“Os Surrealistas” é o nome do espectáculo que a Lisbon Poetry Orchestra traz a Macau. Em palco, cinco músicos e quatro vozes vão pôr a palavra como protagonista no papel de ferramenta pela liberdade. O concerto, que se realiza no âmbito do Festival Literário – Rota das Letras, acontece sábado, pelas 20h30, no Teatro D. Pedro V.
A Lisbon Poetry Orchestra vai trazer a Macau “Os Surrealistas”, espectáculo que põe o foco na palavra e na música. No palco do Teatro D. Pedro V, pelas 20h30 de sábado, esta orquestra de poesia vai apresentar um espectáculo transversal que promete surpreender.
“Acredito que as pessoas vão ficar surpreendidas pela positiva, é um espectáculo muito rico, interessante e penso que sedutor”, diz, ao PONTO FINAL, Alex Cortez, membro da banda.
A Lisbon Poetry Orchestra começou a juntar a poesia à música em 2015, através de espectáculos que juntavam os dois universos. Em Março de 2018, foi editado o álbum-livro intitulado “Poetas Portugueses de Agora”. Quatro anos depois, a banda editou “Os Surrealistas”, que explora o movimento artístico e literário que chegou a Portugal no final da década de 1940.
Esta junção entre os textos surrealistas de Alexandre O’Neill, Mário Cesariny, Mário-Henrique Leiria e António Maria Lisboa, a música e a componente visual resultaram também numa série de espectáculos em Portugal, que se estenderam também à Feira do Livro de Buenos Aires, na Argentina, e agora a Macau, no âmbito do Festival Literário Rota das Letras.
No palco do Teatro D. Pedro V, este espectáculo de poesia-canção vai materializar-se através de cinco músicos – Alex Cortez, Luís Bastos, Mário João Santos, Sérgio Costa e Filipe Valentim – e quatro vozes a declamar: Paula Cortes, José Anjos, Nuno Miguel Guedes e, como convidada especial, Xana, vocalista da banda Rádio Macau – banda da qual também Alex Cortez fez parte.
“Gostamos de acreditar que terá um impacto enorme em termos de espectáculo, a música aqui talvez ultrapasse a mera ilustração, partindo para este tal formato de poema-canção”, descreve Cortez, acrescentando que será um espectáculo “muito transversal”. O público da banda é “amante de poesia e da palavra dita”, descreve o músico, afirmando: “Como se costuma dizer, somos um país de poetas. Gostamos de achar que estamos a contribuir para essa divulgação”.
O objectivo é “mostrar que a palavra devia ser o motor da sociedade”. Porém, “infelizmente, o mundo não demonstra isso, com as guerras e com tudo o que se está a passar a nível global”. “A palavra devia ser dominante. Infelizmente não é, mas nós estamos nesta luta de mostrar que a palavra é uma ferramenta pela liberdade, democracia e aquilo que será uma sociedade mais justa”.
Para Alex Cortez, esta não é a primeira vez em Macau. Veio ao território em 1989 actuar com os Rádio Macau e em 1996 ao lado de Jorge Palma. “Se em 96 já tinha sentido uma grande diferença em relação a 89, então agora é outra cidade”, constata, notando ainda a matriz portuguesa, “que nos seduz um pouco”, mas, de resto, “é uma cidade completamente diferente”.
Parte do espectáculo de sábado vai estar a cargo dos Poetry X Music, banda que também combina poesia de Anthony Tao com a música de Liane Halton. A banda, composta também por Ryan Etzcorn e Mike Fox, tem actuado em Pequim e, em Macau, vai apresentar o espectáculo “O Mito da Escrita”, que inclui peças inspiradas na filosofia chinesa, no folclore moderno e em temas como a família, história e amor. Os bilhetes podem ser adquiridos no local do espectáculo ou na Livraria Portuguesa por 100 patacas.
Livros, passeios, ilustração e gastronomia
Entramos agora nos últimos dias desta edição do Festival Literário Rota das Letras. Hoje, um dos temas em destaque é o fim da guerra colonial. António Costa Silva, escritor, poeta, ensaísta e antigo ministro português da Economia e do Mar, vai apresentar o romance “Desconseguiram Angola”, numa sessão agendada para as 18h30, no Antigo Matadouro Municipal, na Barra. Uma hora depois, António Costa Silva junta-se a Djamilia Pereira de Almeida para uma sessão intitulada “Literatura Lusófona – Um novo mundo meio século depois das independências”. Amanhã às 15h, também no Antigo Matadouro, Kwok Yim Mei e Cheng Jiaoyang vão abordar o tema da escrita de ficção feminina. À mesma hora realiza-se uma outra sessão sobre a gastronomia portuguesa na era dos descobrimentos, com Anabela Leal de Barros. A gastronomia estará também em foco numa sessão apresentada por Thomas DuBois, intitulada “A China em Sete Banquetes – Uma viagem aromática por 5.000 anos de património gastronómico chinês”. Às 16h30, Fernando Pessoa será o tema de uma sessão de Yang Zi e duas horas depois Carlos Morais José e Zerbo Freire conversam sobre a obra de Li Qingzhao e simbolismos chineses. Domingo, último dia do festival, começa com uma visita guiada pelo historiador e escritor Jason Wordie pela zona histórica da Barra, às 11h. Pelas 15h, o escritor Paul French apresenta duas obras: “Her Lotus Year” e “Destination Macao”. Uma hora depois, também no Antigo Matadouro Municipal, Catarina Mesquita junta-se a Rodrigo de Matos e a Lydia Ieong para uma sessão de ilustração e contos ao vivo. Às 17h30, acontece uma sessão que vai abordar as várias alterações geopolíticas dos últimos anos, que conta com a participação de António Costa Silva, Sonny Lo e Michael Share. Para finalizar, o Rota das Letras organiza um jantar no Artyzen Grand Lapa sob o tema “Uma Festança de Histórias: Sete pratos, sete tradições”.













