Deputado quer Macau como a capital do turismo de luxo após prémio LUXE Asia

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Iates e caviar. O deputado Ngan Iek Hang apresentou uma interpelação escrita ao Governo, defendendo o reforço do desenvolvimento do turismo de luxo e de excelência em Macau. A iniciativa surge depois de Macau ter recebido, pela primeira vez, o prémio de “Melhor Destino de Luxo da Ásia” na LUXE Asia, em Xangai, um reconhecimento internacional que o deputado considera que deve ser aproveitado para atrair turistas de elevado património líquido, especialmente de países como a Rússia, Coreia do Sul e Japão, para destacar o sector como motor de desenvolvimento de alta qualidade para o território.

 

O que falta a Macau para atrair os turistas mais ricos do mundo? O território acaba de receber o título de “Melhor Destino de Luxo da Ásia” na cerimónia da LUXE Asia 2026, realizada em Xangai, uma distinção que, na visão do deputado Ngan Iek Hang, deve servir de trampolim para uma aposta mais decidida no turismo de excelência. Numa interpelação escrita entregue na Assembleia Legislativa a 5 de Junho, o deputado até elogiou o trabalho da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), que marcou presença pela primeira vez no evento de premiação, mas defende que o momento é propício para acelerar mais as medidas que atraiam visitantes com elevado poder de compra.

A distinção em Xangai reuniu perto de mil entidades oficiais e uma série de representantes do sector do turismo de luxo. Tem vindo a acontecer num contexto de crescimento mais elevado de mercados específicos desta área económica. A LUXE Asia, uma plataforma exclusivamente direccionada ao sector do turismo de luxo do interior da China, Sudeste Asiático e Rússia, contou com a participação de 38 grupos hoteleiros internacionais de alto nível e fornecedores de produtos de luxo. A DST aproveitou a ocasião para promover as características inerentes ao “Turismo+”, destacando por sua vez a diversidade de atracções que Macau pode oferecer enquanto destino de luxo.

Ngan Iek Hang sublinha na sua carta aberta que o número de visitantes russos cresceu 84,5% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o período homólogo, com mais de metade a situar-se na faixa etária dos 25 aos 44 anos, grupo com elevado dinamismo de consumo, segundo o deputado. A DST já respondeu a esta tendência, tendo apoiado a realização do “Design Travel Tradeshow Macao 2026”, que atraiu mais de 60 compradores de turismo de luxo da Rússia para encontros com cerca de 120 marcas locais e internacionais, e organizou visitas guiadas em russo a bairros comunitários para demonstrar no terreno os recursos de Macau que poderão atrair os clientes mais ricos.

Porém, Ngan Iek Hang questiona, em primeiro lugar, como o Governo tenciona reforçar o “Plano de Apoio ao Turismo”, que já foi revisto este ano com quatro medidas de optimização que alargam a cobertura dos grupos beneficiários e aumentam o número de itens de apoio de 17 para 26. O plano actualizado, lançado em 1 de Junho, alargou o âmbito de aplicação a áreas como o turismo de incentivos, turismo de casamentos, turismo de estudo e turismo de desporto, incluindo agora eventos comemorativos de aniversários, turismo de negócios, formação empresarial, sessões de fotografia de casamento, viagens de lua-de-mel e cursos temáticos de viagem de estudo.

Os itens de apoio gratuito oferecidos pela DST passaram a incluir material de informações turísticas e lembranças, a presença da mascote “Mak Mak” nos eventos, passeios para sentir a cidade durante meio dia, viagens gastronómicas, bilhetes para pontos turísticos e actividades culturais, workshops de experiência de produção gastronómica típica, serviço de transmissão ao vivo de “fotografias em nuvem” e bilhetes gratuitos de autocarro de Hong Kong para Macau através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Mas ainda assim, o deputado defende que este plano deve ser ajustado para incentivar o sector a criar produtos específicos para turistas de luxo.

Na sua segunda questão, o deputado aborda o potencial do turismo marítimo de luxo, à luz da recente decisão do Conselho de Estado que autorizou a “isenção de prestação de caução” e o “registo provisório da nacionalidade de embarcação” para iates de Hong Kong e Macau que acedam temporariamente às nove cidades do interior da China da Grande Baía. Esta medida, que entrou em vigor a 29 de Maio, permite que os iates de recreio de Hong Kong e Macau possam navegar livremente nas águas das nove cidades da Grande Baía, com a “isenção de caução” a reduzir significativamente os encargos económicos dos proprietários de iates no processamento de procedimentos transfronteiriços, e o “registo provisório da nacionalidade de embarcação” a permitir que os iates obtenham um certificado de nacionalidade provisório do Interior da China sem afectar o registo original, podendo assim navegar livremente nas águas das nove cidades principais da região (sendo essas Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen, Huizhou e Zhaoqing).

O primeiro lote de portos de entrada e saída designados inclui, no caso, seis portos específicos. O Porto de Passageiros de Nansha, em Cantão, o Porto de Cruzeiros de Shekou, em Shenzhen, o Porto do Aeroporto de Shenzhen, o Porto de Jiuzhou em Zhuhai, o Porto de Wanshan, em Zhuhai, e o Porto de Zhongshan. Para Ngan Iek Hang, esta medida abre portas ao desenvolvimento de produtos diversificados de iates de luxo, que podem atrair turistas de elevado património líquido para uma experiência de lazer direcciona para Macau.

A terceira questão levantada prende-se com a formação de guias e profissionais de acolhimento com domínio de línguas minoritárias. O deputado sublinha que os turistas de elevado património líquido exigem uma comunicação precisa e de alto nível, e que o forte crescimento de mercados como o russo exige uma resposta na formação de quadros. O deputado relembra que o Governo já mencionou, em respostas anteriores, a existência de formação de guias de línguas minoritárias, em línguas como o coreano, o inglês e o francês, mas pergunta como tenciona reforçar a cooperação com as empresas para lançar uma “formação por encomenda” que promova o ingresso dos residentes locais no sector de luxo, dando resposta à procura por guias com domínio de línguas como russo e japonês.