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      AFA apresenta diálogo artístico sino-francês sobre tempo e memória no Parisian

       

      A Art For All Society, em parceria com a “Avant-garde” Innovative Multimedia Art Association, apresenta “Déjà Vu”, a primeira exposição de uma série intitulada “Mirroring, Looping, Generating”. Integrada no programa oficial do Festival de Artes “French May”, a mostra mergulha no fenómeno de “Déjà Vu” e na sua relação com o tempo, a memória e a percepção na era digital. Através da obra de artistas de Macau e França, a exposição propõe um diálogo artístico que explora como a tecnologia molda a nossa compreensão da realidade e da memória, questionando a natureza da experiência e a persistência do passado no presente. Tem abertura marcada para 14 de Maio.

       

      A renovação da arte através das novas tecnologias traz sensações de um passado já vivido. Num déjà-vu imaginado, esta nova mostra, a primeira de uma série intitulada “Mirroring, Looping, Generating”, explora as complexas relações entre tempo, memória e percepção através do prisma da arte contemporânea. Organizada pela Art For All Society (AFA) em colaboração com a “Avant-garde” Innovative Multimedia Art Association, e com o apoio do Fundo de Desenvolvimento Cultural de Macau, a exposição “Déjà Vu” reúne três artistas, Alice Kok e Catherine Cheong, ambas de Macau, e o francês Robert Cahen, para um diálogo artístico sino-francês que transcende fronteiras geográficas e disciplinares.

      A exposição, que integra o programa oficial do Festival Artes “French May”, inaugura a 14 de Maio, às 18h30, no The Shoppes Parisian Macao, e propõe uma imersão em instalações de vídeo arte, imagens geradas por inteligência artificial e outras criações de multimédia, instigando uma reflexão profunda sobre o conceito filosófico de “déjà-vu” e o impacto da tecnologia na construção da realidade contemporânea. Uma extensão do evento, a ‘masterclass’ “Video Postcards”, com Robert Cahen e Alice Kok, oferecerá uma oportunidade ao público para explorar a poética da imagem em movimento e a sua ligação ao território de Macau.

      A exposição, cujo título evoca a teoria do filósofo francês Henri Bergson sobre a percepção simultânea do presente “real” e do seu “virtual” espelho na memória, posiciona-se como um ponto de encontro entre a filosofia, a arte e a tecnologia. Os três artistas participantes abordam este fenómeno através de linguagens visuais e sonoras distintas, mas convergentes na sua exploração da natureza da realidade e da memória.

      Robert Cahen, figura proeminente na vídeo-arte francesa, conhecido pela sua manipulação temporal e espacial da imagem, contribui com obras que desafiam a linearidade da perceção, convidando o espectador a confrontar a fugacidade do momento e a sua persistência enquanto rasto mnésico. A sua abordagem, frequentemente descrita como uma “poética das imagens efémeras”, ressoa com a essência do “Déjà Vu”, onde o instante presente parece carregar o peso de uma experiência prévia.

      Alice Kok, artista e curadora de Macau, dialoga com a obra de Cahen e com o conceito central da exposição através das suas próprias investigações artísticas, que frequentemente incorporam novas tecnologias e abordam temas ligados à identidade, à memória colectiva e à paisagem urbana e natural de Macau. O seu trabalho artístico, que se estende da vídeo arte à instalação e fotografia, demonstra uma sensibilidade particular para a forma como as narrativas pessoais e históricas se entrelaçam com o espaço vivido. A inclusão de Alice Kok na exposição reforça a dimensão deste intercâmbio cultural sino-francês, oferecendo uma perspectiva local sobre os temas universais abordados.

      Catherine Cheong, outra artista de Macau, completa o trio com uma abordagem que integra a inteligência artificial na sua produção artística. A utilização de algoritmos para gerar imagens e instalações adiciona uma camada contemporânea e provocadora à exposição, questionando o papel da tecnologia na criação e na percepção da realidade. O conceito de “geração” no título da série de exposições (“Mirroring, Looping, Generating”) adquire aqui um significado literal, referindo-se à capacidade das máquinas de produzir novas formas e conteúdos, mas também um sentido figurado, aludindo à forma como a memória e a percepção são constantemente “geradas” e reconstruídas pela mente humana e pelas ferramentas tecnológicas.

       

      PALAVRAS COMO EIXOS CONCEPTUAIS

       

      As palavras-chave “Espelhar”, “Circular” e “Gerar” funcionam como eixos conceptuais que atravessam a exposição. “Espelhar” sugere a ideia de reflexão, tanto literal (a imagem reflectida num espelho ou ecrã) como metafórica (a memória como um espelho do passado, o presente como um espelho do futuro). “Circular” evoca a repetição, o ciclo, o retorno – características intrínsecas ao fenómeno do “Déjà Vu”, onde a experiência presente parece estar “em ‘loop’” com uma lembrança anterior. No contexto da vídeo arte e das tecnologias digitais, o “loop” é também uma técnica formal, uma forma de construir narrativas e ritmos visuais. “Gerar”, como mencionado, remete para a criação, seja ela humana ou artificial, e para a forma como a realidade e a memória são processos contínuos de “geração”.

      A actividade extra, a ‘masterclass’ “Video Postcards”, conduzida por Robert Cahen e Alice Kok, oferece uma oportunidade de aprendizagem e criação. Ao convidar os participantes a explorar a paisagem de Coloane e a transformá-la em “postais de memória” através de técnicas de vídeo, a ‘masterclass’ estabelece uma ligação directa entre a teoria e a prática, entre a reflexão filosófica e a experiência sensorial. A escolha de Coloane, com a sua mistura de natureza e história, é particularmente significativa, pois convida a uma meditação sobre o tempo e o espaço, sobre a forma como os lugares carregam memórias e como a arte pode capturar e reinterpretar essas memórias.

      A inclusão da exposição no programa oficial do Festival Artes “French May” sublinha a sua importância no contexto do intercâmbio cultural entre a China e a França. As artes visuais funcionam aqui como um veículo para o diálogo e para a compreensão mútua, explorando temas universais que ressoam em diferentes culturas. A continuação da série de exposições que se realizará em Paris, em Agosto de 2025, reforça esta dinâmica de intercâmbio e permite que um público mais vasto tenha acesso a reflexão artística sobre o tempo, a memória e a tecnologia.

      “Déjà Vu” propõem-se como uma experiência imersiva que aborda a percepção da realidade, reflectida na passagem constante do tempo e a memória cíclica do ser humano. Os artistas Robert Cahen, Alice Kok e Catherine Cheong convidam o público a explorar um universo onde o presente e o passado se confundem, onde a realidade e a virtualidade se interligam, e onde a tecnologia funciona como uma possível ferramenta para investigar as profundezas da consciência humana, deixando em aberto uma perspectiva sobre as questões actuais na era digital e a sua ligação com a experiência humana, a caminho de um futuro inevitável, porém incerto.