Albano Martins dirige carta ao Executivo a questionar discrepâncias nas estatísticas

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FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS/ARQUIVO

O economista Albano Martins endereçou ontem uma carta à Direcção dos Serviços de Economia em que questiona as estatísticas do PIB. “Quando analisei as estatísticas do PIB de 2020 fiquei pasmado com o comportamento das exportações de bens. Não quis acreditar que tivessem sido de 34,4 mil milhões de patacas”, lê-se na carta, encaminhada ao PONTO FINAL.

Albano Martins diz que, segundo as estatísticas do Comércio Externo de Mercadorias, as exportações de bens foram de apenas 12,8 mil milhões de patacas, dos quais 1,6 mil milhões são domésticas e o remanescente reexportações. No entanto, no PIB o valor é mais alto 17,2%.

Já o valor global de exportações foi de 10,8 mil milhões e no PIB foi de 34,4 mil milhões. “Uma diferença de mais de três vezes, um valor nunca alcançado na vida desta pequena terra chinesa”, afirma, acrescentando: “Um ano com restrições à entrada e à saída de trabalhadores não residentes, trazidas pela pandemia e em que o próprio PIB cai 56,3%, pandemia que afectou a produção em todo o mundo e até a do continente chinês”.

“O que se passa para tanta discrepância entre duas estatísticas-chave? Sabido até que a exportação doméstica foi de apenas 1,6 mil milhões em 2020”, questiona o economista, que diz que os números de 2021 o continuam a “assustar”, uma vez que, no segundo trimestre o valor das exportações pelas Estatísticas do Comércio Externo de Mercadorias foi de apenas 3,2 mil milhões, dos quais apenas 0,5 mil milhões são domésticas, no entanto, “no PIB o valor que aparece nas exportações só no segundo trimestre é qualquer coisa como 21,6 mil milhões, um número tão alto que ultrapassa quase todos os valores anuais passados”, afirma Albano Martins. “Num trimestre, ainda em plena recuperação, exportou-se muitíssimo mais do que nos valores anuais passados?”, questiona. “Lamento, mas tenho muitas dúvidas”, diz o economista.