Ron Lam preocupado com a indiferença da população em relação às eleições

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

Ron Lam lidera a lista Poder da Sinergia para as legislativas e procura ser reeleito, mas mostra-se preocupado com a atitude indiferente dos eleitores quanto à votação, devido sobretudo ao baixo número de listas candidatas. O actual deputado eleito por sufrágio directo admite estar a enfrentar um “desafio severo” nas eleições este ano, nomeadamente para uma equipa sem contexto de organizações tradicionais e recursos.

 

O Poder da Sinergia formalizou a candidatura às eleições legislativas e apresentou ontem a lista de seis candidatos liderada pelo actual deputado Ron Lam. O legislador admitiu que a equipa está a enfrentar “desafios severos” uma vez que a população de Macau tem mostrado uma atitude de indiferença em relação às eleições.

Ron Lam apontou o facto de o número de listas nas corridas ao sufrágio directo ser o mais baixo na história da RAEM e disse estar a sentir indiferença em relação às eleições, o que “é também um reflexo da desilusão [dos cidadãos] sobre a sociedade”, notou. Nas legislativas deste ano, a Comissão dos Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) validou oito listas para o sufrágio directo, o que representa uma descida para quase metade do número registado em 2021.

Aos jornalistas, Ron Lam alertou ainda para a falta de recursos do grupo. De acordo com o deputado, as despesas eleitorais do Poder da Sinergia foram as mais baixas entre todas as listas eleitas em 2021, sendo que as despesas da lista que gastou mais foram dez vezes superiores. Informações da CAEAL mostram que a lista de Lam gastou 247 mil de patacas na campanha eleitoral há quatro anos, enquanto a lista que gastou mais utilizou 2,6 milhões de patacas.

“É desafiante para nós, que não temos o contexto das [grandes] organizações nem os recursos. Com recursos incomparáveis e uma indiferença eleitoral, a nossa lista sofre um maior impacto negativo, o que nos deixa muito preocupados”, realçou.

Ron Lam, nesse sentido, apelou à votação dos residentes para “trazer as diferentes vozes ao parlamento e permitir ao Governo ouvir a opinião pública e responder às necessidades reais e precisas dos residentes”. “Se os eleitores forem apáticos e não votarem, a lista poderá nem sequer conseguir manter um lugar”, alertou.

O candidato disse que espera continuar a servir a sociedade e dar aos residentes “uma voz” na Assembleia Legislativa, mesmo que reconheça que “a força [da equipa] é pequena” e nem todos os pedidos ao Governo possam ser respondidos.

O grupo candidatou-se às eleições de 2017, mas sem sucesso no acesso ao hemiciclo, tendo voltado à carga em 2021 e obtido 8.764 votos, permitindo eleger um deputado. A lista deste ano conta com a participação, como número dois, de Johnson Ian, colunista, ex-atleta de ténis de mesa e presidente da Associação de Sinergia de Macau, bem como do activista de protecção ambiental Joe Chan, sendo o número cinco na lista.

Segundo Ron Lam, o seu programa político tem foco em questões do emprego, de economia e do bem-estar da população, incluindo instar o Governo a reduzir o número de trabalhadores não-residentes das grandes empresas, especialmente das concessionárias. Além disso, pretende solicitar ao Executivo que preste mais apoio às pequenas e médias empresas e ao mercado de emprego. “Vamos também exigir que a governação do Executivo seja aberta e transparente, incluindo a abertura e a transparência das finanças públicas e a necessidade de uma consulta aberta sobre as políticas, para garantir a eficácia das políticas e que estas possam responder às necessidades reais da comunidade”, defendeu.

A equipa de Ron Lam espera ainda que sejam introduzidos no território serviços de transporte de passageiros através de pedido online, bem como ajustar o plano da chamada Ilha Ecológica, garantir a liberdade de imprensa e a protecção dos animais, entre outros.