas”. “É isso que os seis artistas reunidos pela Galeria Irène Laub tentam mostrar através desta exposição colectiva. Questionam a fronteira como linha do horizonte e momento suspenso no tempo. Para alguns, esta obra evoca espaço, para outros, culturas e tempo. O título da exposição é uma homenagem ao belo filme de 1991 ‘The Suspended Step of the Stork’, de Theo d’Angelopoulos”, pode ainda ler-se.

      Desde 2017 que o artista português expõe trabalhos seus na Irène Laub Gallery, que o representa na Bélgica.

      Rui Calçada Bastos, nascido em Lisboa em 1971, cresceu em Macau. Estudou Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e Artes Visuais no Centro de Arte e Comunicação Visual – Ar.Co, em Lisboa. Após uma residência em Paris, na Cité international des Arts, mudou-se para Berlim em 2002 para uma residência na Kunstlerhaus Bethanien. Em 2004, foi premiado com o Grande Federal para Ciência, Pesquisa e Cultura em Berlim. Prosseguiu as suas viagens com residências artísticas no Museu de Arte de Macau, no Tate Modern, no Reino Unido, na Vila Aurora em Los Angeles, nos Estados Unidos da América, no Reis Residency em São Paulo, no Brasil, e na Officina Mundi, em Portugal. Recebeu o primeiro prémio no Festival Internacional de Vídeo de Macau em 2011.

      Com trabalho multifacetado, o português tem sido exibido internacionalmente, principalmente nos EUA, Brasil, China, Portugal, Espanha, França e Bélgica. Realizou duas grandes exposições pessoais em Portugal: uma individual no MAAT em Lisboa, em 2016, e uma retrospectiva em grande escala no Colégio das Artes em Coimbra, em 2019. A sua arte integra colecções públicas na Alemanha, Holanda, Suíça, Brasil, Espanha e Portugal.

      O seu trabalho artístico debruça-se, essencialmente, sobre paisagens, objectos, formas e situações urbanas que num primeiro olhar poderiam passar despercebidas. Trabalhando com e nas cidades por onde tem passado ou vivido, o artista explora detalhes, memórias, gestos e narrativas urbanas enquanto possíveis vislumbres sublimes. Através da fotografia, vídeo, escultura, pintura e instalação, desenvolve os seus temas de forma poética, confrontando o espectador com uma perspectiva autorreferencial. “[Rui Calçada Bastos] revela o potencial poético e narrativo de detalhes esquecidos, imperfeições e evidências de distúrbios humanos. Num sentido real e metafórico, as reflexões, duplicações e confrontos constituem variações de um leitmotiv que percorre os vídeos, fotografias e instalações do artista. Ao mesmo tempo, confronta o espectador com uma visão autorreferencial lidando com o eu e o outro, interior e exterior, aqui e ali. O artista muda continuamente de posição numa tentativa perpétua de alcançar a autoconfiança ou ancoragem, o que parece nunca acontecer”, escreve a Irène Laub Gallery sobre o seu trabalho artístico.

       

      PONTO FINAL