Nos tempos epidémicos, as compras e vendas de bens imóveis no mercado imobiliário local precisam de ser impulsionadas pela procura interna. A ideia foi revelada numa conferência de imprensa realizada pela agência imobiliária Midland, que decorreu ontem. O sector instou as autoridades a estudar a possibilidade de relaxar algumas medidas visando controlar o sector imobiliário e suavizar algumas políticas no que toca aos empréstimos hipotecários destinados à aquisição do primeiro bem imóvel.
Numa conferência de imprensa organizada pela Midland realizada ontem, a agência imobiliária admitiu que o mercado imobiliário tem sofrido devido à taxa de desemprego elevada e às fortes restrições fronteiriças na sequência da crise pandémica. Lily Hong, directora comercial da Midland Macau, apelou ao Governo no sentido de estudar a viabilidade de adoptar o levantamento apropriado de algumas medidas visando controlar o sector imobiliário, bem como amenizar a política relativa aos empréstimos hipotecários destinados à aquisição do primeiro bem imóvel para revitalizar o mercado imobiliário, impulsionando a economia local através da procura interna.
Segundo as estatísticas actualizadas disponibilizadas pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), entre Janeiro e Março de 2022, a taxa de desemprego foi de 3,5% e a taxa de desemprego dos residentes situou-se em 4,5%, atingindo o valor mais alto em 13 anos. Para Lily Hong, o mercado imobiliário de Macau tem sido restringido não só pelos factores económicos, mas também com algumas medidas que visam controlar o sector que tinham entrado em vigor em2011. Acrescentou que a aplicação do imposto de selo adicional e a limitação das percentagens de hipoteca de imóveis sujeitas aos adquirentes não-residentes apresentaram uma redução significativa da vontade destes compradores na entrada do mercado. No ano passado, 99,1% das transacções foram realizadas por residentes, indicando que as actividades de trocas imobiliárias precisam de ser impulsionadas pela procura interna, referiu a especialista imobiliária.
Actualmente, a maioria dos compradores de Macau é adquirente do primeiro bem imóvel, representando cerca de 82,8% do número total de compradores de imóveis no ano passado, tendo aumentado para 85,6% nos primeiros quatro meses deste ano, apontou a responsável. “Se o mercado imobiliário se quiser desenvolver de uma forma saudável e vital, as autoridades devem estudar a flexibilização adequada das medidas regulatórias do mercado imobiliário, incluindo a percentagem de hipotecas de imóveis e o imposto de selo”,defendeu Lily Hong, adiantando que “o Governo deve considerar a possibilidade de relaxar a actual política sobre os empréstimos hipotecários destinados à aquisição do primeiro bem imóvel para não se aplicar só aos residentes com idade entre 21 e 44 anos. As autoridades devem pensar em aumentar o limite máximo do rácio do empréstimo hipotecário a residentes para imóveis de valor superior a oito milhões de patacas, bem como excluir a limitação etária no âmbito da aplicação de política preferencial sobre os empréstimos hipotecários destinados à aquisição do primeiro bem imóvel”.
Na ocasião, Sammy Po, director executivo no segmento residencial da Midland Hong Kong e Macau, afirmou que as transacções associadas aos imóveis residenciais mostraram ter um desempenho “estabilizado”. Segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o número de transacções residenciais nos primeiros quatro meses deste ano foi de 1.179, observando-se uma queda de cerca de 40%. Em particular, em Fevereiro deste ano, registaram-se apenas 200 transacções residenciais, o nível mais baixo já registado. No entanto, em Março e Abril, o número de transacções aumentou para mais de 300 durante dois meses consecutivos. Acredita-se que, com o passar de alguns impactos sazonais, como as férias de Ano Novo Chinês no primeiro trimestre, o número de transacções deverá aumentar para mais de 1.000 no segundo trimestre, o que deverá ser cerca de 20% superior às 841 transacções registadas no primeiro trimestre, mas ainda distante das 1.932 transacções registadas no mesmo período do ano passado.
A agência imobiliária que está enraizada em Macau há 18 anos revelou que este ano vai continuar a expandir a equipa, pretendendo abrir mais três sucursais e empregar mais 50 agentes.
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