Os rebeldes maoistas que lutavam contra o Governo indiano há mais de meio século anunciaram o fim da sua “luta armada”. Mais de 12 mil pessoas foram mortas desde o início das atividades em 1967 do movimento rebelde, composto inicialmente por um punhado de aldeões que lutavam contra os senhores de terras.
Os rebeldes maoistas que lutavam contra o Governo indiano há mais de meio século anunciaram o fim da sua “luta armada” num comunicado ontem divulgado que as autoridades ainda estão a tentar confirmar.
Nova Deli lançou uma grande ofensiva nos últimos meses para erradicar o que resta da chamada insurgência maoista “naxalita”, que é uma referência à aldeia no estado de Bengala Ocidental, no leste do país, onde o grupo rebelde se formou há quase seis décadas.
Nos últimos anos, a maior parte da actividade dos insurgentes concentrou-se nas florestas de alguns distritos do estado central de Chhattigarsh, mais conhecido por “Corredor Vermelho”.
Mais de 12 mil pessoas — rebeldes, soldados e civis — foram mortas desde o início das atividades em 1967 do movimento rebelde, composto inicialmente por um punhado de aldeões que lutavam contra os senhores de terras. “Estamos prontos para dialogar”, anunciou um porta-voz do Partido Comunista da Índia (maoista) num comunicado distribuído à imprensa local na noite de terça-feira por meio de um intermediário regular. “Diante da nova ordem mundial e da situação nacional, dos constantes apelos do primeiro-ministro, do ministro do Interior e dos chefes da polícia, decidimos suspender a luta armada”, acrescentou o porta-voz do movimento.
Um alto responsável de Chhattisgarh disse ontem que a declaração dos rebeldes estava a ser confirmada. “A carta precisa de ser verificada. Só depois de ser confirmada será tomada uma decisão” sobre iniciar negociações com os guerrilheiros, disse o ministro do Interior local, Vijay Sharma, aos jornalistas.
Sharma não escondeu as suas dúvidas sobre a declaração dos rebeldes, datada de 15 de Agosto. Os rebeldes raramente divulgam as suas declarações por e-mail ou mensagem, com receio de serem detetados pelas forças de segurança.
No ano passado, o Ministro do Interior, Amit Shah, enviou as suas tropas para atacar o último bastião da guerrilha, proclamando a sua intenção de a eliminar até ao próximo ano.
Na segunda-feira, as forças governamentais mataram um “comandante naxalita” de alto nível, segundo Nova Deli, cuja captura foi recompensada com mais de 100 mil euros. O líder do grupo, Nambala Keshav Rao, conhecido por Basavaraju, foi morto num confronto com o exército em maio, juntamente com outros 26 rebeldes.
No seu auge, em meados da década de 2000, a rebelião contava com 15.000 a 20.000 combatentes armados e controlava quase um terço do território indiano, mas enfraqueceu consideravelmente nos últimos anos. Mais de 400 rebeldes foram mortos desde o ano passado, incluindo alguns dos principais comandantes do grupo. Lusa











