Nações Unidas apelam ao reforço da ajuda humanitária a Myanmar

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A ONU pediu um aumento da ajuda humanitária ao Myanmar, para responder às necessidades humanitárias criadas pelo devastador terremoto que atingiu o país em 28 de Março, deixando mais de 3.700 mortos.

 

“As comunidades mais afectadas continuam a não dispor de abrigos seguros, água potável e saneamento, eletricidade estável, cuidados médicos e serviços essenciais”, afirma um comunicado emitido pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) na sexta-feira à noite no Myanmar.

As réplicas diárias, algumas de magnitude superior a 5, continuam a ocorrer mais de 21 dias após o terramoto inicial de magnitude 7,7 ter atingido o centro-norte da Birmânia, entre as cidades de Sagaing e Mandalay, a segunda cidade mais populosa do país.

A agência das Nações Unidas refere que as condições de vida nas zonas mais afetadas “se deterioraram drasticamente” desde a catástrofe e que “milhares de pessoas continuam a dormir ao relento”.

A área mais afetada é uma das principais regiões produtoras de alimentos do país, pelo que os danos causados pelo terramoto podem afectar a segurança alimentar da nação, já de si empobrecida, que se encontra mergulhada num profundo conflito armado desde o golpe militar de fevereiro de 2021.

Num relatório anterior da ONU, a organização estimou que cerca de 20 milhões de pessoas, um terço da população, foram afetadas de várias formas pelo terramoto.

A junta militar, que detém o poder no país há quatro anos, comunicou mais de 3.700 mortes, embora a ONU estime que o número real seja “provavelmente muito mais elevado”, devido a dificuldades na recolha e processamento de dados. “O impacto psicológico está a aumentar, especialmente entre as crianças e os grupos vulneráveis, que enfrentam a incerteza de um afastamento prolongado das suas casas, no meio de abalos sísmicos secundários, chuvas não sazonais e calor extremo”, disse ontem o OCHA.

A agência da ONU alerta também para o risco potencial de doenças e de má nutrição entre os deslocados, associado à perda de infraestruturas sanitárias. “Apesar destes esforços, a escala e a urgência do desastre requerem uma ação, recursos e acesso muito maiores”, sublinhou a agência.

 

Tailândia detém empresário chinês ligado à construtora do prédio que ruiu

 

As autoridades tailandesas anunciaram a detenção de um cidadão chinês, responsável na empresa que estava a construir um arranha-céus em Banguecoque que se desmoronou no sismo de Março, provocando dezenas de mortes.

O prédio foi o único grande edifício da capital tailandesa que ruiu no sismo de 28 de Março, tremor de terra que fez mais 3.700 mortos na Tailândia e em Myanmar.

A torre de 30 andares ficou reduzida a uma enorme pilha de escombros, provocando a morte a 47 pessoas, com outras 47 dadas como desaparecidas.

As autoridades emitiram um mandado de detenção contra quatro suspeitos, incluindo três tailandeses, por violação da lei das empresas estrangeiras, anunciou no sábado o ministro da Justiça, Tawee Sodsong, em conferência de imprensa.

O departamento de investigações especiais, que depende do Ministério da Justiça, precisou em comunicado que uma das pessoas detidas é um “representante de uma empresa” chinesa chamado Zhang.

Associada a uma empresa italo-tailandesa em ‘joint-venture’, a sociedade China Railway n°10 estava encarregada de construir a torre, destinada a acolher os serviços do Estado. Zhang é detentor de 49% das ações da empresa, enquanto os três tailandeses têm uma participação de 51%. “Temos provas (…) de que os três tailandeses detinham as ações por outros estrangeiros”, em violação da lei, disse o ministro da Justiça.

A lei diz que nenhuma sociedade tailandesa pode ser detida por estrangeiros em mais de 49%. Lusa