As Forças Armadas da Coreia do Sul confirmaram que o projéctil lançado ontem pela vizinha Coreia do Norte é um míssil balístico intercontinental (ICBM), o quinto disparado por Pyongyang este ano.
“As nossas forças armadas detectaram o que se crê ser um míssil balístico de longo alcance lançado da zona de Pyongyang para o mar do Leste [nome dado ao mar do Japão nas duas Coreias] por volta das 08:24”, declarou o Estado-Maior Conjunto sul-coreano em comunicado.
O Ministério da Defesa japonês confirmou a hora do lançamento e acrescentou que o míssil aterrou por volta das 09:37 fora da zona económica especial do país, 250 quilómetros a oeste da ilha de Okushiri, perto de Hokkaido (norte), segundo a emissora estatal nipónica NHK.
A duração do voo coincide com os anteriores lançamentos deste tipo de míssil por Pyongyang e com a trajectória curva utilizada para testar este tipo de míssil.
O lançamento ocorre depois de a Coreia do Norte ter lançado outro míssil balístico de curto alcance no domingo e marca o 27.º teste de armamento registado por Pyongyang só este ano.
O disparo acontece, além disso, três dias depois de o conselheiro adjunto para a segurança nacional da Coreia do Sul, Kim Tae-hyo, ter afirmado que tinham sido detectados sinais de que o regime de Kim Jong-un poderia lançar um ICBM nos próximos dias.
O último ICBM que Pyongyang testou foi lançado em Julho, quando disparou um projéctil Hwasong-18 de combustível sólido a partir dos arredores da capital norte-coreana. Com este lançamento, o regime atingiu um recorde de cinco mísseis intercontinentais lançados este ano.
Esta última acção norte-coreana surge também depois de Pyongyang ter anunciado, a 23 de Novembro, o cancelamento da aplicação de um tratado militar com Seul, assinado em 2018 para reduzir a tensão nas zonas fronteiriças.
O Presidente da Coreia do Sul pediu uma resposta imediata, em coordenação com Estados Unidos e Japão, a este lançamento de míssil balístico intercontinental realizado pela Coreia do Norte em direcção ao Mar do Japão.
Yoon Suk-yeol pediu que seja utilizado o recém-criado sistema de troca de informações sobre mísseis estabelecido como resultado de uma reunião trilateral realizada em Agosto nos Estados Unidos, em que participaram o chefe de Estado sul-coreano, o Presidente dos EUA, Joe Biden, e o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida.
A medida foi accionada após uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional sul-coreano, já que o lançamento do míssil norte-coreano – segundo sul-coreanos, norte-americanos e japoneses – coloca em perigo a paz e a estabilidade na península coreana, noticiou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.
“Temos que utilizar o sistema de troca de informações em tempo real e defender proactivamente que a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão respondam de forma coordenada”, disse Yoon, sublinhando que as medidas devem ser “imediatas e esmagadoras” para enfrentar as “provocações” de Pyongyang.
As declarações de Yoon acontecem logo após o quinto lançamento de um míssil balístico intercontinental pela Coreia do Norte neste ano. Este último teste balístico ocorreu poucas horas após o lançamento de um míssil de curto alcance.
As autoridades sul-coreanas condenaram estes lançamentos e afirmaram que constituem uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que proíbem a Coreia do Norte de utilizar tecnologia de mísseis balísticos.
Os últimos lançamentos ocorrem precisamente depois de Seul e Washington terem abordado uma futura estratégia de dissuasão nuclear em relação a Pyongyang e coincidem com a comemoração do 12.º aniversário da morte do antigo líder norte-coreano Kim Jong-il, pai do actual líder do país, Kim Jong-un.
Também nas últimas horas, um submarino norte-americano com propulsão nuclear chegou à cidade portuária sul-coreana de Busan, precisamente num contexto de crescente preocupação com a possibilidade de a Coreia do Norte lançar um míssil intercontinental.











