O Serviço Nacional de Inteligência (NIS, na sigla em inglês) da Coreia do Sul disse ontem ter indicações de que algumas tropas norte-coreanas podem estar já a deslocar-se para combater na Ucrânia.
“As transferências de tropas entre a Coreia do Norte e a Rússia estão em curso e estamos a estudar a possibilidade de que algum pessoal, incluindo generais militares, passe para a frente de batalha”, disse o NIS.
O exército da Rússia está a ensinar aos norte-coreanos uma centena de termos na língua russa para tentar prevenir “problemas de comunicação”, acrescentou, citado pela agência de notícias pública sul-coreana Yonhap.
“Acreditamos que um importante responsável de segurança russo envolvido no envio de tropas norte-coreanas estava a bordo do avião especial do governo russo que viajou entre Moscovo e Pyongyang nos dias 23 e 24 de Outubro”, disse o NIS, indicando que o objectivo da viagem seria coordenar o envio de tropas.
A cooperação militar entre Moscovo e Pyongyang representa uma “ameaça significativa à segurança da comunidade internacional e pode representar um sério risco para a segurança” da Coreia do Sul, afirmou o Presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol.
Na segunda-feira, o Departamento de Defesa norte-americano tinha anunciado que cerca de dez mil militares da Coreia do Norte foram enviados para treinar na Rússia e combater na Ucrânia nas próximas semanas. “Estamos cada vez mais preocupados com a intenção da Rússia de utilizar estes soldados em combate ou para apoiar operações de combate contra as forças ucranianas na região russa de Kursk”, disse a porta-voz do Pentágono aos jornalistas.
Sabrina Singh lembrou que o secretário da Defesa norte-americano, Lloyd Austin, já tinha avisado publicamente que, caso os soldados da Coreia do Norte fossem utilizados no campo de batalha, seriam considerados beligerantes e alvos legítimos, com sérias implicações para a segurança na região do Indo-Pacífico.
Austin vai ter um encontro com os responsáveis da Defesa da Coreia do Sul no final desta semana no Pentágono, no qual se espera que seja discutido o uso de soldados norte-coreanos no conflito da Ucrânia.
Também na segunda-feira, a NATO afirmou que algumas das tropas norte-coreanas já foram enviadas para a região fronteiriça de Kursk, onde a Rússia tem tentado repelir uma incursão ucraniana iniciada no Verão. Entretanto, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Choe Son-hui, partiu na segunda-feira para uma visita oficial à Rússia, disse a agência de notícias estatal norte-coreana KCNA, sem adiantar o motivo da deslocação.
O Presidente norte-americano, Joe Biden, alertou na segunda-feira que o envio de militares norte-coreanos para a Rússia é “muito perigoso”. Horas antes, a NATO afirmou que algumas das tropas norte-coreanas já foram enviadas para a região fronteiriça de Kursk, onde a Rússia tem tentado repelir uma incursão ucraniana iniciada no passado Verão.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, defendeu que este destacamento representa “uma escalada significativa” no envolvimento da Coreia do Norte no conflito e marca “uma perigosa expansão da guerra da Rússia”, iniciada com a invasão da Ucrânia em Fevereiro de 2022.
O secretário-geral indicou que a Aliança Atlântica está a “consultar activamente” os países da organização, a Ucrânia e os parceiros do Indo-Pacífico sobre estes desenvolvimentos e que iria falar em breve com o Presidente da Coreia do Sul e com o ministro da Defesa de Kiev.
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, ignorou os comentários de Rutte e observou que Pyongyang e Moscovo assinaram um pacto de segurança conjunto em junho passado, mas não chegou a confirmar que os soldados norte-coreanos estavam na Rússia.
Seul avisa para consequências se ‘drones’ norte-coreanos invadirem território da Coreia do Sul
As autoridades sul-coreanas alertaram ontem que haverá consequências se ‘drones’ norte-coreanos invadirem o seu território, afirmando que serão tomadas as “medidas adequadas” se necessário, incluindo meios militares. Numa conferência de imprensa, Lee Sung Joon, diretor do Gabinete de Relações Públicas do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, indicou que “em caso de infiltração, haverá uma resposta contundente para proteger a segurança e as propriedades dos sul-coreanos”. O responsável de Seul respondia deste modo às palavras de Kim Yo Jong, vice-diretor do departamento do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, que acusou a Coreia do Sul de ser um “rival desonesto com o mau hábito de desafiar” o regime de Pyongyang. “Gostaria de ver como a matilha de cães selvagens de Seul ladraria e espumaria se lançássemos ‘drones’ com folhetos”, ameaçou Kim. O director do Estado-Maior sul-coreano recordou que no dia 24 de outubro o vizinho do norte enviou um balão cheio de panfletos a criticar tanto o Presidente do país, Yoon Suk Yeol, como a sua mulher, Kim Keon Hee, segundo informações da agência de notícias Yonhap. A Coreia do Sul avisou que, se os balões “ameaçarem a vida e a propriedade privada, deverão ser tomadas medidas por meios militares”, sem dar uma resposta definitiva sobre o assunto.











