Três políticos, incluindo o atual presidente interino do Sri Lanka e ex-primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe, apresentaram ontem uma candidatura à liderança do país, que será decidida pelo parlamento estaquarta-feira, em votação secreta.
O parlamento do Sri Lanka anunciou que, além de Wickremesinghe, estão na corrida dois outros deputados: o antigo ministro Dullas Alahapperuma, do SLPP, partido que apoiava o ex-chefe de Estado Gotabaya Rajapaksa; e Anura Kumara Dissanayake, da coligação de esquerda NPP.
Outro potencial candidato, o principal líder da oposição, Sajith Premadasa, anunciou na rede social Twitter, minutos antes da abertura oficial das candidaturas, a desistência a favor de Dullas Alahapperuma, “para o bem maior” do Sri Lanka.
A candidatura de Wickremesinghe foi recebida com surpresa, uma vez que, apesar de ter recebido o apoio do SLPP, o presidente interino tinha dito que não iria concorrer.
A possível nomeação de Wickremesinghe tinha sido criticada como continuando o governo de Rajapaksa e abrindo a porta a um possível regresso do presidente, que renunciou ao cargo na sexta-feira, após ter fugido para as Maldivas e mais tarde para Singapura.
A oposição política e os manifestantes acusam a família Rajapaksa, que dominou a vida política da ilha durante décadas, de desvio de fundos públicos e responsabilizam as medidas impostas pelo chefe de Estado de provocarem o colapso económico do país. Estudantes e ativistas políticos disseram planear protestos na capital, Colombo, onde as entradas do parlamento estão barricadas, com o edifício protegido por centenas de soldados.
A votação, que será realizada de forma secreta pelos 225 legisladores que compõem o parlamento do Sri Lanka, acontecerá na quarta-feira às 10h00.
O Supremo Tribunal do Sri Lanka vai decidir entretanto sobre a legalidade da nomeação de Wickremesinghe como presidente interino, na semana passada, pelo líder do parlamento. Caso a nomeação seja considerada ilegal, Wickremesinghe pode tornar-se inelegível para concorrer à presidência.Wickremesinghe declarou na segunda-feira o estado de emergência, dando-lhe ampla autoridade para reprimir novos protestos, que já duram há mais de 100 dias.
A actual crise política no Sri Lanka deve-se à pior crise económica que o país vive desde a independência do Império Britânico em 1948. O impasse político ameaça ainda mais a situação económica e financeira do país sendo que a falta de alternativa governamental pode atrasar ainda mais a intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O país já entrou em ‘default’ técnico e tem uma dívida externa superior a 50 mil milhões de euros, que os analistas já consideraram “impagável”. A escassez de produtos de primeira necessidade agravou a situação da população do país com 22 milhões de habitantes. Lusa











