O Japão instalou o primeiro lote de mísseis de longo alcance desenvolvidos no país, no âmbito do reforço das suas capacidades ofensivas face ao aumento das tensões na região. Os mísseis terra-mar Type-12 modernizados serão instalados no Campo Kengun, na prefeitura de Kumamoto, no sudoeste do Japão, até ao final de março, concluindo o processo de destacamento, afirmou o secretário-chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara. Veículos militares que transportavam os lançadores e outros equipamentos chegaram de madrugada numa operação discreta, criticada por residentes locais, que protestaram junto ao acampamento.
Os opositores acusam o Governo de falta de transparência e consideram que o destacamento pode aumentar as tensões e transformar a base num alvo de eventuais ataques. Em 2024, o ministério da Defesa antecipou em um ano o calendário de instalação dos mísseis. O Japão tem acelerado o reforço militar no sudoeste do arquipélago, numa altura em que a China aumenta a pressão sobre Taiwan. O míssil Type-12 modernizado, desenvolvido pela Mitsubishi Heavy Industries, tem um alcance de cerca de mil quilómetros, muito superior aos 200 quilómetros da versão original, podendo atingir áreas do território continental chinês. O sistema deverá ser instalado posteriormente no Campo Fuji, na província de Shizuoka, a oeste de Tóquio, ainda este ano.
O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou em fevereiro que Tóquio pretende também instalar sistemas de defesa aérea de médio alcance na ilha de Yonaguni, a mais ocidental do Japão e situada a leste de Taiwan, até março de 2031. As tensões aumentaram em novembro, após a primeira-ministra Sanae Takaichi, pouco depois de assumir o cargo, ter afirmado que uma eventual acção militar chinesa contra Taiwan poderia justificar uma resposta militar japonesa. Takaichi comprometeu-se a rever a política de segurança e defesa até ao final do ano e pretende reforçar as capacidades militares do país com armas não tripuladas e mísseis de longo alcance. O Governo japonês deverá também eliminar nas próximas semanas algumas restrições à exportação de armamento letal, com o objetivo de impulsionar a indústria de defesa nacional e reforçar a cooperação com países aliados.











