Director da agência nuclear da ONU em Fukushima para inspeccionar descontaminação do solo

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epa11895269 This handout photograph taken and provided by Tokyo Electric Power Company (TEPCO) shows the dismantling of treated water tank at the Fukushima Daiichi Nuclear Power Plant in Fukushima prefecture, Japan, 14 February 2025. On 14 February 2025, TEPCO started dismantling treated water storage tanks at the Fukushima Daiichi Nuclear Power Plant, aiming to dismantle 12 tanks by the end of fiscal year 2025. There are approximately 1,000 similar tanks on the premises. The vacant land created by the demolition will be used to build facilities for removing melted nuclear fuel and debris. EPA/TEPCO HANDOUT HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALESHANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

O responsável da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) iniciou ontem uma visita ao Japão, que o levará à central danificada de Fukushima para monitorizar a descontaminação do solo, enquanto o local está a ser desmantelado.

 

Rafael Grossi, que visita o Japão pela quinta vez, deverá visitar as instalações de armazenamento temporário (ISF) para solo contaminado pela primeira vez na quarta-feira.

“À medida que o Japão embarca num regresso gradual da energia nuclear à sua matriz energética, é importante que isso seja feito com total segurança e com a confiança da sociedade”, explicou ontem Grossi, citado pela agência France-Presse (AFP).

O líder da agência da ONU reuniu-se ontem à noite com o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Takeshi Iwaya, que anunciou que Tóquio iria disponibilizar 14 milhões de euros para programas na Ucrânia e noutros países, incluindo para melhorar o diagnóstico de cancro.

Quase 13 milhões de metros cúbicos de solo, o equivalente a cerca de 4.300 piscinas olímpicas, e 300.000 metros cúbicos de resíduos da incineração de matéria orgânica foram removidos no âmbito das actividades de descontaminação na província de Fukushima.

A visita do argentino tem como objetivo garantir “a restauração de Fukushima, incluindo o desmantelamento da central nuclear de Fukushima Daiichi e o controlo do solo contaminado removido”, explicou fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão.

Os resíduos estão a ser armazenados numa instalação temporária que cobre uma área de 16 quilómetros quadrados (km²), estendendo-se até às cidades vizinhas da central nuclear de Okuma e Futaba.

As autoridades japonesas planeiam reciclar cerca de 75% do solo contaminado — aqueles com baixos níveis de radioatividade — utilizando-o, se for confirmado como seguro, para estruturas de engenharia civil, como aterros para estradas e caminhos-de-ferro.

Espera-se que o solo que não puder ser reciclado seja descartado até à data limite de 2045, e Tóquio planeia confirmar a seleção do local e o processo de destruição este ano.

Os trabalhos de descontaminação do solo, decididos após o desastre de 11 de março de 2011 e que não tinham sido realizados após o desastre de Chernobyl em 1986, foram realizados em mais de 9.000 km², ou 40 municípios.

O método de remoção de terras “foi muito eficaz na limitação das transferências (radioativas) porque as áreas mais ligadas aos cursos de água foram descontaminadas”, explicou Olivier Evrard.

Em setembro, a AIEA considerou que “a abordagem do Japão à reciclagem e eliminação de solos e resíduos radioativos provenientes de atividades de descontaminação” estava alinhada com as normas de segurança da organização.

Durante a visita de Grossi, os especialistas da AIEA e de vários países, incluindo a China e a Coreia do Sul, vão também recolher amostras de água do mar e de peixe “para aumentar a transparência” no processo de libertação de água tratada no mar, garantiu à AFP outra autoridade da agência de energia do Japão.

A Tepco, operadora da central nuclear de Fukushima Daiichi, começou a desmantelar tanques de água tratada para libertar espaço para o armazenamento de resíduos nucleares.

Após o enorme tsunami, desencadeado por um sismo de magnitude 9,0, a Tepco manteve cerca de 1,3 milhões de toneladas de água contaminada — chuva, águas subterrâneas e água do mar — no local, bem como água necessária para arrefecer os reatores.

Esta água, tratada pelo sistema ALPS (“Advanced Liquid Treatment System”) para reduzir a sua radioatividade, permanece armazenada em mais de mil tanques que ocupam actualmente a maior parte do terreno da central.

O desmantelamento das albufeiras tornou-se possível com o início do despejo de água no Oceano Pacífico em agosto de 2023. O Japão e a AIEA garantem que esta água não prejudica o ambiente. Lusa