Com o desenvolvimento da fotografia digital em grande escala, a arte da fotografia em formato pequeno tem caído em desuso. O novo projecto da Halftone propõe-se a celebrar os detalhes e a criatividade das fotografias captadas em formato reduzido, convidando o público a olhar com calma e atenção para os trabalhos que estarão em exposição na galeria H2H – Hold on to Hope entre 6 e 28 de Setembro. Metade das receitas arrecadadas no evento serão doadas à Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM).
A Halftone e a Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) voltam a colaborar na terceira edição da exposição “Small Format”, dedicada à fotografia em formato pequeno. A mostra arranca com uma cerimónia de abertura agendada para as 16h de dia 6 de Setembro, na galeria H2H – Hold on to Hope, e permanecerá patente ao público até dia 28.
O projecto deste ano reúne 29 fotografias da autoria de 15 fotógrafos locais, cujos temas ficaram ao critério dos próprios artistas. Tal como aconteceu nas duas edições anteriores, o único fio condutor da exposição é a celebração da fotografia em pequeno formato, que convida a um olhar atento e à valorização dos pormenores. “Actualmente, com a fotografia digital, estamos habituados a poder imprimir grandes formatos. O pequeno formato tem outras características; exige uma maior proximidade para a visualização da foto”, explica Francisco Ricarte, presidente da associação fotográfica, em declarações ao PONTO FINAL.
Foi esse o desafio lançado aos membros da Halftone no passado mês de Junho: levar o público a contemplar de perto os contornos e as ideias expressas no trabalho que se apresenta perante si. O tema, esse, é livre, permitindo que os artistas tenham “a possibilidade de mostrar um leque diversificado” do seu catálogo, com a única condição de não exceder um máximo de 42 centímetros de largura ou comprimento. Francisco Ricarte destaca ainda que o tema de atenção ao detalhe é complementado pelas características da própria galeria, dividida em 12 espaços pequenos que “convidam precisamente a essa observação” calma e minuciosa.
Em paralelo à publicação da revista quadrimestral, o programa da Halftone contempla a realização de três exposições anuais. A “Small Formats” é, portanto, a segunda mostra fotográfica de 2025, antecedida por “O Espírito da China”, em Abril, e uma exposição subsequente marcada para Outubro, na Fundação Rui Cunha. Entre estes projectos, o responsável confidencia ao PONTO FINAL que a “Small Formats” é uma exposição que “dá muito gosto fazer”, por dois motivos diferentes.
“Primeiro, é uma manifestação da nossa vitalidade enquanto associação, ao mobilizarmos os sócios para participarem e apresentarem as suas obras”, começa por esclarecer. Os artistas participantes, organizados por ordem alfabética, são António Mil-Homens, António Sotero, Carmen Sereno, Cássia Schutt, Elói Scarva, Flávio Andrade, Francisco Ricarte, Gonçalo Lobo Pinheiro, Inela Kovacevic, Joana Freitas, Jorge Veiga Alves, José Sales Marques, Nelson Silva, Sara Augusto e Sofia Mota.
O segundo ponto prende-se com o carácter filantrópico da iniciativa. “Dá-nos muito gosto e muita honra colaborar com a ARTM [associação que gere a galeria], pelo esforço meritório que tem feito durante tantos anos”. O público pode aderir a esta causa ao adquirir qualquer uma das 29 fotografias em exposição, sendo que pelo menos 50% do valor de qualquer venda será doado à associação.
Francisco Ricarte realça ainda a beleza – física e histórica – da galeria H2H, símbolo de vida e transformação. A partir do início da década, a antiga leprosaria de Ká-Hó reinventou-se num espaço de cultura e lazer onde são frequentemente expostos trabalhos de associações criativas ou grupos vulneráveis locais. De uma “história dramática”, nota o fotógrafo, acabou por nascer um dos núcleos culturais mais relevantes e solidários de Macau.
A associação Halftone, actualmente com mais de 50 membros, tem como objectivo promover e divulgar a arte fotográfica e da narrativa visual em Macau e no mundo.













