Ip Chi Leng, directora dos serviços comunitários da Caritas de Macau, foi galardoada com uma medalha de Serviços Comunitários pelo seu esforço “proactivo” na resolução de situações urgentes durante a epidemia, em que tanta gente ficou sem poder voltar para o seu país de origem ou cidade de residência.
O Chefe do Executivo atribuiu na passada sexta-feira diversas medalhas de distinção a entidades de cariz social e comunitário, como ao Complexo de Serviços de Apoio ao Cidadão Sénior Pou Tai, que presta apoio a idosos inspirando-se na filosofia e espiritualidade do Mosteiro Pou Tai, ou à Clínica dos Operários da Federação das Associações de Operários de Macau, e a sua figura de destaque, Leong Iok Han. Esta enfermeira foi louvada pela forma como coordenou a realização de testes de ácido nucleico a toda a população durante a epidemia da Covid-19.
Outra personalidade que também foi alvo de congratulações do Governo sob a forma de uma medalha de serviços comunitários foi Ip Chi Leng, directora dos serviços comunitários da Caritas de Macau e assistente social com 16 anos de experiência. Ip Chi Leng estava acompanhada de Paul Pun, secretário-geral da Caritas Macau, que se mostrou visivelmente orgulhoso pela distinção que a colega recebeu.
Ao PONTO FINAL, Ip Chi Leng recordou o serviço prestado aos sem-abrigo nos últimos 12 anos. “Foi desafiante, porque eles têm maus hábitos, mas com os meus colegas tentámos prestar um bom serviço “. Actualmente existem 33 pessoas em Macau alojadas pelos serviços sociais. Referindo que embora se tenha a ideia de que o número de sem-abrigo em Macau não é elevado, por a cidade ter “boas condições económicas”, na verdade existem muitas pessoas que “embora não vivam na rua, não têm casa. Não têm uma situação estável, talvez tenham problemas de adição ao jogo, à droga ou ao álcool, e estas pessoas precisam de apoio”, defendeu. A também vogal do Conselho de Acção Social diz que é necessário continuar a encaminhar estas pessoas para serviços de reabilitação. “Nós ajudamos a criar esperança e condições para quem pensa que já não tem futuro”.
No panfleto informativo sobre os galardoados na Cerimónia de Imposição de Medalhas e Título Honoríficos, quanto ao serviço prestado por Ip Chi Leng, pode-se ler que durante a epidemia esta garantiu o bom funcionamento dos Centros de Acolhimento, e que o seu desempenho foi “proactivo”. A directora dos serviços comunitários da Caritas de Macau recordou a “quantidade imensa” de pessoas que na altura se encontravam sem alojamento provisório. “Eram talvez 600 viajantes do interior da China e não só, que não podiam voltar para as suas cidades; tinham de ficar à espera dos resultados dos testes”. Para evitar que estas pessoas ficassem a dormir na rua, foi aí que se tomou a decisão de abrir os centros de abrigo para estas pessoas. “Na verdade, estes centros são apenas para casos de extremo frio ou calor, mas naquele momento, era crucial apoiar aquelas pessoas, e deixámos então que elas passassem uma ou até mais noites nesses sítios, dando-lhes uma cama e comida para ficarem confortáveis”.
Ip Chi Leng lembra-se da forma como os números de desalojados foram subindo, também devido à situação dos trabalhadores não residentes. “Era urgente ajudá-los, e com o meu superior encontrámos outras soluções, com espaços maiores para os albergar”. Quanto à escolha de lhe ser atribuída a medalha pelo Chefe do Executivo, a assistente social diz que ainda está “chocada”, porque ainda não tem “assim tanta experiência”, mas acredita que o prémio serve sobretudo como incentivo para que continue a “fazer mais e melhor”.
Será que Macau é um local com apoio suficiente às camadas mais desfavorecidas da cidade?, aproveitámos ainda para perguntar. A assistente social acredita que sim, e que todo o procedimento de candidatura a obter uma habitação social, por exemplo, está cada vez melhor. Quanto à economia, embora ela esteja a recuperar, a situação de algumas pessoas ainda é precária, com pessoas sem emprego, ou com problemas do foro psicológico. “Temos de nos concentrar mais no apoio a situações de saúde mental, porque as pessoas sentem muita pressão”.











