A China prometeu ontem apoiar a entrada em bolsa de empresas estrangeiras nos mercados nacionais e facilitar fusões e aquisições envolvendo grupos estrangeiros, numa tentativa de travar a queda do investimento externo no país.
As medidas constam do novo Plano de Acção para a Estabilização, Promoção e Otimização do Investimento Estrangeiro, divulgado pelos ministérios do Comércio e das Finanças e pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), principal órgão de planeamento económico da China.
No que diz respeito à entrada em bolsa, o plano prevê a otimização dos serviços de apoio às empresas antes da apresentação dos pedidos de cotação e o apoio à obtenção de financiamento através dos mercados nacionais por parte de empresas estrangeiras consideradas qualificadas.
As autoridades afirmaram que o objectivo é aumentar gradualmente o nível de abertura do setor financeiro, através da melhoria da gestão das operações transfronteiriças e da disponibilização de linhas de financiamento para empresas estrangeiras classificadas como prioritárias.
Ao contrário da Bolsa de Valores de Hong Kong, que opera de forma autónoma ao abrigo do regime especial da antiga colónia britânica, os mercados da China continental estiveram reservados a empresas chinesas até 2019, quando algumas empresas estrangeiras passaram a poder aceder indiretamente às bolsas de Xangai e Shenzhen através de um mecanismo de ligação com a Bolsa de Londres.
Relativamente às fusões e aquisições, o plano prevê acelerar a revisão e aprovação da legislação que regula a compra de empresas chinesas por grupos estrangeiros.
As autoridades anunciaram ainda que fundos de investimento estrangeiros poderão participar como investidores estratégicos em emissões de títulos de empresas cotadas em setores não sensíveis.
O plano inclui também medidas para promover setores como o farmacêutico e o dos dispositivos médicos, incentivar a abertura de centros de investigação e desenvolvimento por empresas estrangeiras e coordenar áreas prioritárias de investimento entre governos locais, especialmente nas regiões menos desenvolvidas do oeste da China.
Entre as prioridades figura ainda o incentivo ao reinvestimento de lucros no país através de benefícios fiscais e a garantia de uma aplicação mais equitativa da legislação entre empresas estrangeiras e nacionais, uma reivindicação antiga dos investidores internacionais.
Para atrair mais capital externo, o documento apela igualmente à realização de campanhas de promoção e ao reforço de narrativas como “oportunidades na China” e “o mundo confia na China”.
A iniciativa surge num contexto de abrandamento do investimento estrangeiro no país. Segundo dados oficiais, o investimento direto estrangeiro caiu 9,5% em 2025, após uma quebra de 24,7% no ano anterior, acumulando três anos consecutivos de descidas.
Analistas atribuem a redução do investimento às tensões geopolíticas, sobretudo com os Estados Unidos, que aceleraram a deslocação de capitais para outros mercados, num contexto de reconfiguração das cadeias de abastecimento globais, crise no setor imobiliário e fraqueza da procura interna chinesa. Lusa













