Coreia do Norte critica relatório e acusa EUA de ser o maior factor de risco global

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This picture taken on April 27, 2022 and released by North Korea's official Korean Central News Agency (KCNA) via KNS on April 29 shows North Korean leader Kim Jong Un taking part in a parade ceremony to mark the 90th founding anniversary of the Korean People's Revolutionary Army (KPRA), at an undisclosed location in North Korea. (Photo by KCNA VIA KNS / AFP) / South Korea OUT / ---EDITORS NOTE--- RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO/KCNA VIA KNS" - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS / THIS PICTURE WAS MADE AVAILABLE BY A THIRD PARTY. AFP CAN NOT INDEPENDENTLY VERIFY THE AUTHENTICITY, LOCATION, DATE AND CONTENT OF THIS IMAGE --- /

 

A Coreia do Norte criticou ontem os Estados Unidos por classificar num relatório o país asiático como uma “ameaça persistente”, afirmando que a política norte-americana é o maior factor de risco global.

Num editorial assinado por um responsável do Ministério da Defesa e publicado ontem pela agência de notícias estatal KCNA, Pyongyang critica o facto de o Pentágono ter classificado a China como “um desafio crescente” e a Rússia como uma “ameaça acrescida”, no seu último relatório da Estratégia de Combate às Armas de Destruição Maciça.

“Tal acto dos militares norte-americanos é mais uma grave provocação militar e política contra Estados soberanos independentes”, afirmou. “Quanto à ‘ameaça persistente’, é uma expressão mais apropriada para os EUA, o Estado armado com o maior número de armas de destruição maciça do mundo e o único Estado criminoso a ter usado bombas atómicas” e que classificou a Coreia do Norte de “inimigo e tem vindo a intensificar a sua chantagem e uma ameaça nuclear sem precedentes desde o século passado”, acrescentou.

No editorial, sublinha-se ainda que Washington realizou este ano um exercício com Seul de simulação de resposta a um hipotético ataque nuclear, tendo aumentado com a Coreia do Sul a escala dos exercícios militares conjuntos na península, onde também colocou, pela primeira vez em quatro décadas, um submarino capaz de efetuar ataques nucleares. “A maior ameaça global no que respeita às armas de destruição maciça vem simplesmente dos Estados Unidos”, salientou.

O documento norte-americano, atualizado pela primeira vez numa década, alerta para o facto de o regime norte-coreano ter incluído em 2022 na Constituição a utilização de armas nucleares em ataques preventivos, o que implica uma “rejeição” de qualquer processo de desnuclearização.

Ainda na semana passada, a Assembleia Popular Suprema (parlamento) norte-coreana aprovou o complemento deste artigo constitucional com disposições que apelam a um maior reforço das capacidades nucleares.

O governo sul-coreano reagiu ontem a esta última decisão, assegurando que “representa uma grave ameaça que mina a paz e a estabilidade no seio da comunidade internacional” e que, com este gesto, “a Coreia do Norte ficará ainda mais isolada da comunidade internacional e aumentará o sofrimento do seu povo”.