Grupos rebeldes retomam combates no nordeste do Myanmar

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Novos combates eclodiram no nordeste de Myanmar, pondo fim a um cessar-fogo mediado pela China, quando o regime militar birmanês está a enfrentar ataques de forças rebeldes em múltiplos locais no país.

 

O Exército de Libertação Nacional de Ta’ang (TNLA, em inglês), uma das três poderosas milícias que lançaram uma ofensiva conjunta surpresa em Outubro, retomou os seus ataques às posições do regime na semana passada no nordeste do estado de Shan, que faz fronteira com a China, o Laos, a Tailândia e ainda com o estado birmanês de Mandalay, onde os rebeldes têm o apoio das forças locais.

Desde então, o Exército da Aliança Democrática Nacional de Myanmar juntou-se aos rebeldes de Ta’ang, e as forças combinadas das duas milícias aliadas cercaram Lashio, quartel-general do comando militar do Governo birmanês no nordeste.

Essa é a próxima fase da ofensiva “1027” de Outubro, segundo Lway Yay Oo, o porta-voz do TNLA, acrescentando que na semana passada os militares atacaram com artilharia e ataques aéreos apesar do cessar-fogo. “Na fase dois, o nosso objetivo número um é a erradicação da ditadura militar e o número dois é a proteção e segurança da população local”, referiu o porta-voz do TNLA.

Thet Swe, porta-voz do regime militar birmanês – instaurado após o golpe no Governo democraticamente eleito de Aung San Suu Kyi, em fevereiro de 2021 -, acusou as milícias de colocarem os civis em perigo ao reiniciarem os combates. “À medida que o TNLA viola o cessar-fogo, os Tatmadaw (militares birmaneses) estão a proteger as vidas e os bens dos povos étnicos”, disse Thet Swe num e-mail enviado à agência de notícias Associated Press (AP).

Não há informações se a terceira organização étnica armada que compõe a Aliança das Três Irmandades, o poderoso Exército Arakan, esteja a participar nos novos combates no estado de Shan, mas as suas tropas nunca pararam de lutar no seu estado, Rakhine, que não estava incluído no cessar-fogo de 11 de Janeiro.

O TNLA afirmou já ter capturado mais de 30 postos avançados do exército e que controla agora a parte ocidental de Mogok, cujas minas de rubis fazem dessa um alvo lucrativo. Há também combates pela cidade de Kyaukme, que fica no cruzamento de uma rodovia, e Nawnghkio, a sudoeste, que leva à principal guarnição militar na cidade de Pyin Oo Lwin, ao longo da mesma rodovia.

Em Mandalay, a região a oeste de Shan, a Força de Defesa Popular – um dos muitos grupos de resistência armada que surgiram em apoio ao Governo clandestino de Unidade Nacional, que se considera a Administração legítima de Myanmar – juntou-se à ofensiva do TNLA.

A ofensiva de Outubro da Aliança das Três Irmandades fez avanços rápidos à medida que as milícias ocupavam grandes extensões de território no norte e nordeste, incluindo múltiplas passagens de fronteira importantes com a China e várias bases militares importantes.

As milícias da Aliança têm laços estreitos com a China e acredita-se que a ofensiva teve a aprovação tácita de Pequim devido à sua crescente insatisfação com a aparente indiferença do regime militar ao crescente comércio de drogas e fraudes cibernéticas a partir de Myanmar.

A China ajudou a mediar o cessar-fogo em janeiro, pondo fim aos principais combates no nordeste de Myanmar, apesar de outras organizações étnicas armadas e grupos terem lançado os seus próprios ataques contra posições do regime noutras partes do país. Os chineses já se disponibilizaram para ajudar em novas conversações de paz.

Já foram adicionados 5.000 recrutas às fileiras militares e são esperados mais 10.000 antes do final do ano. Thet Swe disse que esses não seriam enviados para o combate, mas sim utilizados como sentinelas e outras tarefas semelhantes, o que libertaria soldados mais treinados para as linhas de frente. Lusa